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Barriers: Quando Mais uma vez Frank Iero Transformou Sua Dor em Arte

Resenha

Hoje o terceiro disco da carreira solo de Frank Iero completa três anos. O Fake Your Death Brasil traz informações sobre a inspiração da gravação, assim como uma análise faixa a faixa da gravação.

Texto por: Malena Wilbert
Edição por: Gabriela Reis 

Se tem algo que Frank Iero não está disposto a fazer em sua carreira é se repetir. Seja em seus projetos – que vão do popular My Chemical Romance ao taciturno Death Spells – ou mesmo em sua carreira solo, sua especialidade é renovar-se, até mesmo quando vai nomear seus lançamentos. 

Em seus primeiros dois discos, para lidar com a pressão de ser um frontman, algo que não se considera “por excelência, as gravações foram lançadas, respectivamente, com as insígnias “frnkiero andthe cellabration” (Stomachaches, 2014) e Frank Iero and The Patience(Parachutes, 2016). O aniversariante de hoje,  Barriers (2019), traz consigo o nome que está  acompanhando  Iero até hoje: Frank Iero and The Future Violents

A escolha não foi por acaso e carrega consigo uma história com forte carga emocional: em 13 de outubro de 2016, Frank Iero e The Patience,  (Iero, o guitarrista Evan Nestor, o baterista Matt Olsso, o empresário Paul Clegg e seu assessor) sofreram um acidente grave enquanto estavam descarregando equipamentos de sua van e um ônibus colidiu com o veículo. 

Em entrevista à Altpress, três meses depois, Frank revelou que considerou uma experiência de quase morte. A colisão o jogou embaixo do ônibus, e sua vida só foi salva por conta de uma enorme mochila que estava usando, que acabou amortecendo o impacto.  “Do meu ponto de vista, eu só conseguia ver Evan e ouvir Paul [companheiros de banda]. Achei que quem quer que eu não pudesse ver ou ouvir deveria estar morto, e se eles ainda não estavam mortos, então todos estaríamos em breve”

Como explicou posteriormente ao site The Alternative, essa experiência traumática lhe proporcionou uma nova perspectiva, a qual foi uma das grandes inspirações do Barriers, inclusive, o nome da insígnia, para expressar tanto a abruptidão da vida, quanto os olhos no futuro: 

“Após meu acidente há 2 anos em Sydney, eu senti que a vida pode ser repentinamente abrupta e brutal. Eu tinha medo disso, mas então eu percebi que estamos convencidos de que as coisas acontecem conosco, quando, na verdade, eles acontecem a fim de nos ensinar como voltar para cima. Com os ‘Future Violents’, quero sair e criar uma pegada duradoura para o futuro se formar. ”

Ao mesmo veículo, Frank esclareceu que toda a gravação carrega os sinais do trauma e aprendizado gerados pelo acontecimento “O acidente definitivamente acendeu o diálogo para Barriers. Isso me fez reconhecer coisas na minha vida que eu estava evitando por medo. Em termos de conceito, eu diria que o disco é sobre fazer o que te assusta, cair, levantar e fazer de novo. Espero que as pessoas ouçam e percebam que falhar repetidas vezes leva aos melhores resultados quando você tem sucesso”. 

Em uma resenha, a revista Kerrang, que, na época, considerou Barriers o lançamento mais importante da carreira de Frank, sintetizou isso da seguinte forma: “Isso consolidou Frank como o mestre em transformar sentimentos desagradáveis ​​em música linda, alegre e até mesmo comemorativa”.  Não bastasse isso, ainda existe mais simbolismo nesse disco: Frank contou que associa som à cores e emoções em sua mente. A de Barriers é amarelo. Porque? “Amarelo é outono, é onde eu nasci. É como aprender a cair, ficar com hematomas amarelos e aprender com isso.”

Toda essa carga emocional de background é expressa, faixa a faixa, e faz ainda mais sentido quando sua ordem original é respeitada. “A New Day’s Coming”, música que abre a gravação, é suave e relaxante, uma canção de ninar e um hino de renascimento: “Let the new days coming wash all over us”.

“Young And Doomed”, primeiro single, já revela em seu título o teor: é agitada como uma adolescência. “And I’m classically sad and I’m inclined to get mad!” Dizem que nas experiências de quase morte, toda nossa vida passa como um filme na nossa cabeça. Na  mesma faixa, Iero brinca: “And I promise that I’m not okay / (Oh, wait, that was the other guy)”. Uma volta ao passado no MCR com uma pitada de provocação típica da juventude. 

Fever Dream, terceira música do disco, chega mais agressiva e incisiva. As guitarras estão mais altas, assim como os gritos que parecem protestos. É realmente febril, nervosa, exigente.  Entendendo o pano de fundo de sua criação, é fácil fazer um paralelo com alguém que esteja revoltado com alguma experiência, assim como alguém que esteja começando a experimentar os primeiros sinais do amadurecimento: “I’m on old and loaded”. 

