Sua fonte oficial de notícias do My Chemical Romance no Brasil reconhecida pela Warner Music BR. Nos acompanhe nas redes sociais e fique ligado nas novidades da banda.

O que Meninas Malvadas, bullying escolar e um dos clipes de I’m Not Okay (I Promise) têm em comum?

Matérias

Descubra a mensagem sarcástica e antibullying lançada no mesmo ano do filme icônico de 2004 e o que essas duas obras têm a dizer além de transbordar humor ácido.

Texto por: Amanda Bittencourt e Gabriela Reis
Edição por: Marina Tonelli
Imagem: Warner Music/Reprise Records

Em 13 de Setembro de 2004, saia o primeiro single da banda vindo diretamente do Three Cheers for Sweet Revenge (2004): I’m Not Okay, (I Promise), a quinta faixa do disco, como falamos no faixa a faixa especial publicado em Junho, que também já destrinchamos aqui

Diferente de Helena, que tem uma história muito mais pessoal e profunda, pelo fato de ter sido escrita para a avó de Gerard e Michael Way, I’m Not Okay (I Promise), trata de um assunto mais complexo e que consegue ir mais além de uma letra clichê onde um relacionamento não dá certo. E é claro que esse mergulho em águas profundas só pode ser feito graças à metalinguagem escolhida para uma das produções visuais que o single ganhou, mas nós vamos chegar lá.

Nos anos 2000, era – e infelizmente, ainda é, apesar de ser mais brando atualmente – muito comum que os filmes adolescentes retratassem uma escola onde os populares são os reis e os que não se encaixam nos padrões são os excluídos

Infelizmente, essa cultura de divisão em grupos, que foi trabalhada com bastante humor no filme Meninas Malvadas (Mean Girls), é muito mais real do que a ficção mostra, tanto que o filme adolescente de 2004 foi escrito com base no livro de autoajuda Queen Bees and Wannabees, escrito por Rosalind Wiseman e publicado em 2002, que narra o comportamento agressivo das garotas em escolas secundárias americanas e principalmente a formação de grupos, como falamos acima. 

Toda essa divisão social – materializada numa autêntica estrutura hierárquica – presente nas escolas e o sentimento de não pertencimento que acomete garotos e garotas estadunidenses -, só faz aumentar os números de jovems que cometem suicídio, massacres e que podem desenvolver depressão, fobia social, ansiedade, entre outras patologias.

Um dos casos mais famosos e polêmicos envolvendo bullying escolar e divisão de grupos é o Massacre de Columbine, onde Dylan Klebold e Eric Harris atacaram colegas e professores, depois cometendo suicídio na biblioteca da Escola Secundária de Columbine (Columbine High School). As opiniões se dividem quanto a este caso, no entanto, a mãe de um dos atiradores, Sue Klebold, veio a público anos após os acontecimentos para contar a sua versão dos fatos. 

Em seu livro “O Acerto de Contas de Uma Mãe”, publicado em 2016, Klebold relata que a cultura anti-bullying nas escolas estadunidenses precisa mudar. Apesar de em momento algum eximir seu filho da culpa pelo massacre, ela alega que ele estava passando por um momento conturbado – coisas que podem ser vistas no diário do garoto, que foi divulgado pela polícia à época. Em seu TEDMed, ela narra um pouco sobre a história de seu filho:

Em seu livro “Columbine”, o autor David Cullen fez um excelente trabalho ao narrar o antes, o durante e o depois da tragédia, mostrando que o que ocorreu em Columbine é muito mais complexo do que um conhecimento superficial e parcial dos fatos pode mostrar. 

Já no documentário “Bowling For Columbine”, o diretor Michael Moore, conhecido por seu humor ácido e provocador, usa o Massacre de Columbine como ponto de partida para tentar entender o porquê a história dos Estados Unidos estar especialmente manchada de sangue e violência, concluindo que a cultura do medo tem um papel preponderante na construção dessa história; adicionamos o descontrole no mercado armamentístico à essa equação e o resultado não poderia ser bom. E, de fato, não é

 

Hoje sabemos que as motivações da dupla Eric e Dylan eram outras, mas o fato trouxe uma discussão pesada para as escolas no início dos anos 2000, e que se reflete até hoje. O assunto é tão sério, que em 2018, o estado da Pensilvânia abriu até processo de lei para multar em até 500 dólares os pais da criança bullie (termo usado para se referir aos colegas que cometem violência física, psicológica ou vexatória para com um colega de escola)

