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PAUTA DOS LEITORES #10: Por dentro da Young Animal: conheça mais sobre as HQs do selo de Gerard Way na DC

Pauta dos Leitores

Vocês pediram, o Fake Your Death trouxe: um mergulho no Universo da Young Animal, selo liderado por Gerard Way na DC Comics. 

Texto por: Malena Wilbert
Revisão por: Amanda Bittencourt

Considerada uma das maiores empresas da indústria do entretenimento, a DC Comics é um braço do gigante conglomerado Warner Media. Foi fundada em 1943 com o nome National Allied Publications, e mais tarde foi criando um amálgama com outras editoras até se tornar o que é hoje, detentora de personagens icônicos como o Batman, Superman e Mulher Maravilha. Atualmente, a DC faz seus lançamentos com diversos selos – que funcionam como editoriais para segmentação de temáticas e público. Entre eles está o nosso assunto de hoje: Young Animal. 

O selo foi lançado no final de 2016 com a proposta de ser a casa de HQ’S para um público mais maduro, incluindo releituras do finado Vertigo. Na direção, alguém que o público do Fake Your Death conhece bem: Gerard Way.

A relação de Gerard Way com os quadrinhos não é novidade, e inclusive já temos matéria sobre isso aqui. Quando foi convidado para comandar a Young Animal sua experiência já era considerável. Ele publicou seu primeiro quadrinho aos 16 anos, On Raven’s Wings. Mais tarde, se formou na Escola de Artes Visuais de Nova York, e até já tinha feito estágio na  DC Comics. Naquela época, ele também já havia lançado os primeiros volumes do sucesso The Umbrella Academy (2007).

Afastado da música (ele já tinha finalizado a turnê do seu disco solo Hesitant Alien e, embora ainda escrevesse, “não tinha planos para música”), era a época perfeita para que ele se dedicasse integralmente aos quadrinhos. Além de ajudar a conceber o conceito do selo Young Animal, Gerard também assumiu as funções de editar, dirigir a arte e ajudar a montar equipes, dando orientações ao restante das pessoas. Não bastasse tudo isso, ele também é o autor de algumas das obras. 

Era um plano antigo, como ele contou em uma entrevista para Andrew Wheeler, mas nunca estava no momento certo. Em 2016, diferentemente, ele sentiu que precisa expressar sua criatividade de outras formas que não fosse musicalmente “Você fica preso em um ciclo em algum ponto, então eu quebrei o ciclo e decidi; vou realmente escrever muitos livros, porque preciso entrar em contato com essa parte de mim mesmo para fazer mais música”.

Em sua primeira entrevista sobre o tema, para a revista Rolling Stone, Gerard explicou porque estava chamando o conteúdo da Young Animal de “quadrinhos para humanos perigosos”: “Além de soar extremamente legal para mim, gostaria de pensar que os quadrinhos existem para pessoas que querem algo diferente ou gostariam de interpretações de leitores maduros sobre personagens DCU. Também está lá para pessoas que normalmente não gostam de quadrinhos de super-heróis.”

Faz todo o sentido, considerando que, como já falamos anteriormente, o Young Animal é um selo voltado para o público adulto, com enredos mais complexos e angustiantes do que aqueles comumente associados normalmente à DC. Por esse motivo, chegou a ser comparado com outro selo irmão, o Vertigo, nascido nos anos 1990 e extinto em 2020.  Na verdade, duas das HQ’s lançadas pela Young Animal são versões revitalizadas de lançamentos da primeira geração da Vertigo. Mas, para à Comics Alliance, Gerard explicou que embora as duas tenham propostas parecidas, as ideias concebidas para a Young Animal não poderiam ter sido amalgamadas no Vertigo “isso teria sido um passo para trás para a Vertigo, mas para algo novo [a Young Animal]  é um passo à frente”.  

