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PAUTA DOS LEITORES #3: O emblemático ataque de 11 de setembro

Matérias

Texto por Malena Wilbert

Revisão de Marina Tonelli

Antes mesmo das 10h da manhã, o dia 11 de setembro de 2001 já tinha sido um dos mais emblemáticos da história recente. 

Às 08h46min, um voo sequestrado da American Airlines atingiu a Torre Norte do World Trade Center em Manhattan, Nova York, um edifício comercial que abrigava escritórios com trabalhadores de mais de 70 nacionalidades. Apenas 20 minutos depois, outro avião atingiu a Torre Sul, destruindo o que era até então a construção mais alta do mundo, um dos símbolos da potência econômica estadunidense. 

No mesmo dia, outros dois voos foram sequestrados: um colidiu contra o  Pentágono, que era o centro do poder militar dos Estados Unidos. Outro foi derrubado ao sul de Pittsburgh, na Pensilvânia, após a tripulação tentar retomar o controle da nave. 

Ao todo, foram 3 mil mortos de diversas nacionalidades, comovendo todo o mundo e mudando o rumo da história e das relações internacionais. 

Torres gêmeas em chamas
/Getty Images

Para o pesquisador brasileiro – Antônio Carlos Lessa, Professor adjunto do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília e editor-geral de RelNet (Site Brasileiro de Referência em Relações Internacionais), e Frederico Arana Meira, editor assistente do mesmo veículo,  os atentados de 11 de setembro tiveram para o mundo a mesma importância que outubro de 1962 teve no contexto da guerra fria, quando o adiantamento da crise diplomática de mísseis soviéticos em Cuba tornou eminente a chance de um conflito nuclear entre  superpotências. 

“Pode ser interpretado [o 11 de setembro] como o início de uma grande inflexão nas relações internacionais contemporâneas, que força a rápida atualização de temas fundamentais, como a segurança internacional […] A tragédia norte-americana reinsere questões relativas à cooperação internacional e às novas noções de segurança internacional no centro da agenda diplomática mundial.

Foi, portanto, uma tragédia que redefiniu políticas, acordos, e economias. 

A atuação da CIA: Ataque inevitável ou erro causado pela formação da instituição?

Já são quase 20 anos e inúmeras teorias – algumas conspiratórias – sobre as causas do atentado, assim como questionamentos sobre como a CIA – um dos serviços de inteligência mais renomados do mundo – não conseguiu evitá-lo. 

A resposta, talvez, seja muito simples, e já estava sendo estudada antes mesmo da tragédia acontecer. Poucos meses antes das colisões, a revista acadêmica International Journal of Intelligence and Counterintelligence publicou um artigo comentando a falta de diversidade na instituição: “Desde o início, a Comunidade de Inteligência [era] composta pela elite protestante branca masculina, não apenas porque essa era a classe no poder, mas porque essa elite se via como garantidora e protetora dos valores e da ética americanos.”

E qual é a relação da falta de diversidade com as falhas cometidas para evitar o atentado? 

A lacuna de uma visão intercultural, como explica a matéria do jornalista Matthew Syed, em um especial para a BBC: “ A CIA poderia ter destinado mais recursos para investigar a Al-Qaeda. Poderia ter tentado se infiltrar na organização. Mas a agência foi incapaz de perceber a urgência […] Para analistas brancos de classe média, isso [as ameaças] parecia excêntrico, reforçando a ideia de um “mulá primitivo em uma caverna”.

Osama Bin Laden / Getty Images

Para entender essa tese é necessário voltar ao ano de 1996, quando Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda,  declarou guerra aos Estados Unidos em um vídeo gravado em uma caverna na cidade de Tora Bora, no Afeganistão. A CIA subestimou as ameaças. Para homens brancos e protestantes de terno, era uma manifestação mal organizada, não digna da atenção de uma potência bélica.

A mesma matéria da BBC informa que “uma fonte da principal agência de inteligência americana afirmou que a CIA ‘não podia acreditar que esse saudita alto de barba, agachado ao redor de uma fogueira, pudesse ser uma ameaça aos Estados Unidos da América“. Richard Holbrooke, alto funcionário do presidente Clinton, disse: “Como um homem em uma caverna pode alcançar a sociedade líder em informação do mundo?”

Porém, a ameaça de Bin Laden era tudo, menos amadora. 

Lawrence Wright vencedor do Prêmio Pulitzer com um livro sobre o 11 de setembro, destacou que as ameaças eram feitas “invocando imagens profundamente significativas para muitos muçulmanos, mas praticamente invisíveis para aqueles que não estavam familiarizados com essa fé”. 

 “A anedota da barba e da fogueira é a evidência de um padrão mais amplo, no qual americanos não-muçulmanos – inclusive os consumidores de inteligência mais experientes – subestimaram a Al-Qaeda por razões culturais”.

O impacto nas sociedades (e seus desdobramentos)

Infelizmente, a tragédia não terminou com os três mil mortos. O atentado de 11 de setembro foi o estopim para justificar as guerras do Afeganistão e do  Iraque, que somam mais de 600 mil falecimentos, a maior parte de civis. Nos anos seguintes o mundo viveria em um clima bélico, de tensão, com nacionalismos exacerbados sendo palco para discursos xenofóbicos. 

E, como de se esperar, essa aura também afetou a classe artística. Músicos, pintores, cineastas e poetas sempre buscaram no seu ofício uma forma de enfrentar as mazelas do mundo, deixar registrada sua indignação e inspirar mudanças de panorama. Desde o The Doors até os Beatles, a arte sempre foi uma arma contra a violência, o terror e os traumas, durante diversas épocas da história.  

E, como o público do Fake Your Death Brasil já deve saber, a história do My Chemical Romance também está atrelada a esse acontecimento, como explicou Gerard Way em 2019:

“Tornou-se a minha terapia de transtorno de estresse pós-traumático que todos haviam experimentado desde o 11 de setembro e o processamento disso […] eu peguei o violão novamente e escrevi Skylines And Turnstiles. Então liguei para Matt (Pelissier, primeiro baterista) e depois para Ray. Pegamos Mikey e começamos a desenvolver esse momento “. Três meses depois eles já estavam gravando “I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love”  primeiro disco do My Chemical Romance, lançado em 2002 .

E, é claro, nenhuma obra de arte ou artista está acima das milhares de vidas perdidas em qualquer guerra ou atentado. Nós poderíamos estar consumindo arte que bebe de outras fontes, menos traumáticas, menos violentas. Havemos de convir, a vida mundana já nos dá uma boa porção de dores para serem canalizadas. 

Mas, como infelizmente não podemos evitar algumas tragédias, que bom que temos a arte. Já diria Friedrich Nietzsche: “Temos a arte para não morrer da verdade”.

Por hoje, fico por aqui.

Stay sane and stay safe.

Give ‘Em Hell, Kid.

Beijos, MW.

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