Voltando ao bullying, o assunto já foi tema até de documentário em 2011; o The Bully Project, dirigido por Lee Hirish, narra histórias de cinco adolescentes entre 11 e 16 anos e duas famílias que sofreram com o bullying escolar. O tema recorrente nos telejornais americanos ganhou mais destaque após o suicídio do adolescente de 11 anos ocorrido em 2009, Carl Walker Hoover, vítima de violência escolar, e que inspirou o documentário. De acordo com o artigo do portal Essence, Sirdeaner Walker, mãe do garoto, chegou a falar com a escola, mas nada foi feito e o pior aconteceu. Carl era ameaçado na escola por “agir como gay”. 

Mas afinal, o que diz o My Chemical Romance sobre esse assunto, e como a vida escolar afetou alguns dos membros da banda na época? Em entrevista à  Kerrang!, Gerard alegou que a música retrata sua época de adolescente, onde ele se sentia desajustado e só queria que alguém o amasse, em uma reflexão interessante: 

“Imagine um garoto gordo”, disse Gerard, refletindo sobre sua juventude. “Eu me empanturrei, trabalhando em uma loja de quadrinhos e comendo cheeseburgers o tempo todo… No meu primeiro dia no colégio, sentei-me sozinho na hora do almoço. Era a história clássica – o garoto estranho com uma jaqueta militar, camiseta de filme de terror e cabelo preto comprido. Eu estava mais interessado em música e em ser criativo. As pessoas nunca foram realmente más comigo. Elas quase sempre me deixavam em paz. Eu acho, realmente, que eu só queria ficar sozinho.”

Essa alegação reflete não só o sentimento de Way, mas também o sentimento da banda como um todo. Frank chegou a alegar uma vez que fugia dos valentões em sua época de colégio e que se sentia incomodado nas famosas “house parties” de sua época, como comentou à Louder Sound durante entrevista sobre seu projeto solo “Frank Iero and The Cellabration”

“Um dos motivos pelos quais eu nomeei minha banda como “A Celebração” é porque eu sou completamente o oposto disso. Quando eu era adolescente, eu ouvia sobre uma festa e ficava animado em ir. Quando chegava lá e percebia que tinha que falar com as pessoas, eu ficava chateado num canto e esperava a festa acabar. Eu não me sinto confortável desse jeito”.

O single, que chegou às paradas da Billboard na posição 86, é uma ode aos adolescentes em sua letra, e em seu clipe mais conhecido, dirigido por Marc Webb (diretor de “(500) Dias Com Ela”, 2009), que vamos falar logo a seguir.

WELL IF YOU WANTED HONESTY THAT’S ALL YOU HAD TO SAY

Mas então, onde está toda a referência citada mais acima dentro do caos quase cinematográfico criado por Marc Webb (diretor de Helena e The Ghost of You) e interpretado pelo My Chemical Romance?

Começando pelo formato, o clipe segue a tendência de vários outros que foram lançados ao longo dos anos 2000 – alguns deles dirigidos também por Marc Webb –, ou seja, a alternância de cenas que seguem um estilo mais “cinematográfico”, com takes de uma performance da música em si por parte da banda, normalmente em um cenário que se assemelha a um estúdio; no caso do clipe de “I’m Not Okay”, ficamos sabendo, no final, que a banda estava em uma garagem. 

A mensagem por trás da peça audiovisual ganha uma força especial graças às frases que aparecem em relação às cenas mostradas. Há um jogo de contraponto entre a seriedade e profundidade destas frases e uma certa comicidade que subjaz das dinâmicas mostradas através dos frames; a potência do clipe reside justamente aí, nesse script incomum. 

Vemos um grupo de desajustados, que sentem e padecem tudo o que um grupo de desajustados normalmente vive num ambiente escolar hostil, porém, se apoiam uns nos outros e tentam se divertir e se sobrepor à essas circunstâncias sendo simplesmente eles mesmos; abraçando a sua própria “estranheza”

Na primeira cena do clipe, vemos como Gerard Way e Ray Toro estão sentados numa escada vestindo uniformes escolares e mantendo o seguinte diálogo:

Ray: You like D&D, Audrey Hepburn, Fangoria, Harry Houdini and croquet. You can’t swim, you can’t dance, and you don’t know karate. Face it, you’re never gonna make it.