The Host é como a consolidação da vida adulta. Resignada e um pouco mais calma que sua sucessora, porém ainda com guitarras sobressalentes. A voz fica em segundo plano nessa faixa, quase como se estivesse cansado, ou conformado.   A sucessora, Basement Eyes, outro single, mantém a mesma pegada, porém com um pouco mais de força. Embora ainda seja suave (para os parâmetros do disco), os vocais de Iero são mais altos e definidos. Sua temática permanece na vida adulta, agora mais madura: “I’ve been here before, so proud yet insecure

And it’s sad to realize that we used to get high // But now we just get down” 

Se as últimas duas faixas estavam resignadas, Ode To Destruction, mantém esse padrão apenas nos primeiros trinta segundos. Depois disso, as guitarras altas se misturam perfeitamente com os vocais angustiados de Iero. The Unfortunate, a seguir, esconde por trás de um ritmo alegre, até dançante, mas uma composição que aperta o coração “Lost in a moment, I prayed we’d find our way back home // God as my witness, I never meant to hurt you so”.

Sequem as lágrimas, vistam suas jaquetas de couro e atitude punk, chegou Moto Pop. Embora sua composição não seja das mais otimistas (I’m still starved for the love I never go), a oitava canção de Barriers é um exemplo de uma das coisas que Frank sabe fazer de melhor: pegue uma emoção feia e transforme em algo enérgico, dançante, desafie o caos e a adversidade. 

Essa energia é perfeita para preparar o cenário para um dos grandes destaques do disco: a sexy, dançante e envolvente Medicine Square Garden (a descoberta da sexualidade?). Terceiro single, seu videoclipe causou buzz nas redes. Dançarinas, batom, e gore. Uma combinação peculiar que é a cara de Frank Iero e funcionou absurdamente bem. É quase impossível não dançar e cantar junto com ela. 

Depois dessa dose de adrenalina e sensualidade, chega No Love. Embora muito diferente de suas antecessoras, não deixa a desejar na sua potência. Tem altos e baixos, alternando vocais e guitarras altas com vocais contidos e melancólicos. É uma canção de contrastes:  “I hate my love for you”.

Police, Police é outro destaque de Barriers. Tão potente quanto Moto Pop e tão bem equilibrada quanto No Love, tem uma letra digna de hino: “The pursuit of happiness is a fucking right!”. Se continuarmos na teoria que o disco pode ser interpretado como uma linha do tempo, Police serve bem como a desilusão da vida adulta: “Life cleared the light from my eyes // And wiped the smirk from my face it won’t be seen anymore”. 

Great Party é uma balada melancólica, mas com gotas de esperança. É como se você pudesse ver um sorriso entre os gritos lamentando a saudade, a convicção de quem ainda acredita no amor “Keeps falling in love when I should’ve known better”. Merecidamente, foi o quarto single.

Se Medicine é um auge enérgico, o auge da carga emocional definitivamente fica por conta da penúltima música do disco, Six Feet Down Under. É a que fala mais explicitamente sobre os sentimentos de Frank após o acidente, como ele explicou à revista Kerrang: A composição “Há uma parte de mim que não tem certeza se eu estou aqui / Sim, há uma parte definida de mim que não acreditam no agora / E isso é só o começo,’ Porque eu não está convencido de que você é tudo real’, da perspectiva de Frank, representa: 

“talvez existam diferentes planos de existência onde não fazê-lo. E este onde fizemos. E atualmente estou morando onde? Não sei. Mesmo em minhas sessões de terapia, ninguém pode realmente responder a todas as minhas perguntas. Eu realmente saí do outro lado? Eu ainda estou vivo? Ou tudo isso é apenas uma invenção estranha da minha imaginação? Ninguém pode responder a essa pergunta com sinceridade ou dizer que isso é real. Six Feet Down Under é um soco no estômago. É um desabafo cru, honesto e angustiado. 

Por fim, o disco se encerra com  24k Lush. É a combinação de uma suave melodia melancólica com uma composição emocionante e esperançosa. “Raise my arms to the sky for once, I’m gold”. É alguém que já viveu, lutou, gritou. Foi jovem, teve o coração partido. Dançou, sofreu. Mas tem esperança. 

As quatorze faixas de Barriers fazem sentido – tanto juntas quanto segmentadas. Em uma visão mais ampla, combinam com outros projetos solos de Frank – Stomachaches (2014) e Parachutes (2016), embora com diferenças sensíveis. É mais maduro, só que ainda visceral, honesto e enérgico. É Frank Iero, na sua essência intrínseca. 

 

Por hoje, fico por aqui.

Stay sane and stay safe.

Give ‘Em Hell, Kid.
Beijos, MW.

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