 

O site especializado Comic Vine definiu a linha editorial como “em algum lugar entre DC [os clássicos como Superman] e Vertigo”. Considerando que Gerard sempre assumiu ser um grande fã da Vertigo, liderar a releitura dos seus clássicos pode ser considerado uma grande responsabilidade: “Vertigo é o que eu cresci com – obviamente eu cresci com as coisas de super-heróis também, mas uma vez que Vertigo estava acontecendo, isso realmente mudou tudo para mim. Isso realmente ajudou a me moldar, quem eu era, meus gostos, e se encaixou em toda a música punk que eu ouvia e todas aquelas coisas”. Outro ponto também adicionava um peso gigante nos ombros de Way: ele iria trabalhar nos clássicos de alguém que admira muito, Grant Morrison. “Eu estava tão fortemente conectado a isso quando adolescente, significava muito para mim. Foi uma daquelas constantes na minha vida que eu sempre voltei e isso sempre me inspirou. E então, desenvolvendo um relacionamento pessoal muito próximo com Grant… Sempre me deu conselhos, e podemos criar coisas juntos, e é muito divertido, e eu me senti digno porque Grant sentiu que eu era digno!”.

 

 Na mesma entrevista para A Comics Alliance, Way contou uma curiosidade interessante para nós, fãs brasileiros: de certa forma, a Young Animal nasceu (pelo menos no campo das ideias) em solo brasileiro, durante a Brazilian Comic Com. 

Gerard estava jantando todas as noites com dois editores da DC, e entre as conversas ele expressou sua vontade de escrever mais. Quando Jim, um dos editores, sugeriu o selo, ele disse que ia pensar. Uma semana depois fez uma ligação aceitando a empreitada, já com o nome decidido (Way contou que Young Animal seria um possível nome para seu segundo disco solo) e ideias para executar. 

Então, em setembro de 2016, a Young Animal foi oficialmente lançada. No site da DC, sua descrição é a seguinte: “Young Animal é um selo empolgante conduzido pela mente criativa de Gerard Way e produzida por algumas das mentes mais destemidas dos quadrinhos. Isso é algo diferente, inspirado no trabalho visionário do passado experimental da DC, mas moldado e focado no absurdo de hoje”.

O projeto, para Gerard, era algo a longo prazo: “Estou mais velho agora, então não tenho que fazer turnês tanto quanto antes. É algo que quero manter em minha vida até terminar ou ser demitido”. Em 2018, infelizmente, houve um hiato. A 12ª edição da série Doom Patrol estava atrasada, sendo vendida apenas no outubro seguinte, em 2019, ano que a Young Animal retornou com dois novos títulos. 

Ao total, são oito HQ’s lançadas pelo selo: eis um resumo delas.

 

Shade, the Changing Girl:

Escrita por Cecil Castellucci, desenhada por Marley Zarcone e supervisionada por Gerard Way.

 

O veículo especializado em HQ’S Monkeys Fighting Robots definiu Shade como “uma narrativa emocionalmente sincera, única, psicodélica e linda sobre crescer e aprender a abraçar as pessoas que estão ao seu lado. Este é um dos quadrinhos mais visualmente únicos da última década, e é uma experiência linda do começo ao fim”.

 

Criada originalmente por  Steve Ditko e Peter Milligan, na versão da Young Animal quem assumiu foi Cecil Castellucci. Shade conta a história de uma menina alienígena que possui corpo humano. Sua aventura é navegar pela humanidade e o ensino médio, entendendo como funciona a terra. 

 

Escrita em 2016, ano em que o republicano Donald Trump assumiu a presidência dos EUA, um dos aspectos da série foi a influência do clima conservador que se instaurava no país: em uma entrevista para Marc Buxton, Cecil contou que a HQ explora, também, a propriedade sobre os corpos femininos “Agora temos uma situação em nosso país onde eles querem regulamentar o corpo das mulheres, e temos essa personagem que está tentando se apropriar de seu próprio corpo. Isso é uma coisa complicada. Quando você está escrevendo um livro sobre a loucura, não pode deixar de ser influenciado pelo mundo ao seu redor. Não importa se foi antes de 2017 ou depois de 2017, sempre há loucura no mundo. Para Shade, queremos ter certeza de que estamos prestando atenção e conversando sobre o que está acontecendo no mundo real. Mas, ao mesmo tempo, estamos fazendo nossas próprias coisas”.