Gerard: I don’t want to make it… I just wanna…

Ray: Você gosta de D&D, Audrey Hepburn, Fangoria, Harry Houdini e croquete. Você não sabe nadar, você não sabe dançar, e você não sabe karatê. Encare isso, você nunca vai conseguir. 

Gerard: Eu não quero conseguir… Eu só quero…

Esse diálogo é interessante, já que mostra como será o tom que acompanhará a história pelo resto do clipe. Todas as coisas numeradas por Ray como parte da personalidade de Gerard são algumas das possíveis características que teria um desajustado dentro da hierarquia do microcosmo da escola norte americana: 

Gostar de D&D, originalmente conhecido como  Dungeons and Dragons, que é um famoso jogo de tabuleiro do tipo RPG lançado em 1974, do qual o Gerard da vida real é verdadeiramente fã, ao ponto de comemorar seu aniversário em 2020 com uma partida online com seus amigos; ser fã da atriz Audrey Hepburn, atriz conhecida pelo seu papel no filme Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s)…

Acompanhar a revista Fangoria, lançada em 1979 com foco no gênero de filmes de terror, época onde o gênero formava parte da subcultura freak e era considerado como um gênero “inferior” e, por isso, não era levado especialmente à sério, encontrando seu lugar únicamente em fanzines (nota: revistas feitas de forma caseiras sobre temas pouco falados no meio mainstream). 

Gostar do mágico Harry Houdini, nascido em Budapest que alcançou fama mundial devido à seus truques de ilusionismo e escapismo, sendo especialmente aclamado nos EUA (nota: Harry Houdini está presente não só neste diálogo, mas também na capa do primeiro disco da banda, o “I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love”, de 2002)

Além de jogar croquet, um esporte milenar cuja prática é relativamente incomum e que consiste em, mediante o uso de uma marreta, fazer com que uma bola passe por uma série de arcos de metal fincados no chão do campo de jogo. Inclusive, os garotos aparecem jogando croquet mais adiante no clipe. Ou seja, Gerard gosta de coisas consideradas pouco mainstream e, claro, não pode ser um garoto popular

Para rematar, Ray diz “Você não sabe nadar, você não sabe dançar e você não sabe karatê”. Levando em consideração o valor quase obsessivo que se dá à prática de esportes nas escolas norte-americanas, à ponto do desempenho esportivo marcar o futuro universitário dos alunos, além, é claro, de determinar o seu grau de aceitação entre os colegas, fica claro, atrelado a tudo que foi dito anteriormente, que Gerard interpreta um loser, um desajustado na hierarquia escolar. 

IF YOU EVER FELT ALONE
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU SOZINHO

Essa frase brota diante de nossos olhos, enquanto os primeiros acordes da música começam a soar. Aqui, vemos um Gerard completamente vestido com o uniforme escolar, parado no pódio de largada de uma piscina, enquanto o resto dos colegas entra na mesma, dando início à uma competição. 

Fica claro o contraponto entre um Gerard estático, completamente vestido, e com as mãos na cintura, e os atletas em movimento. Com certeza muita gente pode se identificar com esse sentimento de inadequação, sentido especialmente nas aulas de educação física, onde quem é menos hábil, rápido ou não especialmente talentoso para os esportes, costuma se sentir deslocado. 

IF YOU EVER FELT REJECTED
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU REJEITADO

Aqui vemos como todos os garotos da banda estão em seu horário de intervalo, quando um grupo de “populares”, mais especificamente um jock, joga um sanduíche em direção a Frank com a clara intenção de humilhá-lo diante dos outros colegas. 

A palavra jock (no plural, jocks), é usada para designar os atletas das escolas norte-americanas. Podemos identificar que no clipe o garoto que agride Frank se trata de um jock por sua vestimenta, em especial uma jaqueta, claramente esportiva, com as cores características, e provavelmente o logotipo, do time da escola. 

Os jocks saltaram da realidade da vida escolar para a ficção e se transformaram num arquétipo de personagem que sempre aparece em livros, filmes e séries que narram a vida numa típica escola norte-americana; arrogantes, violentos, soberbios e integrantes da “realeza da escola” (ao que tudo indica, na maioria dos casos, realidade e ficção não parecem diferir muito entre si) os jocks não poderiam faltar no clipe. 

