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Uma Breve História do Reedings and Leeds Festival + My Chemical Romance feat Brian May

Matérias

Conheça a história por trás do festival mais antigo do mundo além de uma resenha exclusiva sobre o feat do MCR com o guitarrista do Queen, Brian May 

Texto por: Ariane Santana
Revisão por: Gabriela Reis

Com a ampliação da cobertura vacinal no Brasil e no mundo, uma das coisas que os jovens estão mais animados para retomar certamente são os shows. A sensação indescritível de ver seu artista preferido bem na sua frente, cantando suas músicas favoritas, é de longe uma das melhores sensações do mundo. 

E que forma melhor de experienciar isso do que em um festival, onde você pode viver isso com tantas bandas em tantos dias? Posso apostar que você, fã do MCR, já foi a um festival, ou sente vontade de ir. Então aqui vai uma charada: qual é o festival de música mais antigo do mundo?

Rock in Rio? Não. Lollapalooza? Tampouco. Knotfest? Nah. Se você chutou Reading and Leeds, você acertou… em parte. Vamos aos fatos.

O Reading and Leeds é uma dupla de festivais que ocorre simultaneamente na cidade de Reading e na cidade de Leeds, ambas na Inglaterra, com o mesmo lineup. O festival de Reading ocorre no Little John’s Farm e o de Leeds ocorre Bramham Park. Ambos são venues amplos e abertos, perfeitos para festivais do calibre do RANDL

Visão de cima do festival de Reading

Visão de cima do festival de Leeds

Mas vocês sabiam que originalmente, o festival não era em Reading (muito menos em Leeds), e era um festival de jazz? Pois vem com a gente pra descobrir a história fascinante desse antro da música que acontece anualmente na Inglaterra!

Do jazz ao rock: a história do Reading Festival

Antes de ser um festival de rock gigantesco, o Reading Festival era conhecido como National Jazz Festival. Foi criado por Harold Pendleton, um executivo importante da música britânica que amava jazz e queria um lugar para mostrar talentos do jazz britânico. 

A primeira edição ocorreu em 1961 (por isso ele é o festival de música mais antigo do mundo!), no Richmond Athletic Ground em Londres, mas mudou de local várias vezes durante os anos 1960 (aí já conhecido como National Jazz and Blues Festival) até encontrar a localização atual em Reading. 

Aos poucos, as atrações de jazz foram sendo substituídas por estrelas do rock como as bandas Cream e Fleetwood Mac. Mas sua consolidação no rock aconteceu nos anos 1970, quando passou a receber bandas de rock progressivo e punk rock. Foi aí que o festival passou a ser chamado The National Jazz, Blues and Rock Festival. Mesmo com esses três gêneros no nome, o festival foi ficando cada vez mais eclético, acomodando diversos artistas dos mais variados backgrounds musicais.

Porém, com um público rockeiro, a confusão era inevitável. Brigas entre fãs de new wave e punk, hostilidade frente a artistas de reggae, entre outros, começaram a ser frequentes, o que levou o festival a ser banido pelo conselho local em 1984 e 1985. O festival só foi retomado em 1986, mas com grande estilo: com Alice Cooper no line-up.

Infelizmente, o público do festival decaiu na segunda metade dos anos 1980, levando à expulsão de Harold Pendleton da organização. Isso não resolveu o problema do National Jazz, Blues and Rock Festival, que continuou investindo em artistas extremamente underground, alienando grande parte do público. Nem mesmo o rebranding do festival, agora oficialmente Reading Festival, renovou a atenção das pessoas, que queriam nomes mais famosos no line-up. A salvação do Reading Festival? Os anos 1990.

Tanto a ampliação do leque de gêneros aceitos no Reading Festival quanto os hábitos musicais britânicos foram os responsáveis pelo renascimento do festival. Nos anos 1990, a procura por festivais em ambientes externos aumentou, assim como o interesse pelo Britpop e pelo indie, antes renegados no país. Inclusive, um momento histórico aconteceu no festival de Reading em 1991: Kurt Cobain entrando no palco em vestimentas hospitalares e em uma cadeira de rodas, parodiando os rumores sobre sua saúde mental à época.

Os anos 1990 foram cruciais para o Reading, com diversos line-ups da época sendo considerados icônicos pela NME. A introdução do hip-hop com o show do Public Enemy e a Björk como primeira artista mulher solo a fazer parte do headline do festival são apenas alguns exemplos. Abaixo, confira o grupo Public Enemy cantando Fight the Power, do disco Fear of a Black Planet (1990) em Reading:

“Mas e o Leeds Festival?”, vocês devem estar se perguntando. Pois bem, ele só entra em cena em 1999, quando criaram um segundo venue por conta da demanda crescente para ingressos para o Reading Festival. Inicialmente, o line-up tocava no dia seguinte em Leeds, ou seja, eles tocavam de sexta a domingo em Reading e depois de sábado a segunda em Leeds. O formato atual foi adotado em 2011, onde o line-up de abertura do Leeds toca por último em Reading. A segurança do festival de Leeds ainda ficou instável por alguns anos, até encontrarem a localização atual de Bramham Park, onde desde então permaneceu, com melhor segurança.