 

Mother Panic:

O Mother Panic original foi criado por Gerard Way e pelo ilustrador Tommy Lee Edwards para o selo. Depois,  a escritora Jody Houser foi contratada para assumir e aprofundar ainda mais a personagem. Para a Hollywood Reporter, Houser contou que “Apenas saber que Gerard Way estava fazendo um selo na DC Comics foi o suficiente para me trazer a bordo. Eu sabia sobre o trabalho dele nos quadrinhos e achei muito legal – ele é um vencedor do Eisner, afinal. Foi uma oportunidade de ajudar a DC a reintroduzir personagens antigos e trazer alguns novos e parecia uma grande coisa para entrar no piso térreo”.

A história acontece em uma Gotham City futurista, onde o Cavaleiro das Trevas, Batman, está desaparecido há anos. A cidade se tornou um inferno como resultado. 

Bastante sombria, Mother Panic se passa num núcleo burguês e problemático da cidade. Muitas festas, artigos luxuosos e uma protagonista feminina, Jodi Edwards, caçadora de recompensas que veste um terno mágico chamado “Hunter Panic”. Embora Batman e Coringa não apareçam nessa realidade, quem faz uma participação especial é   Harley Quinn.

Para a Collider, Gerard disse que vê  Jodi  como “uma versão realmente diferente de um vigilante de Gotham”. 

Doom Patrol:

Doom Patrol foi lançada pela Vertigo em 1989, sob o comando de ninguém mais ninguém menos que Grant Morisson. Em 2019, transformou-se em série.

 

https://www.youtube.com/watch?v=6tTM9nbRk5A&ab_channel=DC 

Doom Patrol tem uma proposta parecida com Watchmen, embora menos sombria (só que ainda adoravelmente esquisita). Um grupo de super-heróis nada perfeitinhos, distantes de figuras como Superman ou Batman, que lutam também contra seus próprios demônios. Para a Comics Beat,  Gerard os descreveu como “os super-heróis mais estranhos do mundo”.

Bug: The Adventures of Forager:

A primeira aparição do protagonista Bug no Universo DC foi em 1972, lançado pelo selo Vertigo. Hoje, quem está no comando são os irmãos Michael e Lee Allred, além da esposa de Michael, Laura Allred.  Bug é um morador do fictício New Genesis, que junto com seu povo vive em colônias abaixo da superfície desse planeta. Ele tem força, reflexos, velocidade e habilidade de salto sobre-humanos, junto com seu escudo, luvas e botas que o permitem grudar em paredes.

 Para a Big Comic Page, Gerard, que faz a direção e curadoria, comentou que essa versão “apresenta um olhar alternativo sobre um personagem do passado que ainda tem algumas pedras sobre pedra em sua história”. Ele não deixou de elogiar o trabalho dos colegas “o tipo de selvagem e estranho dos Allred se encaixa perfeitamente com o que estamos fazendo e, de certa forma, inspirou vários aspectos do selo [Young Animal]  – então, só faz sentido trazê-los para fazer o que fazem melhor” .

Eternity Girl:

Além de várias mulheres envolvidas na criação, também não faltam personagens femininos na Young Animal. O selo também não tem medo de apostar em assuntos complexos, como saúde mental. A protagonista de Eternity Girl é Caroline Sharp, uma garota com superpoderes e gravemente deprimida.

Olívia Ho, em uma crítica para o The Straits Times, descreveu como “uma abordagem sensível dos problemas de saúde mental em uma escala superpoderosa”.

 

Magdalene Visaggio – duas vezes indicada ao Eisner e responsável pela versão, buscou inspiração nos seus próprios momentos pessoais: “Não é por acaso que eu queria escrever sobre depressão; desenvolvi o conceito básico durante um período em que meu casamento e meu emprego estavam em total colapso, e eu estava em um dos meus pontos mais baixos. Então, fazer uma história sobre depressão que tentasse se concentrar em encontrar um motivo para continuar foi realmente catártico para mim”.

