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Resenha Especial: Acústico ALT 98.7 – LA’s New Alternative – I Heart Radio

O Fake Your Death Brasil preparou uma resenha exclusiva sobre o pocket-show realizado em 2011 pelo My Chemical Romance no rooftop de uma rádio em Los Angeles.

Texto por: Gabriela Reis
Edição por: Marina Tonelli 

Durante a era Danger Days, o My Chemical Romance fez um pocket-show na Penthouse da rádio ALT 98.7 – LA’s New Alternative – I Heart Radio. Aparentemente, eu sou uma das únicas pessoas vivas neste mundo que gosta desse acústico, então seria muita indelicadeza da minha parte não fazer uma matéria robusta sobre ele. 

Antes de começarmos as críticas, acho que é importante sabermos o que diabo é a tal da ALT 98.7 – LA’s New Alternative. Se você é bom de dedução, é claro que já entendeu que essa é uma rádio de rock alternativo baseada na Califórnia. Mas ela tem uma história interessante que vale a pena contar. 

Fazendo um contraponto, podemos dizer que, diferente daqui, os EUA cultuam as rádios de forma diferenciada, e o mercado radiofônico de lá até hoje não morreu, pois as mesmas emissoras se reinventaram e conseguiram se sobressair, se unindo à Internet. Que foi o caso da ALT 98.7, que não tinha um nome tão descolado assim na época.

A ALT 98.7 nasceu em 27 de maio de 1948, com o nome de KMGM, propriedade da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), aquela mesma dos filmes que aparecia o leão rugindo. Se você é cria dos anos 90, provavelmente já deve ter visto um filme com essa marca. Suas operações da época foram suspendidas em 1953, e a MGM vendeu o estúdio da rádio e o transmissor para Art e Jean Crawford, que trouxe a rádio de volta à ativa em 1954, levando o nome de KCBH. O casal que era dono da rádio também mantinha uma loja e usava o espaço como estoque e uma biblioteca de registros da estação. 

Em 1970, a rádio ganhou o nome de K-Joy. Seis anos mais tarde, ela foi adquirida pela Command Communications e se manteve ativa por quase duas décadas. Em 1989, a rádio parou de tocar músicas instrumentais e passou a trazer músicas que eram chamadas de “adulto contemporâneo suave”, levando o apelido de “Touch 98.7”. 

Na década de 1990, mais precisamente em 1992, a rádio ganhou o nome de “Star 98.7”, e foi evoluindo seu repertório desde então para o rock alternativo, tirando um pouco os ritmos de jazz que eram comuns anos antes. Alguns anos mais tarde, já em meados de 2000, a ALT 98.7 começou a competir com a KROQ, outra rádio bem famosa que já comentamos em nosso Twitter. Nessa época, a 98.7 se empenhava em tocar sucessos de bandas como Nirvana, Green Day, Red Hot Chilli Peppers, Pearl Jam, REM, entre outras. 

Atualmente a rádio tem podcasts online e ainda toca músicas regularmente, além de manter um site com notícias que pode ser acessado aqui

Contexto dado, vamos à resenha.

Gerard cantando com a banda ao fundo. Imagem: Reprodução

O show aconteceu numa tarde ensolarada de Los Angeles, Califórnia, em uma cobertura de um hotel – aparentemente – com alguns fãs convidados pela rádio. O show é curto, com apenas seis faixas, e carrega uma atmosfera mais intimista, coisa comum em acústicos. Eu sempre curti muito shows assim, que mostram um pouco mais de vulnerabilidade da banda, ainda mais por se tratar do My Chemical Romance, que sabemos, é uma banda de estádio, e não de shows intimistas – a menos que eles sejam em casas de shows pequenas e cheirando a mofo, como foi o caso do show de Hoboken no The Black Parade is Dead!, mas isso é papo pra outra história. 

Meu sonho sempre foi ver o MCR performando um acústico nos moldes da MTV, com aqueles cenários tão bonitos e a plateia colocada em círculo. Quem acompanhou os shows desse tipo durante a infância/adolescência, sabe bem do que estou falando. Mas como nem tudo nessa vida são flores, a gente vai analisar esse acústico que é… Digamos… Bem mais morno do que eu esperava.

A primeira faixa escolhida pelo My Chem foi “Helena”, do disco “Three Cheers for Sweet Revenge” (2004). Antes de começarem a tocar, Gerard fala que a banda nunca tinha feito isso antes e essa era a “primeira vez”. Mas ele se desmente em seguida, dizendo que eles tentaram uma vez e a banda tinha apenas 3 meses de estrada. Claro, como que ele queria que os gritos grutais de “I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love” (2002) ficassem bons apenas com um violão, um baixo e uma bateria com 1 ⁄ 2 tom abaixo? 

De qualquer forma, ele garante que dessa vez eles praticaram e Frank completa sua frase dizendo que “vai ser ótimo”, com um sorriso gigante no rosto enquanto segura seu violão da Epiphone e seus óculos escuros. 

Gerard Way em entrevista. Imagem: CC!M Photography

O ponto mais crucial desse acústico, pra mim, foi a forma como eles conseguiram trazer uma leveza maior para as canções não só com os dois violões – sendo Ray e Frank tocando, obviamente – e o baixo de Mikey (que poderia ter sido substituído por um baixolão, mas talvez não fosse tão impactante ou coeso caso eles tivessem optado por esse outro instrumento). Os teclados de James Dewees aqui fazem toda a diferença, como fizeram nas apresentações ao vivo do MCR durante o The Black Parade e o Danger Days – ainda mais com o uso contínuo de sintetizadores em boa parte das músicas. 

