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My Chemical Romance em Milton Keynes no dia 21 de Maio de 2022

Um relato em primeira mão sobre o show do My Chemical Romance em Milton Keynes

Editorial

“Para nós valeu a pena esperar. Espero que a espera tenha valido a pena para vocês”  – Gerard Way, frontman do My Chemical Romance

Texto por: Amanda Bittencourt
Edição por: Gabriela Reis

Quero começar esse relato – que pretendo conduzir de forma muito pessoal a fim de transmitir os sentimentos que experimentei durante os shows do My Chemical Romance dos dias 21 e 22 de maio em Milton Keynes – contando um pouco da minha história com a banda.

O MCR entrou na minha vida há 16 anos. Nesse tempo se passaram muitas coisas, como é de se esperar, tanto na minha vida quanto na deles. Tive o privilégio de ir em alguns shows deles e de conhecê-los, vivi momentos que eu acreditava terem sido os últimos quando eles anunciaram sua separação. Também sei que muitas pessoas sequer tiveram uma chance, então apesar de ficar abalada com o término da banda, sempre fui grata por tudo que vivi.

Porém, como todos sabemos, a história teve uma reviravolta maravilhosa para nós. O MCR voltou e, com eles, a oportunidade de vê-los (ou revê-los) tocando juntos ao vivo. 

Desde que eles anunciaram a tour, eu já sabia que faria o possível e o impossível para ir em pelo menos um dos shows; eu moro na Europa, então realmente fica mais fácil viajar para algum dos países por onde eles estão passando com a tour. 

Assim, em janeiro de 2020, quando eles anunciaram o primeiro show no estádio de Milton Keynes, uma cidade a 74 quilômetros do centro de Londres, eu e minha melhor amiga (que conheci graças a eles há 16 anos atrás) colocamos nossos despertadores para ficarmos na fila online com o objetivo de comprar os ingressos. 

Depois de muito sufoco, consegui comprar dois ingressos VIP pro show. Horas depois, outras duas datas em Milton Keynes foram adicionadas à tour e os ingressos também esgotaram em poucos minutos. 

Com os ingressos comprados, iniciamos nossa contagem regressiva para o show. Era janeiro de 2020, os shows seriam em junho daquele mesmo ano. Cinco meses pareciam uma eternidade. Mal sabíamos que na realidade teríamos que esperar dois anos. Na verdade, mal sabíamos que tantas coisas horríveis aconteceriam no mundo nesses dois anos. 

Perdemos tantas pessoas e coisas que amávamos nesse meio tempo, que a ansiedade pro show se tornou algo pequeno. No meu caso, depois dos shows serem adiados também em 2021, comecei a acreditar que eles sequer ocorreriam. 

Porém, e desculpem o clichê, depois da tempestade o sol vem pela manhã. Foi o que aconteceu. As coisas começaram a melhorar, pelo menos no referente à pandemia, a situação foi amenizando e nossas vidas pouco a pouco parecem retornar à normalidade. 

Quando os shows foram anunciados pros dias 19, 21 e 22 de maio, decidimos comprar também o ingresso pro dia 22, já que a minha amiga viria do Brasil e, depois de tanto esforço (e haja esforço e dedicaç​​ão em todos os sentidos para que isso pudesse acontecer), teríamos que fazer valer a pena. Não podíamos ir no show do dia 19 já que a vida adulta e as responsabilidades não permitiam, porém nada nos impediria de estar lá nos dias 21 e 22. 

Agora que vocês já sabem um pouco mais do background dessa história, vamos aos shows!

MCR em Milton Keynes dia 21 de maio de 2022

Depois de uma autêntica odisseia, consegui chegar na cidade de Milton Keynes às 10:40 da manhã do dia 21 de maio. Digo “odisseia” porque demorei mais de 7 horas (entre avião, metrô, trem e ônibus) pra chegar na cidade. 

Quando finalmente consegui localizar a fila de entrada do ingresso VIP, havia cerca de 150 pessoas esperando para entrar. Graças ao tamanho do estádio (105 x 68 metros!), eu sabia que isso me garantiria estar praticamente na grade. Quando as portas abriram às 16:30 da tarde, os seguranças nos escoltaram para que a ordem da fila fosse respeitada (fiquei gratamente surpresa com o respeito mostrado por todos, nesse sentido). 

