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ESPECIAL FRANK IERO #1: Frank Iero e os figurinos que marcaram uma geração

Entrevistas

Tradução: Ariane Santana
Revisão: Marina Tonelli

O mês de outubro é dedicado a tudo de mais dark: abóboras, morcegos, esqueletos, e, é claro, o aniversariante do mês, Frank Iero. O pontapé inicial do nosso especial para o guitarrista é a tradução de uma entrevista à Altpress concedida em maio de 2021 para Paige Owens, onde Frank fala um pouco do visual de seus projetos solos e de como os figurinos do MCR são reinventados por fãs até hoje, uma verdadeira honra para toda a banda.

Confira a tradução na íntegra abaixo:

“Frank Iero ama que os fãs se vistam como o My Chemical Romance anos depois”

Iero nunca quis intencionalmente ditar a moda – ele apenas o fez.

Quando o Frank Iero se introduziu na cena hardcore e punk de New Jersey, a única coisa em sua mente era criar algo barulhento e rebelde no palco. Usando camisetas sujas de banda, cabelo descolorido em casa e uma atitude “foda-se”, Iero se dedicou inflexivelmente a criar uma onda sonora até encontrar a interseção entre música e moda.

Depois de se juntar a Mikey e Gerard Way e Ray Toro no My Chemical Romance, o grupo destacou os cruzamentos entre seu som punk-rock e a grandiosa estética Living Dead Doll do Three Cheers for Sweet Revenge. Durante seus anos juntos, o My Chem encorajou a criação de música e visuais perfeitamente entrelaçados um com o outro. Mas durante as aventuras de Iero em sua jornada solo, ele foi capaz de recuperar suas raízes e entregar sua alma e seu coração ao seu ofício, mesmo que estivesse usando só um moletom no palco.

 

Obviamente, o My Chem tinha uma estética e um visual sólidos que acompanhavam cada disco. Mas além de quando você trabalhou com eles, os seus outros projetos demandavam ideias extremas e meticulosamente planejadas para o que você vestiria no palco?
F: Honestamente, sobre as outras coisas, acho que depois do The Black Parade e do Danger Days, eu queria me afastar disso o máximo possível. Então uma grande parte de mim queria que isso fosse removido desse aspecto, de entrar no palco em uma fantasia e realmente contar uma história sólida no disco. Eu queria que fosse mais espontâneo, eu acho.

Especialmente quando você começou a fazer suas coisas solo, pareceu mais cru. Era bem punk rock, bem exposto.
F: Especialmente com o disco da cellabration eu queria que você sentisse como se estivesse escutando algo sem querer, ao invés de ser algo que foi feito para você. E acho que isso se estendeu à turnê. Como se aquilo estivesse acontecendo naquele momento para você, e não como se estivesse sendo replicado. Eu queria me sentir mais no momento.

Com os Future Violents, você introduziu um visual com macacão, e agora a banda inteira veste isso no palco. Qual foi o propósito de criar um visual mais uniforme após se afastar disso por tantos anos?
F: Isso veio e foi inspirado por Steve Albini e o ambiente no qual criamos o disco. E uma coisa sobre a Electrical Audio é que todos eles usam esses macacões. Nós amamos muito isso – a ideia de que você é um técnico, que você pode trabalhar e trabalha no seu ofício. Era quase como trabalhar numa indústria. Todo mundo tem seu trabalho, e todo mundo sabe o que fazer. É mais uniforme. E nós amamos essa estética, especialmente para esse disco, de entrar e ser aquele técnico extremamente focado. Eu sinto que, a esse ponto, você tem essa frente unida em uma banda completa, ao invés de personalidades separadas.

O motivo pelo qual escolhemos o macacão branco e azul foi um, o azul é exatamente o do estúdio. E esse azul marinho é especial do Albini. O branco é um pouco menos permissivo no palco, e é divertido ver o quanto você pode sujá-lo. Eu gosto dessa progressão.

No seu espaço de ensaio e estúdio em casa, você tem uma bandeira americana enorme na sua parede. Esse é um simbolismo que vemos frequentemente. Obviamente, o Ray tinha o patch da bandeira americana no seu uniforme Killjoy, e a aranha Killjoy aparecia em cima da bandeira americana. Esse simbolismo significa algo, ou é só uma coincidência estranha?
F: É muito estranho, cara. Quando você vai para outros países, você não vê 25 bandeiras daquele país no posto de gasolina, na frente do aeroporto e aí mais 50 no caminho do hotel. Mas você vê isso nos EUA. É estranho o quanto a gente usa a bandeira americana, e significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Eu amo o nosso país. Eu acho que nós fizemos muitas merdas ao longo do tempo, e coisas muito dolorosas em nossa história. Mas de todo modo, eu tenho esperança de que nós ainda podemos fazer coisas maravilhosas e provar para nós mesmos e todo mundo que nós somos intrinsecamente bons. Mas sobre a estética da bandeira, é um design bem bonito. E eu acho que quando usamos essas imagens, Gerard, eu e Ray, nós crescemos nos anos 80, e você via essa bandeira, e era usada em tudo que nós amávamos. Nós fomos crianças que cresceram com G.I Joe e Rocky. A bandeira era sempre usada. E ela conjura esses sentimentos de ser uma criança assistindo filmes de ação e coisas desse tipo. Também traz imagens de protesto dos anos 60. E a que está pendurada no meu porão é uma bandeira de um caixão da Segunda Guerra Mundial. Na verdade, eu achei ela numa venda de garagem e amei. Acho que é feita inteiramente de lã. É doido. Eu não tento usar [a bandeira] como um plano de fundo porque eu sou tipo “Oh, América, fuck yeah”. Mas acontece que aquela é uma parede gigante. Cobre várias áreas. Então é difícil de escapar. Sobre teorias de conexões, acho que é usada bastante na nossa imagética. E acho que é só uma coincidência que [a bandeira] é usada em áreas diferentes. Mas não é uma conexão.