Já comentamos aqui – durante a resenha do Return, publicada ano passado – que a voz de Gerard Way sofreu muitas alterações boas durante os anos, e aqui, pra mim, essa é uma das maiores provas. Ele consegue manter melhor as notas, considerando que as músicas estão em um ritmo um pouco mais lento (chutando talvez quase 2 tons abaixo das originais, ou mais). Ele mantém bem o ritmo em “Helena”, desafinando pouco, mesmo quando a música estoura e pede um pouco mais de força em sua voz.

A escolha das músicas foi bem sábia, na minha opinião, principalmente com a próxima música, que é “Summertime“, do disco “Danger Days: The True Lives of The Fabulous Killjoys” (2010). Essa foi a versão que mais se assemelhou a original, com a diferença que não temos os solinhos de guitarra costumeiros na virada da música, mas eles foram muito bem substituídos pela maestria de Ray Toro nas cordas, mesmo com um violão acústico (elétrico e com cordas de aço), que trouxe a mesma atmosfera para a canção. 

A próxima música, já chegando na metade do pocket-show, é “The Ghost of You”, também do “Three Cheers for Sweet Revenge”. Segundo Gerard, a música foi reimaginada para a turnê do Danger Days, e por isso foi escolhida, pela banda achar que a atmosfera usada para ela durante a turnê do disco, casava bem com a proposta do acústico. 

O que ajuda a música a lembrar a original, novamente, são os teclados de Dewees, muito bem posicionados após a ponte da canção, onde o ritmo estoura e temos a voz de Gerard se sobressaindo um pouco do instrumental. 

Em questões técnicas, não podemos reclamar sobre o show, porque o som estava impecável, tanto nos microfones, quanto nos violões de Ray e Frank. O único que fica um pouco menos em evidência é o baixo de Michael, mas ainda acredito que eles poderiam ter trabalhado um pouco melhor os arranjos do baixista para deixá-lo em maior evidência. 

Antes de começar a música, Gerard pergunta pra Frank se ele está pronto (“Frankie, are you good?”) e ele responde “yeah”. Achei que deveria pontuar isso porque foi um gesto muito fofo de preocupação e sintonia. Ray também faz isso com Iero mais pra frente (e eu morri de amores igual). 

A melodia trazida aqui, pra mim, se tornou até um pouco melhor que a original, presente no “Danger Days: The True Lives of The Fabulous Killjoys”. Não sei se é unânime, mas existe uma lenda que essa é uma das músicas menos queridas do disco. Eu sou suspeita pra falar. Mas achei que a versão com violões deixou a música até um pouco mais animada e menos morna que a versão original. Diferente das outras músicas, o tom da música está bem parecido (se não até mais rápido no refrão) que a original.

Destaque aqui para os solos bem performados por Ray Toro durante a música toda. A única parte que estraga um pouco, na minha opinião, são os teclados de Dewees. Os solos de cordas trouxeram outra vida para a canção que os teclados quebraram um pouco com o solo carregado de sintetizador. 

Banda durante a apresentação. Imagem: CC!M Photography

A penúltima música escolhida foi “Cancer”, a única música do “The Black Parade” (2006). Obviamente, era a única canção que poderia ser transformada em acústica sem muitas mudanças – além de “I Don’t Love You” (mas quem gosta de I Don’t Love You?) – mas ao invés do teclado convencional com um tom de piano mais clássico, nesse caso, temos uma pegada um pouco mais moderna com o baixo de Michael aparecendo de forma mais marcada – pelo menos em uma faixa. 

A última faixa escolhida pela banda foi “I’m Not Okay (I Promise)”, outra escolha do Three Cheers, que pra mim foi sábia e muito especial, porque é uma das músicas que eu mais gosto de tocar no violão – e uma das primeiras do MCR que eu aprendi a tirar -. O ritmo mais lento trouxe a música mais melancolia, sem as guitarras pesadas e os solos marcados da original. 

A voz de Way segue bem aqui, sem muito o que acrescentar. A pior parte da canção, que foi o que destruiu a música pra mim, foi a ponte escolhida para ser tocada com o teclado ao invés das cordas. Se Ray já tinha feito um ótimo trabalho adaptando solos de outras canções, qual seria o problema em adaptar aqui? Ficou faltando um pouco mais de alma para “I’m Not Okay”, mas foi um fechamento um tanto quanto… Nostálgico.

É uma experiência totalmente diferente do que conhecemos o My Chem dos palcos e dos estúdios. É óbvio que o acústico da 98.7 também é um divisor de águas para muita gente, mas, se você assim como eu gosta de acústicos e nunca assistiu ao Penthouse com o My Chemical Romance, dê essa chance. 

Não é o melhor show alternativo do MCR já feito, mas tem um som mais agradável que o Hoboken – e também um cheiro um pouco mais atrativo. 

Para assistir o show, confira nossa playlist abaixo: 

Afinem seus violões e peguem as garrafinhas de água, enquanto eu vou ficando por aqui. 

Beijos da G. e até a próxima!

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