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CONVENTIONAL WEAPONS: Especial faixa a faixa

Resenha

Hoje, 5 de fevereiro, fazem 9 anos que os singles do “Number five”, foram lançados. É o último de uma coleção de 10 músicas chamadas “Conventional Weapons”, distribuídas entre outubro de 2012 e fevereiro de 2013. Mesmo não sendo um lançamento oficial como disco, muitos dos fãs do My Chemical Romance consideram “CW” uma obra prima da banda. Hoje, o Fake Your Death vem contar para vocês a história dele. 

Texto por: Malena Wilbert

Edição por: Marina Tonelli 

Para contar a história do Conventional Weapons, precisamos voltar até 2009: quando o My Chemical Romance terminou a turnê do celebrado The Black Parade (2006), eles estavam exaustos. Não era apenas o peso óbvio de uma turnê mundial, mas também o de carregar pacientes terminais, fantasmas e outros conceitos bastante sombrios de palco em palco, todas as noites. Depois da experiência, a banda sentiu que era hora de fazer algo diferente: “Estávamos pensando no que havíamos feito antes no The Black Parade e no preço que isso nos custou. Então nós meio que dissemos, `Ok, não vamos fazer isso desta vez, vamos fazer algo totalmente diferente”,  como Frank Iero contou para a Guitar World. Na mesma entrevista, Ray Toro faz um desabafo semelhante: “Ser essa banda fantasiada de preto noite após noite, país após país, foi uma rotina. Começamos a ver The Black Parade como o inimigo, um que queríamos matar em nosso próximo disco.”

 

Pin on My Chemical RomanceProcurando por alguém que os ajudasse a fugir dos fantasmas do TBP, se afastando de conceitos tão elaborados para criar algo mais cru e visceral, a primeira escolha como produtor foi Brendan O’Brien – conhecido por já ter trabalhado com gigantes como Pearl Jam, Rage Against the Machine e Bruce Springsteen. Em conjunto com a banda, O’Brien definiu que esse seria um disco sem conceitos ou figurinos, apenas música. 

Discos com a mão de Brendan O'Brien

Alguns dos discos produzidos por Brendan O’Brien

Teoricamente, deveria ter sido um processo criativo mais livre, tranquilo e fácil, sem a pressão adicional de um conceito.

 

Teoricamente.

 

Na prática, Ray Toro e Frank Iero descrevem o processo de criação do CW como exaustivo e frustrante:  “Depois de um tempo, começou a parecer que eu estava indo contra a minha natureza. As coisas simplesmente não pareciam como deveriam”, Ray explicou. 

 

Frank Iero concorda, e vai além: “Ouvimos o que havíamos feito e definitivamente alcançamos o objetivo, mas não parecia certo; parecia que tínhamos amarrado os braços atrás das costas. Nós não tínhamos empurrado as coisas para o próximo nível. Então, enquanto estávamos mixando, pensamos que tínhamos algo mais a dizer – muito mais a dizer, na verdade.” Por esse motivo, as faixas gravadas foram descartadas – uma decisão difícil e cara  – e o My Chemical Romance voltou aos braços de Rob Cavallo – que produziu o TBP – para criar Danger Days. Bem, mas isso é outra história. 

 

 Voltando ao nosso tema de hoje, por quatro anos, a maior parte do trabalho feito durante o ano de 2009 com Brendan O’Brien ficou guardado enquanto o My Chemical gravava e fazia a turnê do Danger Days. Algumas faixas como “Bulletproof Heart”, “Party Poison” e “The Only Hope for Me Is You” são reaproveitamentos dessas sessões, mas o restante só começou a ser divulgado para o mundo em 2012.

 

Foi por meio de uma postagem de Frank Iero no site oficial da banda que os fãs ficaram sabendo da existência dessas dez faixas arquivadas. No dia 14 de setembro de 2012, Iero escreveu:Recentemente tivemos uma reunião da banda, acabamos conversando sobre o passado, e juntos ouvimos aquelas músicas que criamos há quase 4 anos. Discutimos como essas músicas nos fizeram sentir, como elas nos levaram para onde estamos agora e qual deveria ser o destino dessas músicas. Como podemos seguir em frente se continuamos a esconder o passado? Juntos, decidimos que este capítulo na história do My Chemical Romance não precisava mais ser trancado.” Abrindo seu coração, o guitarrista ainda completou: “Para acabar com o equívoco, não acho que as músicas que escrevemos antes de Danger Days sejam músicas ruins de forma alguma. Na verdade, eu meio que acho que alguns deles estão entre os meus favoritos que já escrevemos. Muitos deles são meio loucos… eles simplesmente foram criados no lugar errado, na hora errada, e nós, como seus pais, não estávamos prontos para criá-los ainda… e então eles se sentaram e esperaram.”

 

Então, durante os próximos cinco meses, o My Chemical Romance disponibilizou  2 músicas por mês, completando as 10 faixas do agregado “Conventional Weapons”.  Como sabemos, seria o último lançamento (até agora), que os fãs poderiam aproveitar. Em março, um mês depois do último single ser lançado, a banda anunciou seu fim. 

