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Especial Frank Iero: O mestre das cordas e das guitarras + resenha exclusiva de “Heaven is a Place, This is a Place”

Matérias

Na noite de ontem, Frank divulgou uma entrevista que deu para a Premier Guitar onde contou um pouco sobre sua coleção de guitarras. Nessa matéria, a equipe do Fake Your Death Brasil traz um compilado com alguns dos instrumentos do guitarrista e curiosidades exclusivas sobre eles. 

Texto por: Gabriela Reis
Revisão por: Marina Tonelli
Foto em destaque: PH Melo

A coleção de guitarras de Frank Iero é realmente extensa. Do que eu particularmente me lembro do show de São Paulo em 2019, ele usou no mínimo quatro instrumentos diferentes ou até mais – a memória fica afetada quando vai se passando os anos. Mesmo nos shows gravados que a gente vê por aí no YouTube, podemos perceber que, nesse quesito, o guitarrista do My Chemical Romance e homem de muitos projetos não economiza quando o assunto são instrumentos.

Além das várias guitarras que ele guarda secretamente no porão de sua casa em New Jersey, Iero também recebe instrumentos de algumas marcas, até porque ele é pode ser considerado praticamente um blogueiro sobre o assunto. Seu instagram está recheado de vídeos com reviews e fotos dos instrumentos que recebe, sejam eles guitarras, violões ou pedais. 

Como uma pessoa amante desses instrumentos – e muito curiosa também – uma vez fui procurar sobre quais guitarras Frank Iero usava e encontrei um site bem interessante chamado Equip Board, onde você pode procurar pelo nome do seu artista favorito e descobrir tudo o que ele usa em palco e gravação, desde guitarras, pedais, microfones e até amplificadores. Para músicos, curiosos ou um misto dos dois (do qual eu me encaixo), esse site é um prato cheio de informações. 

Nesta matéria, vamos descobrir um pouco mais sobre algumas guitarras usadas por Iero em seus clipes, shows e até aparições em vídeos em suas redes sociais. Se você é curioso como eu, com certeza vai gostar de saber algumas peculiaridades que pesquisamos para vocês. Se você é músico, bom… Prepare seu bolso e seu coração para passar muita vontade. 

Vamos nessa? 

Epiphone Phant-O-Matic

Estar na estrada tocando também tem suas contraindicações e quando falamos de instrumentos, essa lista aumenta no quesito guitarras quebradas durante a turnê e você precisar substituí-las. Depois de anos de estrada, Frank contou nesta entrevista sobre a parceria com a Epiphone e o design projetado por ele para a guitarra Phant-O-Matic, que ocorreu na época do Danger Days, no ano de 2011.

A ideia de Iero para essa guitarra era ter um som parecido com a Les Paul – também da Epiphone – que ele já estava acostumado, mas com um corpo um pouco mais dinâmico e um peso mais leve. Para criar o design de seu modelo assinado, Frank se inspirou na clássica Willshire, lançada pela Epiphone em meados dos anos de 1960 e que passou pela mão de Jimi Hendrix e Bruce Springsteen.

A Phant-O-Matic é feita de mogno e contém detalhes em madrepérola incrustadas na escala feita de jacarandá. Iero tem em sua coleção dois exemplares desse modelo, sendo uma verde e preta, e uma creme que já foi vista em alguns de seus clipes. A escolha do nome para essa guitarra, além do O-Matic – que veio da ponte usada no instrumento – veio de “Phantom”, que significa fantasma, em inglês.

Acima, os dois modelos assinados por Frank da Epiphone. Imagem: Divulgação

Gibson ES-335 Electric Guitar

Essa particularmente, além da O-Matic, é uma das minhas favoritas. Usada por Frank no show do Return em 2019, essa Gibson ES-335 é uma semi acústica – uma guitarra com um corpo oco e duas aberturas na lateral – foi lançada em 1958 e foi a primeira guitarra semi acústica do mercado. Esse modelo é a variação perfeita entre uma Les Paul – um dos modelos mais famosos da marca – e outros modelos posteriores de 1952 produzidas pela Gibson, que possuíam o corpo oco. 

Durante o show do Shrine, Iero usou essa guitarra em Summertime e I Don’t Love You, trazendo timbres mais suaves para suas partes rítmicas na música, que soa bem diferente da versão de estúdio, originalmente tocada com uma Les Paul, que até então, era o modelo favorito de Frank – apesar do peso, como citamos acima. 

Frank também tinha outro modelo parecido com esse, só que da marca Epiphone, que foi leiloada e o dinheiro revertido para a caridade, em novembro de 2019. Essa guitarra em questão estava quebrada e segundo Frank, era uma de suas favoritas da coleção por carregar muitas memórias da época do My Chem. Confira o vídeo em que ele fala sobre a doação postado em seu instagram na época:

Alguns nomes grandes da música já usaram essa guitarra, dentre eles Chuck Berry, Ritchie Blackmore – durante os quatro primeiros discos do Deep Purple -, Noel Gallagher, Dave Grohl, Eric Clapton, BB King e até mesmo o personagem icônico de “De Volta Para o Futuro” (1985), interpretado por Michael J. Fox, o Marty Mcfly, na inesquecível cena final do baile.

A título de curiosidade, essa belezinha está no site oficial da Gibson pela simples bagatela de $ 2.999,00. Confira aqui.