Sim, consegui ficar praticamente na grade. Apenas uma pessoa me separava da grade, pra ser mais precisa. Naquele momento, estava tão emocionada que o fato de que teria de aguentar a pressão física de aproximadamente 20.000 pessoas contra mim sequer me amedrontava (e eu tenho fobia de multidões, vale salientar). 

A nossa espera era amenizada – ou pelo menos ele tentava – por um DJ que tocava clássicos do pop e do rock dos anos 2000 como “Gives You Hell” do The All-American Rejects, “American Idiot” do Green Day, “Hollaback Girl” da Gwen Stefani, entre outros hinos da época. 

Às 17:30 a primeira banda de abertura começou a tocar. Tratava-se da cantora britânica de electropop Cassyette com sua banda; não a conhecia mas gostei logo de cara, ela é uma excelente performer e faz uns guturais pra ninguém botar defeito. Depois de Cassyette, foi a vez de Barns Courtney; ao contrário de Cassyette, já tinha ouvido algumas músicas do Barns e ao vivo eu gostei ainda mais do som dele (além dele ser um verdadeiro showman no palco). 

Chegou a vez de Placebo. Eu estava muito ansiosa para vê-los também, já que gosto da banda há muitos anos. Placebo dispensa apresentações; eles são incríveis ao vivo e o repertório escolhido foi impecável, na minha opinião. Eles tocaram 13 músicas e quando a última – ”Infra-red” – chegou ao fim e Brian Molko se despediu da multidão, o frio na barriga começou a se apoderar de todos nós. Àquela altura, várias pessoas já tinham passado mal e foram retiradas da platéia; fazia bastante calor e já era quase impossível manter os pés no chão. 

O DJ voltou a entrar em cena até que as músicas tocadas começaram a se misturar com um som de fundo. Uma espécie de chiado invadiu o ar, instalando-se por todo o estádio durante quase 10 minutos; o DJ se despediu, dessa vez pra valer. 

Muitos reconhecemos aquele chiado: pertencia ao começo de “Foundations of Decay”. Como não poderia ser diferente, gritamos. Muito. Milhares e milhares de pessoas clamavam “MCR! MCR!” em uníssono. Ali eu fiquei arrepiada como há muito tempo eu não ficava; eu consegui acreditar que tudo aquilo era real, que estava acontecendo, que éramos todos um só naquele preciso momento. 

Depois do que pareceu ser uma eternidade, eles entraram no palco acenando em todas as direções. Durante a parte inicial da música, se posicionaram calmamente no palco, correndo o olhar para o estádio lotado. 

Após “brincar” com o sintetizador (o que parece ser algo que parece ser corriqueiro ultimamente), Gerard cruzou os braços por um momento e olhou em todas as direções, assentindo lentamente como se estivesse sendo consciente naquele exato momento da quantidade de pessoas que, com – e apesar de – quaisquer que fossem suas circunstâncias, estavam lá para vê-los. 

Quando Gerard começou a cantar, uma grande parte da multidão o acompanhou apesar da música ter sido lançada há pouco tempo. A segunda música da noite foi “I’m Not Okay”; a multidão foi ao delírio, como não poderia ser de outra forma. 

Como dado curioso, observei que até alguns dos seguranças que estavam à frente da grade cantarolavam a música. 

Quando “I’m Not Okay” terminou, Gerard conversou conosco como de costume. Agradeceu por termos esperado tanto tempo pelos shows e fez uma piada sobre a nossa demora em chegar ao estádio; Frank aproveitou a deixa e disse “foi o tráfego”. 

Seguindo com o Revenge, chegou a vez de “Give’Em Hell, Kid”. Nessa hora, já era impossível manter os pés no chão, devido à empolgação do público (e não era pra menos, convenhamos). Gerard até comentou sobre o comportamento da multidão, dizendo que há 10 anos atrás o pessoal em UK era mais “tranquilo” e que por nossa agitação parecia que naquele momento ele estava em “the fucking (New) Jersey”. 

O Conventional Weapons entrou em cena com “Make Room!!!!”. A próxima música da noite foi Summertime; como no dia 19, todos ligaram as lanternas de seus celulares e os ergueram, iluminando todo o espaço que já começava a escurecer. 