 

Por anos, você trabalhou com Colleen Atwood, que criou essas fantasias maravilhosas e abrangentes para o The Black Parade. Como foi trabalhar com Colleen? Você trabalhou com outros designers desde então?
F: Colleen é inacreditável. Ela é um ser humano maravilhoso e é tão boa no que faz. Eu lembro de trabalhar em algumas coisas e entrar no estúdio dela e ela falar tipo “Ah sim, essa é a capa de Sleepy Hollow”, ou “Isso é de Beetlejuice”. É tipo, “Meu deus.” Você está trabalhando com a melhor. Mas sobre outros designers aqui e ali, muito daquilo era Colleen e originava de pessoas com quem ela trabalhava. Muito veio dos desenhos do Gerard. Ele tinha a visão na sua cabeça por um tempo, das suas fantasias e como elas seriam. E nós ficávamos tipo, “Podemos ter isso ou aquilo? E adicione aquilo ali,” mas todas as ideias começavam na imaginação do Gerard.

Você não pode negar aquele efeito 15 anos depois. Você ainda vê pessoas se vestindo de Black Parade.
F: É engraçado como as pessoas tiram tempo para serem fãs daquela banda. Muitas pessoas, eu acho, bem cedo, são tipo, “Eu realmente amo AC/DC. Eu realmente amo Foo Fighters”. Eles amam o catálogo. Mas com o My Chem, têm muitas pessoas que são tipo, “Eu realmente amo o Bullets. Eu realmente amo Black Parade. Essa é a minha era dessa banda.” E eu amo que isso pode sobreviver nesses incrementos diferentes onde as pessoas realmente gostam do Three Cheers e se vestem como o Gerard de Three Cheers. É doido, e muito divertido ver esses jovens que talvez nem conseguiram comprar o CD quando saiu. Mas agora eles são obcecados por ele. E esse é o visual deles. Essa é a coisa na qual eles se seguram. Significa tanto para eles. É lisonjeador que algo que nós criamos tantos anos atrás inspirou você a gastar toda essa energia para transformar isso naquilo. E isso é doido.

Por todo o tempo em que vocês estiveram juntos, vocês sempre encontravam uma forma de usar um uniforme no palco. Existiam versões mais soltas dos “uniformes”, especialmente com as fantasias do Danger Days, quando vocês tocavam em festivais e tal. Mas quando vocês tocaram no show do return em 2019, vocês não usaram nenhum uniforme. Foi uma decisão coletiva, ou vocês só falaram, “Foda-se”?
F: Acho que todos nós sabíamos que era um momento especial e que era algo que as pessoas se lembrariam, e que haveria várias fotos e tal. Então nós sabíamos que tínhamos que escolher algo no qual nós nos sentíamos confortáveis. Mas nunca surgiu tipo, “Oh, nós devíamos fazer isso. Você deveria fazer isso. Sabe, nós deveríamos fazer algo juntos”. Acho que, a esse ponto, era só uma celebração de algo que nós fizemos coletivamente . Foi uma noite maluca. E acho que os nervos estavam à flor da pele, e a energia estava alta. Então foi tipo, “Escolha algo confortável porque vai ser selvagem.”

Relembrando desde os Future Violents até quando você estava no Pencey Prep, houve escolhas visuais ou de palco que você deseja nunca ter acontecido? Existem momentos que você relembra e você fica tipo, “O que eu estava fazendo?”
F: É estranho agora. Nós ficamos em turnê por tanto tempo, e quando eu comecei a fazer turnês e tocar shows e coisas assim, ninguém tinha celulares. Não havia fotografia digital em todo lugar. E as coisas não estavam pela internet inteira. Mas agora, eu tenho feito isso há tanto tempo, que há essa coleção de fotos que ressurgem ou coisas que aparecem, e essas coisas vivem para sempre fora de contexto. Então eu acho que existe uma era definitiva do My Chem que nós estávamos em turnê – acho que foi na turnê do Projekt Revolution do Linkin Park – e era uma multidão muito masculina e cheia de testosterona. E era tão estranho e risível para nós o que estava acontecendo. E tinha pessoas que eram violentas com crianças e garotas, e isso não era certo para nós. Então nós ficamos um pouco combativos. E tem alguns shows que nós definitivamente fizemos graça com as pessoas que estavam lá, e nós usamos capacetes de futebol americano, e eu estava usando mini shorts. [Risos.] Mas essas fotos, fora de contexto, parece só tipo, “Que porra aconteceu aqui?” Parece uma foto de Halloween que deu errado. E fica um pouco estranho. Definitivamente é algo que você não pensa quando você está fazendo.

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