Atualmente o festival é um dos maiores do mundo, com oito palcos simultâneos diferentes e capacidade recorde de 105.000 espectadores em 2019. Diversos artistas já passaram pelos palcos do RANDL, inclusive a tríade emo Fall Out Boy, MCR e Panic! At the Disco (ainda que em anos diferentes). 

Infelizmente, por conta da pandemia, o festival foi cancelado em 2020. Até o presente momento, o conselho local emitiu a licença para que o festival aconteça do dia 27 ao dia 29 de agosto de 2021, mas certas regras sanitárias deverão ser seguidas, dentre elas a obrigatoriedade das duas doses de vacina ou comprovante de teste negativo para covid. O line-up desse ano conta com nomes de peso como Liam Gallagher, Post Malone, Catfish and the Bottlemen, entre outros. Esperamos que corra tudo bem, porque a saudade de um festival tá imensa!

Mas e o MCR no Reading and Leeds?

É claro que uma banda com um fandom tão forte quanto o My Chem acabaria sendo chamado para o RANDL. E eles foram! Dois anos seguidos!

A estréia da banda no festival foi em 2005, onde eles tocaram em ambas as cidades no mesmo dia para não perder sua aparição no MTV Awards. Imagina o cansaço.


A banda do MTV Awards de 2005

No ano seguinte, eles foram chamados para retornar aos palcos do Reading and Leeds, mas… não ocorreu da forma esperada. De acordo com a NME, parte do público começou a jogar objetos na banda, ao que Gerard gritou para que eles jogassem mais coisa. O resultado foram frutas, bolas de golfe e garrafas de urina jogadas na banda, mas Gerard se manteve firme, dizendo: “Nós podemos ser os outsiders hoje, mas nós representamos todos os outsiders lá fora!”

De todo modo, não foi um momento bonito, e Gerard contou para a Kerrang! que, após o set, ele pisou em um pêssego, escorregou e “quebrou a bunda”. O setlist completo está disponível no Youtube, e é possível ver claramente as garrafas sendo jogadas:

Não surpreende que a banda tenha demorado para voltar ao festival após uma recepção nada calorosa. Na verdade, a banda demorou anos para voltar ao Reino Unido tanto por conta do episódio no RANDL quanto pela polêmica entre a banda e o Daily Mail, assunto que nós do FYD já cobrimos e você pode conferir aqui

O retorno triunfante ocorreu em 2011: de chacota do festival, a banda tornou-se headliner, com direito a uma participação especial de Brian May, o grandiosíssimo guitarrista da banda Queen, no show de Reading. Gerard contou à NME que teve a ideia de pedir conselhos a Brian ao lembrar de como Freddie Mercury, após ser vaiado em um show do Queen em Paris, disse: “Nós vamos voltar e ser a maior banda do mundo” – e claro que a banda não poderia deixar de tirar inspiração da teatralidade de Mercury. Confira o combo We Will Rock You + Welcome To The Black Parade com Brian arrasando na guitarra:

Fica tão claro no vídeo a emoção dos rapazes ao tocar com uma de suas maiores influências musicais. Não só o público foi agraciado com um belo cover de We Will Rock You, facilmente uma das músicas mais famosas do mundo todo, como Brian também arrasou na guitarra em Welcome To The Black Parade

Agora ponha-se no lugar do MCR: você, tocando com sua banda preferida. É de imaginar a emoção que tomaria conta da gente, né? Principalmente do Ray, que já disse que Brian May é uma de suas maiores inspirações na música. Se quiser saber mais sobre outras influências do Ray, é só dar uma olhada na nossa matéria aqui

Dividir o palco com o homem cuja banda revolucionou a música resultou em um fim de headliner lindo para um festival que tem muita história – assim como o MCR e, principalmente, o Brian. Seus solos animados deram vida a duas músicas que já são velhas conhecidas. Mas o crédito não pode ir todo ao Brian May, claro! 

Os vocais de Gerard estavam emocionantes como sempre, impulsionando tanto a força da bateria forte de We Will Rock You como a dramaticidade necessária para Welcome To The Black Parade, nos trazendo de volta à Black Parade apesar da jaqueta da Dead Pegasus típica de seu visual do Danger Days.

Também não podemos deixar de mencionar como a harmonia entre as três guitarras foi conquistada durante Welcome To The Black Parade! Brian adicionou pequenos solos que só trouxeram mais energia à música, e fica bem claro nas gravações que o guitarrista experiente estava se divertindo com os rapazes. Certamente foi uma experiência surreal para Frank e Ray, e só podemos torcer para que novas participações especiais como esta aconteçam em shows futuros.

E você sabia que o Reading Festival é o festival de música mais antigo do mundo? Qual seria seu line up dos sonhos? Nós por aqui torcemos para a vacina chegar a todos para podermos voltar aos festivais da forma mais segura possível.

Um beijo da Raposa,

A.S

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