Seguindo com o Danger Days – e pela primeira vez ao vivo desde 2011! – tocaram “Bulletproof Heart“ e Gerard comentou antes de começar a cantar que a música inicialmente se chamaria “Trans Am” (para quem não lembra, é o nome do carro dos killjoys). Acredito que muitas pessoas não sabiam disso, por isso quando a (suposta) setlist do show do dia 19 vazou, houve certa dúvida em relação a que música seria “Trans Am”. 

A primeira música do The Black Parade que tocaram foi “This is How I Disappear”. Antes da música, Gerard falou no microfone com uma entonação à la Darth Vader (ele fez isso várias vezes) e contou porquê estava tão obcecado por “ratos” (sim, ele está). Disse que um fã num show anterior tinha gritado “rats (ratos)” pra ele várias vezes e que ele ficou profundamente inspirado por esse fato.  

Voltamos ao Revenge com “Prison”, em seguida veio “Na Na Na”. A multidão se descontrolou tanto nesse momento ––e acredito que os que estávamos na frente éramos a viva face do desespero, porque mal dava pra respirar––, que depois da música Gerard e Frank pediram pras pessoas darem um passo pra trás porque nós da grade estávamos sendo realmente muito apertados. Tive que ir pra trás nesse momento, porque estava impossível ficar lá. Aí consegui aproveitar melhor o resto do show. 

Se tem uma música que ouvir ao vivo é uma experiência totalmente diferente é “Famous Last Words”. Dificilmente eu consiga encontrar palavras pra explicar exatamente o porquê; acho que é questão de sentir. Acredito que tenha a ver com a energia concentrada de milhares de vozes que entoavam em uníssono: 

“Cause I see you lying next to me
With words I thought I’d never speak
Awake and unafraid, asleep or dead”

Mal deu pra se recuperar da emoção de “Famous”, porque em seguida veio uma das melhores músicas do Conventional Weapons: “Surrender the Night”

Depois de “Teenagers” e “Destroya”, o Bullets finalmente fez ato de presença com “Our Lady Of Sorrows” (infelizmente foi a única música do Bullets presente na setlist desse dia). 

Antes de começar “Vampire Money”,  Gerard interagiu um pouco mais com o público. “Vocês sabem como começa essa música? Quero que todos gritem ‘Você está pronto, Ray? (Ray: yeah!), e você Frank (Frank: wowowow) e você, Michael James Way? (Mikey: pronto pra c*ralho!)”. 

O show se aproximava do final com “Thank You For the Venom”  e “Mama”. Também perto do final, Gerard disse:

“Para nós valeu a pena esperar. Espero que a espera tenha valido a pena para vocês”

Valeu, G. Realmente valeu muito a pena.

“Welcome to the Black Parade” fez com que todos erguêssemos os punhos no ar de forma sincronizada, como a army que somos. Que sempre fomos, afinal,  apesar do hiatus da banda. 

“Sleep”  fechou – aparentemente – o show; o público pediu para tocarem outra e eles o fizeram. Sabíamos, é claro, que isso ocorreria, já que faltava “Helena”. Mas antes do single que os consagrou ao sucesso, “Boy Division” (outra música que ao vivo tem uma “magia” especial)  trouxe um frescor para o bis. 

E chegou “Helena”. Olhei ao meu redor por um momento e me deparei com várias pessoas que, assim como eu, estavam emocionadas. Algumas ouviam de olhos fechados, outras levavam a mão ao peito e cantavam com todas as forças essa música tão cheia de significado, tão especial na trajetória da banda. 

So long and goodnight. Eles se despediram de nós. 

O sentimento pós-show é tão agridoce. A gente sente saudade imediata daquilo que acabou de viver. Porém, meu consolo naquele dia foi saber que eu ainda viveria a experiência do show do dia 22. E que experiência, porque na minha opinião, o segundo dia conseguiu ser ainda melhor que o primeiro.

Em breve vocês poderão ler aqui a resenha deste segundo dia tão especial. Muito obrigada por me acompanharem nessa montanha-russa de emoções que foi reviver todos esses momentos. 

Espero ter conseguido fazer vocês sentirem pelo menos um pouco de tudo de bom que eu senti. 

Look alive, soldiers

xx
A.B.

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