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ESPECIAL MICHAEL WAY #2: Electric Century e a paixão por quadrinhos de Mikey Way

Entrevistas

Texto original por: Alex Bradley (Upset Magazine)
Tradução por: Gabriela Reis
Revisão por: Marina Tonelli

Na segunda tradução feita em comemoração ao mês de aniversário do nosso baixista favorito, trazemos uma entrevista recheada de informações inéditas sobre o projeto solo de Michael Way: o Electric Century.

A matéria em questão, escrita por Alex Bradley e publicada pela Upset Magazine em Julho de 2020, fala um pouco dos novos planos da banda à época, e que sucederam ao lançamento da HQ da banda com o novo disco, como já falamos anteriormente aqui. 

Confira a tradução na íntegra, feita pela equipe do Fake Your Death Brasil

“Mikey Way em conversa sobre Electric Century: ‘Mundos ficcionais são mais importantes que nunca’”

Electric Century: o encontro das mentes de Mikey Way (My Chemical Romance) e do frontman da banda Sleep Station, David Debiak, retorna com muito mais do que apenas um segundo disco de estúdio. 

Quatro anos após o lançamento de For The Night of Control”, o disco de estreia que trouxe uma pegada mais new-wave anos 80 para a banda, a dupla está de volta com um novo disco além de uma história em quadrinhos visualmente ousada e impressionante, que leva o mesmo nome da banda. O projeto reúne novamente os nomes de Michael (Way) e Shaun Simon, com quem trabalhou durante a produção de Collapser

Confira a sinopse da HQ: “Johnny Ashford, ex-estrela de comédia, dirige bêbado contra uma vitrine e é preso. Sua namorada aspirante a atriz paga a sua fiança e ele começa a se consultar com um hipnoterapeuta, Dr. Evers, que envia Johnny para um “lugar feliz”: a Atlantic City dos anos 1980, onde ele revive sua infância na orla, sem perceber os espectros sombrios ao seu redor.” 

O lado musical do projeto é tão misterioso quanto o que sabemos do enredo até agora, ou pelo menos é o que a melodia assustadora conduzida pelo piano que acompanha o trailer indica. 

Mas na esperança de descobrir mais sobre o novo projeto do Electric Century, o mundo dos quadrinhos, os planos desfeitos de 2020 e também a forma de trabalhar da família Way, temos Mikey Way para nos guiarmos.

Upset Magazine: O novo disco da Electric Century e a HQ são grandes projetos. Há quanto tempo estão sendo elaborados?
Mikey Way: O projeto está em andamento há anos e se tornou o que é agora sob circunstâncias aleatórias. Em 2014, depois de gravar o “For The Night of Control”, tivemos a ideia de que, talvez, pudéssemos fazer do Electric Century um tipo de banda fictícia. Eu tinha acabado de sair da reabilitação e não queria fazer uma turnê no momento, então achei que seria legal fazer uma ambientação fictícia em uma narrativa em que a banda existisse. Talvez poderíamos nos apresentar remotamente pela internet, ou usando um estilo de animação. Eu meio que peguei essa ideia, e a escondi por um bom tempo. 

Após o lançamento, fizemos algumas coisas divertidas e deixamos guardadas. A maneira como fazemos os discos do Electric Century é: Dave e eu gravamos áudios de voz um para o outro e guardamos o que sentimos que é de qualidade. Esse pingue-pongue de áudios nunca termina para nós, e foi assim que esse processo começou logo após a gravação do “For the Night of Control”. Quando tivemos material o bastante para iniciar um disco, começamos a gravação da demo.

Após essa fase, Dave e eu vamos fisicamente a um estúdio junto de um produtor, para fazer acontecer de verdade. Vivemos em costas distintas, então algumas gravações dele são feitas em estúdios diferentes, enviando sessões do Pro Tools (nota: aplicativo de gravação para áudio, usado em estúdios) um para o outro. Todo esse processo consome muito tempo, mas acaba funcionando bem para o nosso projeto, nunca colocamos restrições, e isso o torna bastante despojado.