 

Em um artigo de cultura do jornal The Atlantic, o jornalista Brad Nelson observou que a decisão de finalmente deixar essas faixas saírem dos armários da gravadora não foi sem significado: “Conventional Weapons pode ser visto como uma forma de limpar a casa […] resumia o que tornava a banda ótima .O disco foi o tipo de retorno à crueza que é muito auto consciente para alcançar uma qualidade bruta, e acaba se estabelecendo em outro lugar, entre o punk básico e o teatro amplificado do glam: imagine uma formação do The Damned onde cada membro é David Bowie e Mick Ronson. Essa mistura foi o núcleo do apelo do My Chemical Romance, mesmo quando a banda se reinventou várias vezes, disco após disco, demolindo as convenções dos dois gêneros e construindo músicas pop a partir dos escombros”.

 

Fato é que assim como Frank escreveu no site da banda, não tem nada de ruim nas faixas do CW. Ele parece ter sido bastante assertivo quanto ao sentimento: eram as músicas certas, na época errada, e, em retrospecto, não são nada além de brilhantes. Como conjunto, funcionam perfeitamente (tanto, que não parece ter sentido que tenham sido desmembradas). 

 

NUMBER ONE: 30 de outubro de 2012

Liberado na véspera do Halloween (uma data bastante emblemática para o MCR), as duas primeiras faixas do CW são “Boy Division”“Tomorrow Money”. Apesar de nunca terem manifestado nenhum pensamento nessa direção, é interessante se observarmos que as faixas de abertura do CW tem a mesma energia caótica e desesperançosa que o disco de estréia da banda, I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love (2002). É como se os meninos que estavam naquele porão em 2002 tivessem crescido e ficado mais estilosos, e mais seguros de si, e mais selvagens. É muito menos romântico e muito mais existencial, só que, de alguma forma, lembra muito a gênese do My Chemical Romance. Eles ainda estão com raiva, 10 anos depois. 

 

 

NUMBER TWO: 23 de novembro de 2012

“Ambulance” é uma faixa rápida, e é impossível não lembrar do b-side “Emily”, de Living With Ghosts (2016).  É bastante urgente e angustiada (como todas as músicas do CW), e tem um refrão contagiante. Seu par, “Gun”, pode ser, em seu conceito, liricamente comparada  ao single “Teenagers”, porém muito mais sofisticada. É o tipo de música que te faria suar de pular em um show, e destruir sua garganta no processo. É sombria, porém, absolutamente cativante, e os vocais de Gerard são uma versão evoluída dos seus gritos na era Bullets. 

 

NUMBER THREE: 18 de dezembro de 2012

 

Se no Bullets (2002) e no Revenge (2004) o amor era trágico e desesperado, as duas músicas do number Three, “The World is Ugly” e “The Light Behind Your Eyes”, são o completo oposto. Ainda que falem de um amor absurdamente intenso e sejam até mesmo opressoras emocionalmente, aqui podemos ver uma versão muito mais madura do amor. São duas faixas emocionalmente potentes, com um forte apelo romântico, mas ao mesmo tempo são uma calmaria. É um coração partido, porém, aquecido das melhores formas. Considerando que“The Light Behind Your Eyes” é dedicada à filha de Gerard Way, Bandit Lee Way, faz todo o sentido que seja um amor muito mais terno e idílico. 

 

 

NUMBER FOUR : 8 de janeiro de 2013

Number four é exigente. Ele é rápido e abrasivo, começando com a selvagem “Kiss The Ring”, que é enérgica do início ao fim, e seguida da sexy e potente “Make Room!!!!”, que merecia ainda mais pontos de exclamação no título da faixa. São duas músicas com muita influência punk, absolutamente brilhantes e enérgicas. Combinam muito com as duas de “Number One”, e pode ter sido uma decisão inteligente intercalar com as delicadas  e tenras “The World is Ugly” eThe Light Behind Your Eyes”. Em retrospecto, ouvindo as faixas em sequência, é uma água gelada no rosto para recuperar sua atitude. 

NUMBER FIVE: 5 de fevereiro de 2013

Quando falam de deixar a melhor parte para depois, isso pode ser levado a sério no CW.  Embora todas as faixas sejam brilhantes, “Surrender the Night” e “Burn Bright” tem uma potência inexplicável. São passionais, e trazem um equilíbrio quase inacreditável entre a suavidade e aspereza. É como se apaixonar.

Surrender the Night” não é nada além de corajosa  – tanto liricamente quanto no ritmo. É o grito de alguém que está indo em busca do que quer – sabendo das consequências e dos colaterais. É de alguém que oferece seu coração, acordado e sem medo. “Burn Bright” é o final que honra o Conventional Weapons: é tão madura quanto desesperada. Pois não são coisas que se excluem. É tocante, visceral e arde como uma queimadura, aquece como um cobertor. 

Como uma fã incondicional do CW, a redatora que vós fala sente que não consegue fazer jus à potencia dessas dez músicas. Parece difícil acreditar que essas faixas tão brilhantes foram descartadas como lançamento oficial, mas, como Frank Iero disse, as coisas têm seu tempo. Quase uma década depois (mais, se considerarmos o ano em que foram gravadas), o Conventional Weapons parece tão atual quanto nunca: vale a pena dar uma olhada em todas as letras e traduções, uma mistura muito interessante entre os conflitos do mundo e os nossos internos. 

 

Eu fico por aqui, desejando que todos vocês estejam bem. 

 

Give Em Hell, Kid.

Beijos, MW. 

 

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