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My Chemical Romance é para a p**** da vida toda

Entrevistas

Em entrevista para a Coup de Main em 2012, a banda fala sobre sua experiência no festival australiano Big Day Out, contam um pouco sobre o processo criativo do conceito do Danger Days e ainda comentam sobre o estado do jornalismo musical no mundo.

Tradução: Ariane Santana
Edição: Amanda Bittencourt

O guitarrista Frank Iero está de pé do lado do palco assistindo a performance do Best Coast no Big Day Out em Auckland. Ele aplaude ao fim de todas as músicas, apertando os olhos pensativamente em apreciação à banda, com o frontman Gerard Way se juntando a ele minutos antes da hora da dupla se preparar para sua própria performance no palco principal do festival. Paralelamente, Ray Toro também tem aproveitado das vistas e sons do dia, rapidamente tweetando seu apreço por uma banda colega no tour:  “Vaccines no BDO. São ótimos!

Mais cedo naquele dia, Iero, Toro, o Way mais velho e seu irmão mais novo, o baixista Mikey Way, se juntaram no backstage para conhecer, saudar e realizar os sonhos de vencedores da competição. O quarteto estão acomodando de todas as formas o nervosismo dos fãs, alegremente oferecendo conselhos sobre guitarra e discutindo tudo desde o time de basquete de Nova York The New York Kicks, à confirmação de que o Volume 3 de The Umbrella Academy está sendo produzido, até as diferenças do café da Dunkin Donuts na América e na Nova Zelândia. Que, a propósito: Gerard não gosta muito, mas ainda compra porque ele gosta dos copos.

É esse o tipo de banda que eles são. O tipo de banda que inspira os fãs a criarem HQs originais que confundem as mentes dos sem criatividade, que dá esperança aos fãs durante os dias perigosos…e se você foi em qualquer dia do festival Big Day Out nesse último verão, é bem provável que uma entre algumas camisas de banda que passaram por você pertencia a um fã da banda “vestindo o coração na manga” (n.t.: expressão que significa “expressando abertamente seus sentimentos”)

Faz quatro anos desde que a banda fez uma turnê neste continente e mais de um ano desde o lançamento do disco de 2010 Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys  – uma volta triunfante da reinvenção de outro patamar de uma banda que claramente reaprimorou sua raison d’être com rayguns atirando para todos os lados – mas seus fãs locais são uma prova viva de que a distância fortalece o amor.

Durante o ciclo do disco presente, eu já vi um draculoid correndo loucamente em um shopping, vi pessoalmente Killjoys realizarem uma guerra de tinta ‘Art-is-the-weapon’… e, claro, nunca houve uma fanbase tão corajosa para brigar com qualquer jornalista musical que não faz sua pesquisa prévia a uma entrevista.

É como uma gangue. My Chemical Romance e seus fãs… e seus fãs que fizeram amizade entre si.

Gerard reitera esses sentimentos mais tarde no palco: “Cara, isso vai soar estranho à primeira vista, mas vocês sabem do que estou falando. Essa banda é para a porra da vida toda… eu não conseguiria sair se tentasse. É uma sentença para a vida, e uma sentença para a vida nem sempre é uma porra ruim. Porque todos nós estamos na mesma cela juntos. Entendem? Pra porra da vida toda. Não tem como sair dessa merda. Não há porra de caminho de volta.

Esse vai ser o último Big Day Out na Nova Zelândia para sempre. Vocês já tocaram nessa turnê duas vezes, como vocês comparam o BDO com outros festivais?

Frank: É bem triste…

Ray: Bom, uma coisa é…

F: Mais dias livres! Nós temos mais dias livres porque viajamos muito. Infelizmente esse é o meu primeiro, porque eu estava doente na época, mas eu gosto bastante. É bem quente e bem bonito, nós vimos várias vistas lindas. Provavelmente é tipo cada parada é ‘a parada mais linda da Warped Tour’. <risos> É assim que parece.

R: E as pessoas são ótimas. Eu lembro que da última vez que tocamos, o público era… não importa o quão quente esteja, todo mundo está se divertindo, a vibração e a energia lá são muito positivas, o que não é sempre o caso com festivais

Vocês viram alguma mudança nas economias durante turnês internacionais e/ou como festivais de música operam durante os últimos dez anos das suas carreiras?

R: Até onde eu sei, tudo parece custar mais. Então eu sei que algumas bandas têm tido problemas, especialmente a nível internacional, porque nem todo mundo… se a gasolina sobe, os vôos sobem, viagem, transporte de equipamento, tudo. Infelizmente, fazer turnês hoje em dia custa muito mais dinheiro para as bandas do que antes – é uma pena. Mas todo mundo, façam o que der com o que têm, você sempre tem que ir para onde o show está.

F: Pelo menos não é como há vinte anos atrás! Nós podemos ter celulares e a internet existe, é legal.