UM: O que veio primeiro, a música ou os quadrinhos? Ou você sempre teve ambos em mente?
MW: Enquanto estávamos gravando, a Z2 (nota: editora focada em quadrinhos inspirados em bandas e artistas) veio até mim com a ideia de fazer uma história em quadrinhos do Electric Century. Durante a ligação com eles, um dos sócios disse algo que me levou de volta ao meu pensamento inicial de 2014. Ele disse: “Bem, eu vejo que o Electric Century está se tornando algo como o Gorillaz“, e eu disse: “Uau, isso é estranho! Eu tive esse mesmo pensamento há muito tempo”. Parecia que era algo que estava fadado a acontecer, e me apresentou um desafio interessante. Normalmente, um projeto como este começa com uma história em mente e parte disso para se desenvolver, mas neste caso, eu iria criar uma história a partir de um disco que já tinha sido escrito. Eu pirei um pouco com isso.

Uma das características mais presentes na voz de Dave são suas raízes de New Jersey (nota: Debiak é amigo de longa data de Way, como já falamos aqui). Para mim, isso se tornou muito natural que a história se passasse em Jersey, e em um lugar onde passei uma grande parte da minha juventude: Atlantic City. A partir disso, vi vários tópicos e temas espalhados por toda a parte. As letras de Dave falam muito sobre saúde mental, assunto do qual também sinto muita paixão. Isso me levou a pensar na época em que experimentei a hipnoterapia, e foi aí que a história se desenvolveu. 

UM: Até que ponto você usou “Collapser” como exemplo? O que você aprendeu com esse projeto?
MW: Eu sinto que essa minha experiência prévia me ajudou muito com este novo projeto. Collapser foi minha primeira tentativa de escrever quadrinhos profissionalmente e não tenho como agradecer Shaun Simon o suficiente por toda sua orientação e sabedoria ao longo do processo da HQ. Ele me mostrou os maneirismos de escrever histórias em quadrinhos e a arte dos painéis. Quando a Z2 propôs a ideia da HQ com mais de cem páginas, eu sabia que seria a oportunidade perfeita para me juntar a Shaun Simon novamente. Antes de Collapser e até hoje, eu e Simon estamos sempre dividindo ideias sobre os projetos que estamos trabalhando. Nós falamos a mesma língua quando o assunto é criatividade; ele me ajudou a pegar minha ideia e colocá-la em prática.

Ao que diz respeito ao tema, certamente podemos ver algumas raízes de Collapser nesta nova história. E eu também sinto que não importa a história que eu escreva, sempre terá uma pitada de horror. Eu simplesmente não consigo evitar! Uma vez escrevi um filme de Natal com um amigo e também havia um elemento de terror nele! 

“Não importa a história que eu escreva, sempre terá uma pitada de horror. Eu não consigo evitar”

UM: Como você espera que as pessoas apreciem ambas as obras? Ouçam o disco antes, leiam a história primeiro ou façam os dois ao mesmo tempo?
MW: Nesse caso, a música funciona como uma trilha sonora para a história. Quando as pessoas fazem “soundtracks” para filmes, a história e até a filmagem, na maioria das vezes, está completa. Eu sinto que cada elemento pode ser apreciado, mas de qualquer forma, o leitor ou o ouvinte pode ver se combina, mas para mim, faz sentido considerar [o disco] como uma trilha para a HQ.