 

Far Sector:

Far Sector não é uma história em quadrinhos convencional. Na sua resenha, a Sci Pulse explica isso dizendo que “Não existe um grande vilão. Sem mortes de personagens principais. No mínimo, os quadrinhos fazem suas próprias coisas e chegam aos vários pontos da trama de que precisam por meios alternativos”. Mas não foi por isso que a publicação deixou de elogiar a HQ, descrevendo como “A equipe de criação deve se orgulhar do que fez aqui, porque sinto que este livro vai estar no mesmo nível de clássicos como Watchmen e Batman: The Dark Knight Returns quando se trata de quadrinhos.”

Em nova trilogia, N.K. Jemisin aborda ameaça a cidades e combate a discriminação

Uma releitura do clássico Lanterna Verde,  a HQ apresenta a primeira lanterna feminina, uma afro-americana chamada Sojourner “Jo” Mullein. Outra mulher no comando: N. K. Jemisin, que  aborda temas como opressão, conflitos culturais e racismo. 

 

Collapser:

Collapser, é  co-escrita por Mikey Way e Shaun Simon e ilustrada por Ilias Kyriazis. Nós temos uma tradução completa aqui no Fake Your Death sobre a paixão de Mikey pelos quadrinhos.

Em um especial da Alt Press antes do lançamento, Mikey  contou que “É [sobre] um garoto de vinte e poucos anos chamado Liam James que está preso entre as responsabilidades do mundo real e seus sonhos e aspirações de se tornar um DJ de renome mundial. Ele acorda um dia e tem uma grande responsabilidade [porque] sua mãe deixa algo para ele … Ele obtém poderes sobrenaturais e abre sua cidade para se tornar um cenário de guerra para uma corrida armamentista intergaláctica que gira em torno dele”.

Você pode conferir a entrevista completa abaixo.

https://youtu.be/Z2A9xAHYUyI

Mikey Way sempre foi honesto quanto a sua saúde mental, e não foi diferente em Collapser, pois o assunto foi abordado na HQ.  Shaun Simon, co-escritor, falou sobre isso em uma entrevista para a Screen Rant: “Mikey e eu sofremos de ansiedade. Níveis diferentes, talvez. E nós realmente queremos atingir esse objetivo e ter certeza de dar uma voz à sua ansiedade. Certifique-se de que estamos dando às pessoas algo real, e que elas possam se identificar”.

 

Milk Wars:

De Steve Orlando e Gerard Way, Milk Wars  é um crossover entre a Liga da Justiça  da América (Justiça da América não é a versão tradicional de Liga da Justiça. Fiel a proposta da Young Animal, essa versão conta com personagens desajustados, criminosos reformados, reunidos pelo Batman). Para a Polygon é uma história “Impossível de descrever, fácil de recomendar”

 

Em uma entrevista para Jeffrey Renaud, Steve Orlando comentou que o principal apelo da série é a realidade dos personagens, imperfeitos, como qualquer pessoa “Em primeiro lugar, de alguma forma, somos todos esquisitos. Desde o início de Doom Patrol e honestamente, [minha] Liga da Justiça da América , também, tem mostrado que as pessoas comuns estão bem. Mais do que isso, as pessoas comuns também podem ser fantásticas. A Liga da Justiça da América foi formada para dizer que quando você vê super-heróis, você pode se sentir desconectado deles, mas desta vez a Liga da Justiça da América representa a todos. Somos uma equipe e estamos todos nisso. E isso era algo muito importante para eles e para mim”.

 

Em síntese, a Young Animal cumpriu a promessa de ler um selo voltado a um público mais adulto. Mais do que isso, não se omitiu em temas complexos – como racismo, saúde mental e até feminismo. Com um time diverso e competente ajudando Gerard na execução das HQ’s, fez jus a sua maior inspiração, a Vertigo, se posicionando não só como uma substituta ou “filha”, mas como a versão do século XXI de heróis (e anti heróis) ofuscados pela perfeição imaculada do super homem.

 E você? Já leu alguma dessas HQ’s, ou estão na lista? Não deixe de contar pra gente nos comentários!

 

Stay safe and Stay Sane.
MW.

 

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