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PAUTA DOS LEITORES #4 – O Misterioso Disco que Acompanha o Bullets

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O Fake Your Death Brasil traz uma resenha exclusiva sobre as bandas que compõem o disco que acompanha algumas versões importadas do disco “I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love” (2002). 

Texto por: Gabriela Reis
Edição por: Marina Tonelli

Durante o nosso projeto “Pauta dos Leitores”, você já descobriu as referências a filmes de horror dentro da carreira do My Chem, soube mais das relações entre Gerard Way e o ex-presidente americano, John F. Kennedy e também já descobriu mais sobre o 11 de Setembro. Esse mês, vamos destrinchar o misterioso disco que acompanha o I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love (2002),  o tão famoso e raro disco do MCR.

Antes de mais nada, precisamos falar um pouco sobre Eyeball Records, para nos familiarizarmos com a história toda. Fundada em 1995 por Alex Saavedra e Vincent Li, a Eyeball Records é, até hoje, uma gravadora com selo independente. Atualmente, a gravadora tem sede em Kearny, New Jersey, apesar de seu primeiro endereço ter sido em Manhattan, New York – próximo à faculdade de Artes que Gerard Way frequentava.

Além do My Chemical Romance, a Eyeball também lançou a banda Thursday, que até hoje é considerada uma banda independente, apesar de não estar mais sob a label da Eyeball Records. Outra banda bem conhecida pelo fandom, lançada pela Eyeball, foi Pencey Prep, a banda que fez com que Frank Iero conhecesse o My Chemical Romance e para que fosse convidado para tocar como guitarrista base. 

No ano passado, os membros antigos da Pencey Prep lançaram pela B-Calm Press um merchan especial, e super limitado também, além de terem disponibilizado via streaming uma versão remasterizada do disco “Heartbreak in Stereo” (2001). Você pode ouvir o disco via Spotify agora: 

A Pencey Prep chegou a abrir shows para o My Chem no começo da carreira, que foi quando Frank foi chamado para ingressar na banda como guitarrista base. Ele já contou essa história em entrevistas, mas achamos importante frisar que Frank Iero se considera – e pela história, podemos dizer que é mesmo – o primeiro fã do MCR.

Na época em que essas três bandas estavam na ativa, a cena independente de New Jersey estava ascendendo com força. Além da Eyeball, outras gravadoras com selo independente estavam dominando o mercado, trazendo uma atmosfera parecida com o grunge de Seattle, de acordo com o artigo no The New York Times de 2005, que contou um pouco sobre a história das gravadoras da cena nessa época.

É claro que as pessoas nos EUA esperavam que a segunda onda independente viesse do mesmo estado que bandas como Nirvana e Soundgarden, mas New Jersey surpreendeu, não só com os Misfits revolucionando o gênero punk em meados de 1980, mas também com bandas emergentes de rock, emocore e outros estilos – nos anos 2000, a cena independente trouxe até músicas irlandesas para o conhecimento do público.

MAS AFINAL, QUAL É A DO DISCO MISTERIOSO?

Que o I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love é um disco super hiper raro, todo mundo sabe, mas você sabia que existem duas versões do disco circulando pelo Brasil? Por um tempo, o Brasil produzia CDs, já que era um mercado rentável e dava dinheiro, afinal, nos anos 2000 todo mundo comprava CD, fosse pra ouvir em casa, ou nos portáteis gigantes, antes de inventarem o MP3, o iPod, o MP4 e o celular com fone de ouvido (bons tempos).

Com o primeiro disco de estúdio do MCR, não foi diferente. Algumas versões do CD são brasileiras, logo não acompanham o CD extra da Eyeball que vamos dissecar neste texto. O conteúdo do CD não muda absolutamente nada – são os mesmos encartes, são as mesmas dedicatórias e o CD é exatamente o mesmo -, a única diferença é a falta do “Now That’s What I Call Eyeball”, uma coletânea feita pela Eyeball Records para ajudar a divulgar outras bandas que estavam sob o selo da gravadora. 

Por ser uma gravadora independente, como falamos anteriormente, a Eyeball achou que seria uma boa ideia reunir alguns artistas não tão conhecidos no meio para fazer um compilado e ajudar a lançá-los ao público. O que, de fato, fazia sentido naquela época. Por mais que já existisse internet lá para 2002, ainda era muito precário. Não existiam streamings, o YouTube ainda estava se tornando o grande monopólio que é hoje, e as pessoas pouco usavam redes sociais. 

A melhor maneira de se chegar no público jovem, que seria o alvo dessas bandas, era participando de uma coletânea que seria enviada junto com alguns discos. Durante nossas pesquisas, apenas encontramos informações sobre esse disco ser veiculado com o primeiro disco de estúdio do MCR, o I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love.

Com 10 faixas, o “Now That’s What I Call Eyeball” conta com 5 bandas diferentes, sendo elas: New London Fire, Milemaker, The Number Twelve Looks Like You, My Epiphany e Zolof The Rock & Roll Destroyer. As bandas são, em partes pelo menos, bem desconhecidas. Algumas delas ainda estão na ativa, já outras tiveram um fim e deixaram apenas suas músicas como recordação.

New London Fire – Imagem: Divulgação

Começando pela banda que abre o disco de compilações, falaremos sobre a New London Fire. Considerada uma banda de pop/rock pelo site All Music, teve seu início em outra banda, chamada Sleep Station. Para David Debiak, mente por trás das duas bandas citadas, Sleep Station era muito conceitual para o momento em que ele estava vivendo, por isso, ele decidiu ir para outro caminho, puxando mais para o Britpop.

Sabemos que Michael Way é um grande amante de britpop, certo? Já falamos sobre suas influências musicais e como isso o influenciou até mesmo para criar seu projeto solo, Electric Century. O mais curioso é que essa banda de pop/rock com nuances de britpop, foi batizada por Mikey em pessoa. Talvez ele seja bom com nomes, uma vez que o nome do MCR também foi batizado por ele. Apesar de ter duas músicas de estréia no compilado, a New London Fire só foi lançar seu primeiro disco sob o selo da Eyeball em 2006, quase 4 anos depois.

A primeira faixa da banda no compilado é “Different”. Com tecladinhos que remetem bem as influências britânicas de Debiak, a música chega a lembrar até um pouco a banda Oasis – só que bem mais animada. A voz de David é suave e acompanha bem a melodia, que é bem construída. O mesmo estilo que New London Fire tem, foi levado por Debiak para Electric Century, projeto solo de Michael Way. 

A segunda faixa, “We Don’t Bleed”, carrega o mesmo estilo da primeira, com um pouco mais de melancolia em seu tom de voz suave, que combina bem com a melodia escolhida. As duas faixas são bem caricatas do estilo pop que estava crescendo nos anos 2000, e dá uma certa nostalgia ouvir as duas, que nos fazem remeter a alguns outros artistas da época (quem é cria de MTV, sabe o que estamos falando…).

Os solos suaves da música são bem dançantes e deixam a atmosfera leve, que comparado as próximas bandas, é uma das músicas mais suaves do compilado, como vocês verão a seguir.

Milemarker. Imagem: Divulgação

As próximas duas faixas são da banda Milemarker, uma banda da qual não tem um berço específico – já que um dos integrantes é de Washington D.C., enquanto os outros são de Chapell Hill -. Apesar de não ser um som tão pesado, a banda tem uma pegada um pouco mais política em suas composições e posicionamentos, segundo o site All Music.

O grupo em questão se formou em 1998, e tinha uma pegada bem diferente do que vemos nessas duas músicas apresentadas no compilado. Com sons mais experimentais, o primeiro disco da banda contava com o estilo mais voltado para o lo-fi, com loops e experimentações diferentes do que era visto na época. 

“Food Chain” tem guitarras marcantes e sintetizadores que traz um som mais metálico a música e a maneira que o guitarrista, junto dos outros integrantes levam a melodia na forma que cantam, remete – vagamente em certos pontos – uma leve influência da banda Beastie Boys, que misturava rock com rap em uma mistura um tanto quanto inusitada. No caso de Milemarker, a ideia é ser mais sintético e elétrico, além de experimental.

Já com “Pornographic Architecture”, a vibe de Beastie Boys sai de cena e dá espaço para um rock mais alternativo com guitarras marcadas e riffs empolgantes. A letra, que claramente é uma crítica às novas arquiteturas da cidade, é embalada com uma melodia até um tanto quanto agressiva. 

A pegada lembra vagamente a mesma raiva presente em Rage Against The Machine, mas sem baixos tão marcados, que dão espaço para riffs mais elaborados e um pouco mais suaves até. A banda até hoje continua na ativa, apesar de ter mudado sua formação original. 

The Number Twelve Looks Like You. Imagem: Divulgação

Já a próxima banda, diferente de Milemarker, é originária de New Jersey, e nascida quase na mesma época que o MCR. The Number Twelve Looks Like You traz a pegada mais pesada do compilado, com riffs fortes e a voz grutal do vocalista, Jesse “Jase” Korman. 

