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Terceira Temporada de Umbrella Academy: Oblivion

Resenha

O Fake Your Death trás um convidado especial para discutir as dificuldades de se afastar dos quadrinhos e ter que caminhar com seus próprios pés nas telas.

Texto por: Mario Pugliesi
Edição: Marina Tonelli

No final da segunda temporada nós deixamos nossa família disfuncional favorita em casa depois de ficarem presos em Dallas nos anos sessenta. Mas esse passeio pelo passado deixou suas marcas neles, assim como na linha temporal. Eles voltam para casa, mas apenas para encontrar uma nova família de super-irmãos vivendo no lugar deles. O que poderia ter acontecido?

Fazer quadrinhos é complicado. O tempo para escrever e desenhar são extremamente apertados. É mais complicado ainda quando você é o vocalista de uma banda conhecida no mundo todo, ou quando você assume a gerência de um selo de quadrinhos de uma das maiores editoras do mundo. 

Gerard Way viveu isso por mais de uma década e meia. As pausas entre um arco e o próximo da sua Umbrella Academy são grandes e, às vezes, parecem que nem vão mais sair. Mas quando saem, aliados com a arte do nosso Gabriel Bá, são explosivas, cheia de cores, inventivas e absurdas. Trazer isso para as telas é um trabalho muito complicado e cheio de escolhas complexas.

Para complicar um pouco mais, nos quadrinhos, seus personagens seguem apenas o que está escrito no papel. Eles não têm uma vida fora das páginas e todas suas descobertas sobre si mesmos, suas vontades, suas relações, famílias, tudo é descrito por palavras em um papel. Mas quando trazidos para uma tela de cinema ou de televisão, eles não são mais desenhos ou palavras em uma página. Eles são pessoas. 

Um exemplo prático disso aconteceu na série The Walking Dead, onde o personagem principal com participação durante toda a duração dos quadrinhos é interpretado pelo ator Andrew Lincoln. Depois de nove anos fazendo a série, o ator resolveu que queria ter mais tempo para outros projetos e deixou a série (com promessa de voltar para dar um fim digno ao seu personagem). 

Walking Dead também serve para mostrar como pequenas diferenças do material original fazem uma grande diferença com o tempo. Nos quadrinhos o personagem Daryl não existe. Ele só existe na série de televisão. Uma coisa pequena, mas que com o casting certo, fez toda a diferença. Hoje, não existe a série sem o Daryl.

Umbrella Academy também fez suas escolhas para a adaptação para série. Pequenas diferenças do material base que conforme o tempo vai passando, vão criando cada vez mais complicações e, nesta temporada, essas mudanças vieram mostrar toda a sua força. 

Nos quadrinhos, o terceiro encadernado fala do Hotel Oblivion, um hotel construído em um planeta distante que serve como prisão para sujeitos muito perigosos. Não havia necessidade de tentar incorporar isso à série, que poderia ter continuado com a história que havia proposto no final da segunda temporada.

 Para quem ainda não assistiu, o que eu posso dizer da terceira temporada é que tem momentos incríveis, tem muito desenvolvimento dos personagens a partir do que aconteceu com eles na segunda temporada, tem oportunidade de explorar mais personagens que não tiveram sua chance ainda e ainda sobra tempo para explorar o relacionamento entre os irmãos, desenvolver os poderes e se conhecer melhor. E sim, em se conhecer e se reconhecer melhor entra sim o Elliot Page. E é tratado de uma maneira muito direta, muito clara e resolutiva. Parabéns para a série.

Na temporada temos a chance de conhecer os Sparows, a nova família Hargreeves. Todos nascidos no mesmo evento que formou a Umbrella Academy, foram os novos escolhidos pelo Sir Reginald nesta linha temporal. Mas quais os poderes deles? Como é a química dessa família? E por que estamos numa nova linha temporal? Todas essas perguntas vão ser respondidas nesta temporada e, falaremos mais abertamente disso a partir de agora aqui também. Então, se você ainda não assistiu esta temporada, pare aqui, assiste e volte!

O primeiro episódio da nova temporada é super divertido, passando a conhecer os Sparows, o footlose, as brigas e a estranheza de personagens conhecidos agindo de maneiras inesperadas, tudo isso ajuda a preparar para o que parece ser uma ótima temporada. Mas o hype não se segura e a série começa a tropeçar e ter episódios mais arrastados. E aí entra um problema que a série criou para ela mesma. A segunda temporada foi em torno de viagem no tempo. Para não repetir a solução da temporada anterior eles complicaram esta. Entra a solução Oblivion.

Oblivion aqui é o outro lado do hotel em que eles estão ficando. É uma copia do hotel, com guardiões assassinos e uma maquina para resetar o mundo. O caminho para chegar lá passa por um plano intrincado do Reginald, que usa o que ele já sabe dos Umbrella e dos Sparows. E esse plano parece ter sido a ideia deste Reginald desde o começo. Algo para moldar a realidade como a seu bel prazer. Mas ele dependia de um grupo que conseguisse passar pelos guardiões e tivesse os poderes para serem usados pela máquina que reseta o mundo.