IF YOU EVER FELT CONFUSED
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU CONFUSO

A comicidade do clipe reluz especialmente nos momentos que ocorrem no laboratório de Química. Por sinal, a escolha da matéria estudada com certeza não foi por acaso, afinal, estamos falando de My CHEMICAL Romance. Aqui vemos como Frank está concentrado em uma experiência…

IF YOU EVER FELT LOST
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU PERDIDO

…ou como Ray gira – aparentemente no mesmo laboratório– sem parar numa cadeira de rodinhas.

IF YOU EVER FELT ANXIOUS
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU ANSIOSO

Mikey Way inala o conteúdo de sua bombinha de asma (situação muitas vezes incluída no arquétipo de nerd na ficção), uma cena que aqui deixa ainda mais evidente o seu papel de deslocado.

IF YOU EVER FELT WRONG…
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU ERRADO

Gerard recebe a nota de uma prova de Química, na qual tira um F, (nota: nos Estados Unidos, o sistema de notas funciona por letras, vai da A até a F, ou seja, a F seria equivalente a um 0) e mesmo assim comemora seu “fracasso”.

…IF YOU EVER FELT WRONGED
…SE ALGUÉM JÁ FEZ VOCÊ SE SENTIR ERRADO.

Porém, recebe um murro no nariz logo em seguida, quase como se a realidade estivesse personificada nesse punho e o atingisse em cheio. Na mesma linha de explorar a comicidade e a quebra de clichês, Ray Toro escreve seu próprio nome várias vezes com giz de cera e em seguida lambe o mesmo, numa cena supostamente “sexy”, que é rompida bruscamente pela mordida que o guitarrista dá no giz. 

IF YOU EVER FELT UNCLEAN
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU SUJO

Passamos para uma cena de cunho sexual – sugestiva, não explícita, porém suficientemente clara– e se relacionamos a mesma com o adjetivo usado na frase que antecede a cena, unclean, ou sujo, podemos extrair que, apesar da parte sexual ser algo que costuma aflorar na adolescência (e de ser algo natural), pode gerar um sentimento de confusão, culpa ou estranheza, muitas vezes por uma questão de repressão.

IF YOU EVER FELT ANGRY
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU CHATEADO

O clipe retoma o caminho da comicidade com um Frank Iero que sai de sopetão do típico locker (ou armário) de escola norte-americana, onde estava escondido, com o objetivo de pregar uma peça na dona do mesmo, quase como se se tratasse de uma cena de um filme trash de terror B. 

IF YOU EVER FELT ASHAMED
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU ENVERGONHADO

Um garoto abre a porta de seu armário e deixa cair muitos frascos de remédios, claramente envergonhado diante dessa situação. Não fica claro de que tipo de remédio se trata, mas a julgar pelo tom do clipe, possivelmente esteja relacionado a algum tratamento para transtornos mentais, sendo a “vergonha”, infelizmente, algo que ainda sentem as pessoas que passam por esse tipo de problemas, devido ao estigma que carregam por sua condição. 

IF YOU EVER FELT CURIOUS
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU CURIOSO

Um garoto analisa com curiosidade o corpo do outro no vestiário masculino. Afinal, a adolescência também é uma fase de descobertas e de curiosidade; e, claro, não há nada de errado nisso. 

Frank protagoniza, junto com uma garota, a que talvez seja a cena mais “anti-clichê” de todo o videoclipe. Sentados um ao lado do outro, ocorre o seguinte diálogo:

Frank: You know, you have something in your eye.

Frank: Sabe, tem alguma coisa no seu olho.

Quem já assistiu comédias românticas, especialmente norte-americanas, sabe exatamente o que essa frase costuma significar: que o garoto arrumou uma desculpa para beijar a garota, e é exatamente isso que esperamos que aconteça nessa cena quando começam a se aproximar. 

Porém, a frase designava algo literal: realmente havia algo no olho da garota e Frank não só coloca o dedo lá pra retirar o que quer que fosse, como limpa o mesmo na própria roupa de cheerleader (ou animadora de torcida) dela. 