Better Living Industries se descreve como “o meio de comunicação #1 da Zona para informação e comércio’ – vocês acham que é perigoso ou irresponsável quando informação e comércio são consolidados juntos?

F: Hmmm…

Gerard: Não sei se o comércio pode verdadeiramente ser informação. Acho que é só o comércio, só te vende algo. Eu sempre questiono a informação que nos é dada e que é ligada ao comércio. Então acho que a resposta seria sim, é perigoso.

F: Definitivamente.

Se Dr. Death Defying desse um conselho aos fãs do My Chemical Romance, o que vocês acham que seria e por quê?

G: Acho que ele dá livremente todos os conselhos no disco, acho que ele não tem mais nenhum conselho pra dar. Eu tentei fazer as coisas que ele fala serem o mais simples possível nesse sentido, como se não houvesse mais nada que ele pudesse dizer. E Steve [Montano] criou algumas coisas bem interessantes também para colocar no disco.

Gerard, o que estava passando pela sua cabeça quando você escreveu o trecho “você só ouve a música quando seu coração começa a quebrar”, de “The Kids From Yesterday”?

G: Essa é provavelmente uma das minhas favoritas…meus trechos favoritos do disco provavelmente estão nessa música e em “DESTROYA”, talvez. Não sei… eu senti que era algo que nunca havia sido dito, meio obtuso mas totalmente verdadeiro, então precisava ser dito.

Aliás, quando a HQ Killjoys finalmente vai sair?!

G: Sim! Nós estamos trabalhando nisso agora com a Sierra Hahn que é nossa editora da Dark Horse, e Scott Allie também está envolvido, e nós recebemos as primeiras anotações deles. Nós já terminamos grande parte do nosso trabalho e agora eles estão fazendo o deles, a escrita do roteiro enquanto eu estou aqui, então acho que sai esse ano na verdade.

F: É melhor que saia. <risos>

Ray, você disse que o disco “Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys” é “mais temático que baseado em história” – quais são os principais temas do disco na sua opinião?

R: Para mim, um dos temas principais é sobre liberdade e ser livre, ser aquela pessoa que você sempre quis ser.

No início de “Vampire Money”, vocês quebram a ‘quarta parede’ do mundo dos Killjoys referenciando uns aos outros com seus nomes reais – vocês sentiram que foi uma progressão/diferenciação importante de “The Black Parade”, onde vocês se imergiram completamente na história?

F: Muito astuto.

G: Sim, na verdade. Foi legal fazer isso. Foi bem legal quebrar essa parede e ter uma música que é quase como créditos finais para nós, ali você percebe que existem pessoas normais que não se chamam pelo nome “real” (n.t: nesse caso, os nomes de seus alter egos) quando estão juntos. É isso que foi, sim.

Depois de mais de dez anos da escrita de “Skylines and Turnstiles”, qual música vocês acham que melhor representa essa década de encarnação da banda?

G: O que vocês acham?

F: Acho que de novo, voltando à “The Kids From Yesterday”, acho que é essa. É estranho porque a música foi escrita em uma encruzilhada, não só nas nossas vidas como uma banda, mas também nas nossas vidas pessoais, e acabou sendo bastante pessoal. Significa muitas coisas diferentes para todos nós, e significava algo diferente para mim quando foi escrita, comparado a uma semana depois. Então acho que seria “Kids”.

Mikey: Absolutamente, ela é como uma máquina do tempo.

Com novos discos sendo vazados antes da data de lançamento oficial, fãs frequentemente têm acesso a novas músicas ao mesmo tempo que os jornalistas, formando suas próprias opiniões antes de lerem resenhas adiantadas e/ou entrevistas. Vocês acham que isso afetou o jornalismo musical moderno?

F: Bom, acho que muitos jornalistas não ouvem a música antes de resenhá-la. <risos> Mas… ‘jornalismo musical’, essas duas palavras juntas? Elas tendem a não ter muito peso mais. Acho que tem muito pouco jornalismo ali…

G: Sim, há uma tradição muito honrada nesse meio, e essa parte é ótima, e você acha… Acho que é como qualquer outra coisa, é como a música, você encontra pessoas muito boas por aí que estão lutando a luta justa e escrevendo tipo Lester Bangs e tal, eles se importam de verdade, basicamente. Eles são como achar uma banda maravilhosa, e isso é raro.

M: Um dos problemas hoje em dia é que todo mundo acha que é jornalista musical, a opinião de todo mundo é a mais importante, e todo mundo é super cínico… ao invés de só ouvir… e o jeito que as coisas costumavam ser.

F: Todo mundo é a porra de um jornalista ‘de verdade’.

Por último, vocês têm algum recado para seus fãs neozelandeses?

F: Oi de novo. Eu sei que faz muito tempo, mas nós estamos muito felizes de estar aqui e tocar para vocês. Seu país é lindo e eu gostaria que pudéssemos vir bem mais frequentemente, se vocês não estivessem tão longe.

M: Obrigado por nos esperarem por tanto tempo!

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