A série tem dificuldade em entregar um bom andamento aos episódios e ao dar muita importância a construção e melhora de algumas relações, apenas para voltar atrás próximo do final. O roteiro consegue amarrar essas mudanças no último episódio, mas não sem deixar a gente se sentindo um pouco enganado. Como a série deve voltar para uma quarta temporada e temos de esperar que a relação do Viktor com a Alisson e do Klaus com o Reginald, assim como a nova compreensão da extensão dos poderes do Klaus, possam ser exploradas nela. 

Além disso, muitos dos Sparows, não tiveram chance de serem mais bem aproveitados, o que poderia vir a acontecer também na próxima temporada, dando tempo para se entender melhor quem são e como poderiam ser. Para finalizar, a série passou a sair de uma destruição de mundo para outra. Para mim funciona, mas pode não funcionar para todos, ou ficar muito repetitivo. Seria bom termos chance de aprofundar os personagens sem estar o tempo todo correndo contra o tempo para o mundo não acabar.

Mas se por um lado nem tudo foram flores, por outro, coisas importantes puderam ser aprofundadas e melhoradas nesta terceira temporada. Não pode passar desapercebido o fato de finalmente terem revelado que o Sir Reginald é um alienígena. É algo que acontece relativamente cedo nos quadrinhos e que pode ter sido esperado até um momento com muito impacto para ser relevado na série. É algo que eu consigo entender bem não ter sido exposto logo de início. 

A série era bem mais centrada na nossa realidade como conhecemos. Os irmãos são pessoas reais, com relações reais e difíceis que, por acaso, acabam tendo super poderes. Eles já tinham de colocar um macaco que fala e vive como os seres humanos, uma robô que eles tratam como mãe e uma criança que na verdade é o mais velho de todos, preso no corpo infantil dele mesmo e dois assassinos que usam máscaras de desenho animado. 

Se fosse colocar um alienígena, um homem com cabeça de aquário que na verdade é o peixe fumante dentro deste aquário, uma torre Eiffel que cria vida e começa a matar a todos, seriam ingredientes demais que acabaria por afastar quem já não fosse acostumado com o universo. Fazendo com calma, puderam explorar melhor as opções e ir colocando aos poucos cada uma destas coisas em momentos chaves.

É também um universo muito bem construído, com ritmo e narrativas próprias que te fazem querer saber mais de cada um dos personagens. E além de contar com atores excelentes, eles estão cada vez mais à vontade com seus personagens e entregando atuações incríveis e que os deixarão marcados no imaginário popular. Além disso, para quem leu os quadrinhos, temos a chance de conhecer os personagens que aparecem no final do último arco que saiu da história. Os personagens que ali aparecem são os Sparows que vemos aqui. 

The Umbrella Academy. (L to R) Robert Sheehan as Klaus Hargreeves, Ritu Arya as Lila Pitts, Colm Feore as Reginald Hargreeves, Justin H. Min as Ben Hargreeves, Aidan Gallagher as Number Five in episode 309 of The Umbrella Academy. Cr. Courtesy Of Netflix © 2022


Talvez não sejam todos os que fazem parte e a série aproveitou essa posição para trazer o Ben de volta, provavelmente tirando a única personagem que conhecemos de nome nos quadrinhos, a Carla. É possível imaginar que os
Sparows ocupassem uma posição bem diferente nos quadrinhos, mas pelo menos aqui temos a chance de conhecer suas personalidades e poderes um pouco melhor.

É uma boa temporada, regada das esquisitices que aprendemos a adorar com a série, mas que sofreu por vir de duas temporadas excelentes e com um espaçamento entre elas por culpa da pandemia. No final, terminamos em uma nova linha temporal, onde, aparentemente, Sir Reginald Hargreeves a moldou para ser a grande força condutora do mundo ao lado da sua ex-falecida esposa. 

E, em uma linha temporal, em que os irmãos não tem seus poderes e temos dois Bem Hargreeves andando por aí. Mas como Sir Reginald poderia ter impedido o evento que deu poderes para eles? Ele saberia o que gerou este evento? Estamos adentrando em um terreno nunca antes descrito.

A série, em sua quarta temporada, passa de vez os quadrinhos que já saíram e começa a andar sobre suas próprias pernas. Com a volta do My Chemical Romance, ninguém sabe dizer se Gerard Way terá tempo de continuar produzindo o próximo arco dos quadrinhos e teremos de confiar nele, como produtor executivo, para passar as ideias que ele gostaria de desenvolver nos quadrinhos para as telas. 

Seria esta a hora ideal para deixar a série seguir sua própria trilha sem se importar com os quadrinhos? Se tivermos a quarta temporada (devemos ter), vamos descobrir todos juntos.


Mario Pugliesi
Tentando descobrir se dá para ir e voltar dos mortos em 13 segundos.

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