IF YOU EVER FELT USED
SE VOCÊ JÁ SE SENTIU USADO

Ocorre algo interessante quando Mikey, aparentemente na rádio da escola, coloca para tocar no walkman – e, consequentemente, nos alto-falantes espalhados pelos corredores – uma fita cassete com a música “I’m Not Okay”. Aqui acontece um encontro entre “realidade” e “ficção”, os limites entre o diegético (ou seja, o que está ocorrendo dentro da ficção), e o extra-diegético (aquilo que ocorre fora da ficção) se dissipam; em definitiva, ocorre uma situação meta-referente: vemos a música real “I’m Not Okay” sendo tocada, dançada e cantada dentro da ficção criada para o clipe de “I’m Not Okay”. Um pouco confuso, não é? Mas é algo muito comum dentro da linguagem cinematográfica. 

A partir daqui os acontecimentos se precipitam: as cenas das típicas cheerleaders (se os jocks são os reis da escola, elas são as rainhas) se alternam com cenas dos garotos jogando croquet e de Gerard sendo brutalmente empurrado por um atleta. 

BE PREPARED TO FEEL REVENGE
SE PREPARE PARA SENTIR VINGANÇA

Tudo o que acontece até o final do clipe é bastante metafórico: De repente os garotos arremetem contra o mascote do time da escola, empurrando-o no chão, uma cena que ocorre em segundo plano, enquanto as cheerleaders, em primeiro plano, continuam performando seus movimentos perfeitamente sincronizados com seus sorrisos congelados, como se nada estivesse acontecendo, como se a violência fosse algo corriqueiro. Mikey termina pisando na “cabeça” do uniforme do mascote, quase como se dessa forma tratasse de destruir, com esse gesto, toda a hierarquia da escola que gira em torno do esporte.

Alguém aparece de costas, urinando dentro de um capacete tipicamente usado no futebol americano como parte do uniforme. Novamente é reforçada a destruição metafórica da hierarquia escolar, começando por sua cúspide, sua “cabeça”: os jocks

FEEL THE ROMANCE
SINTA O ROMANCE

Os garotos caminham pelo corredor, com suas marretas de croquet nas mãos, enquanto um grupo de jocks caminham em sua direção armados com seus tacos de hockey e lacrosse. Ocorre o “enfrentamento final” porém, nós, como espectadores, não o vemos. 

MY BRUTAL ROMANCE
MEU ROMANCE BRUTAL

MY BEAUTIFUL ROMANCE
MEU ROMANCE BONITO

MY MISERABLE ROMANCE
MEU ROMANCE MISERÁVEL

MY X-RATED ROMANCE
MEU ROMANCE “PROIBIDO PARA MENORES”

MY HARLEQUIN ROMANCE
MEU ROMANCE “HARLEQUIN”

(nota: “romance Harlequin” é uma referência à uma coleção de livros românticos, especialmente populares nos Estados Unidos, cujo enredo costuma ser pobre e piegas, porém tem uma grande carga erótica)

MY INNOCENT ROMANCE
MEU ROMANCE INOCENTE

MY SCANDALOUS SELFISH PATHETIC CHILDISH WATER COOLER ROMANCE
MEU ESCANDALOSO EGOÍSTA PATÉTICO INFANTIL INCÔMODO ROMANCE

MY CHEMICAL ROMANCE

O clipe de I’m Not Okay é um grito atemporal. Um grito anti-bullying, anti-clichês, um grito que busca soar em uníssono entre todos aqueles que, de uma forma ou de outra, já se sentiram deslocados e sozinhos. É um clipe que tenta romper com a narrativa trágica e usa do humor ácido e da comicidade inesperada para realizar um processo de catarse

É um clipe que olha fixamente pra você, principalmente numa fase tão complicada como é a adolescência, e te diz “você não é o/a único/a que se sente assim”. 

E você não deveria passar por nada disso sozinho/a

Se você sofre bullying, não se cale. Divida sua dor com alguém. Busque ajuda. Alguém está disposto a te ouvir. Em “I’m Not Okay”, o My Chemical Romance transformou, uma vez mais, a dor em arte. E essa é, como sabemos, a única arma que devemos usar

Beijos das ruivas mais emos e vingativas deste site,

A.B. & G.R.

Deixe uma resposta

Continue lendo

Menu
%d blogueiros gostam disto: