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Dia 22 de março: um ponto e vírgula na trajetória do My Chemical Romance

Editorial

No dia 22 de março de 2013, o My Chemical Romance anunciava o seu fim. O que acreditávamos ser um ponto final, terminou sendo um ponto e vírgula. Oito anos se passaram e hoje relembramos o antes, durante e depois do triste anúncio do término, ressignificado graças à volta da banda à ativa. 

Texto por: Amanda Bittencourt

Edição por: Gabriela Reis

Em 22 de março de 2013, um batalhão de corações emos se quebraram em uníssono quando, depois de um suspeito hiatus e que o projeto do MCR 5 não se concretizasse de fato, nos deparamos com uma triste notícia: o My Chemical Romance havia anunciado a sua separação. Olhando em retrospectiva, não podemos dizer que essa notícia nos tenha pego completamente desprevenidos; os sinais vitais do MCR pareciam se enfraquecer perigosamente, desde o final da era Danger Days. Porém, para os que haviam crescido com esses caras – e também para os que tinham chegado há menos tempo – e tinham criado laços inquebrantáveis graças não só à sua música, mas a um modo genuíno de ser, estar e compreender o mundo, aceitar a realidade de um ponto final era deveras doloroso.

Mas, quando trabalhamos com arte, especialmente a arte em movimento – ou seja, música, dança, atuação, etc. – o público abraçará a energia que transmitirmos, eventualmente vibrará com toda a paixão que exteriorizemos, mas também perceberá, inevitavelmente, quando nossa entrega, em algum momento, já não seja a mesma de outrora. Principalmente se essa entrega tiver sido especialmente intensa durante toda nossa trajetória, como é o caso do My Chemical Romance. Mas, afinal de contas, estamos falando de seres humanos por trás dos microfones, cordas e baquetas, com suas próprias vidas e batalhas a travar; as falhas nos acompanham e a linearidade da perfeição é uma utopia (e é bom que seja assim). 

Na carta publicada pelo Gerard no dia 25 de março de 2013 – com certeza você que está lendo precisou retocar o delineador depois de ler as palavras do nosso devotado vocalista – a qual traduzimos no ano passado, ele nos conta sua experiência no, até então, último show do My Chem: “Eu me apresento quase que de forma automática e algo está errado. Estou atuando. Eu nunca atuo no palco, mesmo quando aparento estar; mesmo quando estou dando mais dramaticidade a performance ou quando estou em um monólogo comigo mesmo.” 

De fato, algo parecia errado, algo parecia não encaixar mais tão bem quanto antes, e o término veio para confirmar essas suspeitas. Por mais triste que possa parecer, e tenha parecido naquele momento em meio à histeria coletiva, uma retirada estratégica a tempo pode se mostrar a decisão correta a longo prazo, para nossa própria saúde física e mental.

E tudo foi nostalgia e melancolia no fandom – além de um ou outro sobressalto patrocinado por enigmas bem no estilo MCR e por vídeos misteriosos que brincavam com nossas expectativas e no fim das contas não eram, de fato, nada demais – até o Halloween de 2019, quando nossos garotos de Jersey anunciaram a volta da banda. Espera aí… Como assim, será que era mesmo a hora de correr de novo com os Demolition Lovers? De colocar a gravata vermelha e tirar a fita adesiva da gaveta para recriar a mítica “maquiagem guaxinim”? De desempoeirar os nossos uniformes de soldados e reunir-nos na black parade? De recarregar as nossas rayguns e voltar a estar a postos no deserto de Battery City? Sim, o momento que decididamente não esperávamos, mas que secretamente – ou não tão secretamente – desejávamos, tinha chegado. 

Não que o final da banda tenha significado em nenhum momento deixar pra trás tudo o que aprendemos e vivemos graças à ela (até porque, aquilo que amamos é parte indissolúvel da nossa essência) mas a sensação de vê-la viva de novo, de fato, e de que seja novamente palpável a possibilidade de experimentar a troca de energia inigualável que ocorre num show ao vivo, é indescritível. Voltaremos, apesar de tudo o que está ocorrendo ao nosso redor, a sentir tudo isso. Trust me.

E assim, o dia 22 de março deixou de ser um dia triste para nós, soldiers e killjoys do MCR. Esse dia não é mais sinônimo de ponto final e sim de ponto e vírgula na trajetória da banda, e também da nossa história com eles. Porque nesses quase sete anos de pausa, eles cresceram e amadureceram como artistas e como pessoas, e nós também o fizemos. Ninguém é mais quem um dia foi, seguindo a lei natural da vida; e como outra lei inexorável, o ponto final algum dia chegará. Mas, por enquanto, aproveitemos que nossos caminhos se cruzaram de novo para continuar construindo essa ideia que, firmemente acreditamos, o My Chemical Romance sempre foi; nossa e deles.  

look alive, soldiers.

xx

AB

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