Assim como o My Chem, a banda teve um período em que esteve fora dos holofotes, que os acompanharam de 2002 a 2010. Eles voltaram em meados de 2016 com um show secreto que marcou a volta da banda, e continuam na ativa até hoje. 

“The Proud Parents Convention Held in the ER”, primeira música da banda no compilado, é curta, diferente de outras músicas do gênero hardcore, que estendem um pouco mais a música. “Like a Cat” segue a mesma pegada, com gritos altos e screamos marcados. Os riffs são bons, mas a voz do vocalista berrando pode não agradar todos os ouvidos.

My Epiphany. Imagem: Divulgação

A próxima banda é My Epiphany, que esteve na ativa até o ano de 2007. Com uma pegada bem parecida com New London Fire, vista anteriormente, My Epiphany traz sons metálicos, bem próximos ao eletrônico, uma pegada um tanto quanto experimental para a época, visto que em 2002, o que estava mais em alta era o bom e velho emo do rock alternativo. 

Apesar da pegada mais elétrica, as guitarras remetem bem o estilo alternativo presente na época, com letras mais melancólicas e fortes, que trazem uma identificação para quem as ouve. Assim como a primeira banda, o estilo remete bastante às músicas que vemos no projeto solo de Michael Way, exceto pelos riffs marcados que acompanham a melodia, usando distorção leve nos pedais. O britpop em 2002 estava em alta, então não é difícil fazer essa relação com mais de uma banda dentro do compilado. 

“Body Talk” carrega uma pegada mais marcada pelo rock alternativo, com menos elementos eletrônicos. É o tipo de música que seria encontrado facilmente em um MP3 de um emo clássico dos anos 2000. Mas atenção, não se apeguem, a banda não existe mais, infelizmente. 

Zolof and The Rock and Roll Destroyer. Imagem: Divulgação

A próxima banda tem um nome um tanto engraçadinho, e leva nos vocais uma garota. Zolof and The Rock and Roll Destroyer é originária da Filadélfia, e continua na ativa até hoje, ainda pelo selo da Eyeball Records. A vocalista, Rachel Minton, tem uma voz suave que acompanha bem a melodia carregada de sintetizadores. 

“Argh… I’m a Pirate”, tem uma atmosfera suave e que te faz imaginar tranquilamente que a música poderia ser parte de uma trilha sonora de filme adolescente. Apesar de tranquila e com sintetizadores que acompanham a melodia – junto dos backing vocals – os riffs são animados e bem construídos. De acordo com os membros, a música pode ser classificada no estilo “spunk rock”,  mas suas influências estão mais pautadas no estilo pop que também estava crescendo na época.

“This Was All a Bad Idea”, faixa que fecha o disco, tem mais guitarras e baterias marcadas, sem muitos sintetizadores para deixar a música mais elétrica. Os riffs são bem colocados e planejados para acompanhar a letra, e o uso dos backing-vocals são bem aproveitados. A pegada da banda lembra até um pouco o primeiro disco de estúdio do Paramore, o All We Know is Falling (2005), com nuances mais alegres e felizes, diferente do disco citado. 

Talvez a referência venha mais pelas guitarras e a voz suave de Rachel, uma vez que vocais femininos dentro da cena não são tão comuns assim. Outra banda que pode ter influenciado a Zolof, como é popularmente conhecida no meio, é a banda de punk-rock feminino Bikini Kill, que trazia letras pautadas em feminismo e empoderamento feminino em pleno boom dos anos 1990 – época em que ainda era pouco comum ver mulheres no comando de bandas de rock -, apesar da grande expressão de bandas como Hole, que tinha Courtney Love nas guitarras e nos vocais.

Para conferir toda a tracklist do disco de compilações “Now That’s What I Call Eyeball” (2002), acesse a nossa playlist completa no YouTube:

A Pauta dos Leitores é um projeto idealizado pelo Fake Your Death Brasil, e que visa trazer assuntos que sejam do interesse de nossos leitores. Para participar das votações que acontecem todo mês, siga o FYDBR nas redes sociais:

Beijos da G. e até a próxima!

1 Comentário. Deixe novo

  • No Clue At All
    24 de maio de 2021 04:21

    Quanta pesquisa! O artigo está bem legal, explorou bem as pautas propostas e obviamente está bem escrito. Guess who!

    Responder

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