UM: Musicalmente falando, como você queria que o disco soasse?
MW: Com a Electric Century, eu sempre tentei celebrar alguns períodos específicos da minha “vida musical”. Quando eu era criança, o new-wave dos anos 1980 dominava o rádio, e na minha adolescência o britpop dominou o meu mundo. Ambos foram muito importantes para mim. Com a Electric Century, eu estou sempre buscando os sentimentos que eu sentia quando ouvia minhas bandas favoritas. Sei que Dave tem influências e as sente da mesma forma que eu, e elas estão tão presentes no disco quanto as minhas. Ele é um grande fã de Elbow, Beatles e (Bruce) Springsteen. Nós temos uma grande compatibilidade musical, bem como algumas diferenças, e é daí que as músicas da Electric Century nascem. 

UM: Você tem algum plano para onde quer levar a história? Quais são suas ambições para o enredo?
MW: No momento, eu estou muito animado para contar uma história sombria de fantasia sobre New Jersey. É algo que eu sempre quis fazer. No entanto, o enredo estará pronto com o tempo, eu acredito. É uma história que fala muito sobre redenção, que é um sentimento importante pra mim. 

UM: A base da Electric Century já está bem consolidada. Para onde mais você quer levar essa história? Shows ao vivo, teatro, filme, TV…?
MW: Pela forma como a história foi estruturada poderíamos continuar se achássemos necessário. Quem sabe onde o futuro vai nos levar?! Eu não me oponho a nada, e amo um desafio.

UM: Quando 2020 começou, você tinha vários planos para um ano muito movimentado. Quão frustrante foi adiar ou cancelar esses planos por algo que estava fora de seu controle?
MW: Eu sinto que todos ao redor do mundo estão frustrados. Todos tinham coisas que estavam prestes a fazer, mas sinto que a coisa mais positiva que podemos fazer em um momento como esse é deixar as coisas acontecerem, manter a positividade e passar um tempo com nossa família e entes queridos, quando estivermos passando por momentos difíceis, e não nos esquecer de conversar quando estivermos desesperançosos. Agora mais do que nunca, precisamos nos unir uns aos outros para enfrentar essa tempestade. 

UM: Quão importante é esse escapismo para você, e quão inspirado você estava para criar um mundo para que as pessoas pudessem imergir?
MW: Estamos vendo isso em toda a parte agora: os mundos fictícios são mais importantes do que nunca. Estou vendo isso como um tipo de salvação para alguns nesse momento. As pessoas estão absortas nas suas cidades do Animal Crossing (nota: jogo para Nintendo Switch que se popularizou em 2020), mergulhando em novas séries dos streamings, lendo livros que sempre quiseram ler mas que não tinham tempo. Você realmente precisa de escapismos para resistir aos eventos atuais. É essencial para mim também. Estou no final da nova antologia de Stephen King, “If It Bleeds” (nota: em português, a obra levou o nome “Com Sangue”, e foi lançada pela Editora Suma, em Abril de 2020) e achei fantástico. Tento me atualizar nos filmes que perdi nos últimos anos também. Ser capaz de dar às pessoas uma saída para respirar do mundo às vezes é importante, e fico feliz em ajudar.

UM: Para aqueles que não conhecem muito sobre histórias em quadrinhos, quais são as HQs que você julga importante e quais você recomenda para aqueles que querem explorar essa forma de arte?
MW: Algumas das minhas HQs favoritas são The Watchmen, de Alan Moore, que nem é preciso dizer. Eu amo todas as histórias em quadrinhos de Pântano de Alan Moore também. All-Star Superman e New X-Men de Grant Morrison também são algumas das maiores histórias de super-heróis de todos os tempos. Simplesmente são clássicos e essenciais em todos os sentidos. Umbrella Academy do meu irmão (Gerard Way), também é outro clássico. O Demolidor, de Frank Miller, também é importante para mim. Eu poderia continuar para sempre, mas esses são bons pontos de partida.

UM: O que existe nos “genes dos Way” para criar grandes conceitos em todo projeto que vocês fazem parte?
MW: Nós gostamos de sonhar grande. A forma como eu sinto é que, se você mirar na Lua, mesmo que não atinja o alvo, você vai acabar parando em algum lugar próximo. 

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Beijios da G., e até a próxima!

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