Na foto: Modelo de 1963 divulgado no site Dream Guitars (esgotada)

Les Paul Epiphone Elitist Line (ou Custom)

Esse modelo de guitarra ficou muito famoso por ser um dos favoritos do guitarrista Slash. Ray Toro também é um grande fã do modelo, devido as suas influências em um tipo de rock mais clássico. O modelo originário é da marca Gibson – que é muito mais cara que a Epiphone.

Falar das Les Paul de Iero sem citar Pansy seria uma blasfémia a era Revenge e a própria história de Frank como guitarrista. A guitarra icônica – e outras que ele também usava na época do MCR – é de uma linha premium da Epiphone, muito similar aos modelos da Gibson, que, obviamente, são muito mais caras. É uma guitarra pesada tanto no timbre, quanto no peso. 

Em um vídeo especial que gravou para a Ernie Ball, Frank também contou sobre uma guitarra do mesmo modelo que ele usou para o clipe de “Famous Last Words”, que também é uma Les Paul de cor branca e escudo preto, mas que está toda chamuscada devido ao fogo usado na produção do videoclipe.  

As opções da Epiphone são um pouco mais baratas, existem modelos que dá pra se conseguir no Brasil na faixa dos R$ 2.500,00, mas alguns modelos podem ser bem carinhos, principalmente se sua escolha for uma Gibson. 

Icônica guitarra usada por Iero durante a era Revenge. Foto: Divulgação

Fender American Professional II Jazzmaster (Dark Night)

Como dito na introdução deste texto, Frank Iero se tornou um blogueiro do mundo das guitarras e isso se intensificou ainda mais na pandemia. Um dos seus “recebidos” de 2020 foi a Fender American Professional II Jazzmaster. Uma guitarra com berço no jazz, estilo de música que era o favorito de seu pai e avô, como falamos no perfil de aniversário do Iero no ano passado. Seu tom é perfeito para músicas mais encorpadas e puxadas para o blues, sendo um instrumento bem diferente dos esperados na coleção de Frank. 

Em seu Instagram, o guitarrista falou um pouco sobre a guitarra em um post – e até fez um trocadilho com o nome da cor, fazendo referência ao Batman

“Dia da nova guitarra!!! Obrigado @mschulz83 @fender & @hadji224 Estou muito animado para passar algum tempo com a nova Jazzmaster American Professional II que tem um lindo acabamento Dark (K)Night 😍 🦇. Rapidamente (nota: originalmente ele usou a expressão off the bat, que significa imediatamente em tradução literal) (trocadilho intencional), este sistema de tremolo panorama é super reativo, muito divertido de tocar e manipular. E aquele calcanhar contornado no pescoço é confortável pra caralho e realmente vai salvar suas mãos… não sei quantos de vocês aí têm feito um show com uma JM que escorregou pelo pescoço super rápido e pegou um ponto no meio da palma da mão, mas aquela merda faz sua mão ficar dormente super rápido, vai estragar sua noite, e você vai sentir isso por diiiiias depois. (…) Então, obrigado cientistas da Fender por pensarem nisso por mim! Vou testar mais esses mods pickup quando as crianças terminarem a escola e eu puder aumentar as coisas. mas até então, muito obrigado novamente @fender!”.

Esse brinquedinho lindo e fofo está custando $ 2.724,00 pelo E-Bay atualmente. Ai, que saudade do meu dólar a R$ 1,50…

Yamaha CSF-TA

Por mais que eu ame guitarras e como elas soam, meu primeiro instrumento continua sendo o violão. Quando eu vi o vídeo do Frank falando sobre esse transacústico da Yamaha, eu surtei por dentro. Ele parece um violão simples, mas por dentro ele tem uma espécie de amplificador próprio que aumenta o som dele ao apertar um simples botão. O som é maravilhoso e fala por si só.

Durante o acústico de Natal que Iero participou no ano passado, ele tocou a música Fade Into You, da banda Mazzy Star, e se apresentou com alguns instrumentos, dentre eles esse violão, que pra mim, roubou a cena do cover inteirinho. Confira: 

BÔNUS – RESENHA RÁPIDA
HEAVEN IS A PLACE THIS IS A PLACE

Capa do novo EP da banda Frank Iero and The Future Violents. Foto: UNFD

Durante a entrevista de ontem, Frank falou um pouco sobre seu novo EP, lançado no começo deste ano. Aparentemente, seria seu último trabalho com a banda The Future Violents – um dos projetos mais impactantes de sua carreira solo até então. Pensando nisso, para fechar essa matéria – que era pra ser simples e virou uma bíblia – trouxe um pouco das minhas impressões sobre esse EP que roubou meu coração desde a primeira música que eu ouvi. 

O EP começa com um solo bem grave marcado por um riff de guitarra sedutor (e clean) que é o prelúdio para a melhor música do EP e, eu até arriscaria dizer, a melhor música dos The Future Violents. É difícil comparar esse compilado com o “Keep The Coffins Coming” (2017) que é um dos meus favoritos, mas querendo ou não, é impossível não dizer que Iero e sua banda dos sonhos não fizeram um bom trabalho.

“Violence” é uma das músicas mais icônicas da carreira de Frank e chega muito facilmente no meu top 5. O riff dela é algo que você não espera, a letra muito bem escrita te faz pensar sobre relacionamentos passados e sobre como o sentimento de vingança também nos consome nesses casos. É um abre muito simbólico em termos musicais porque nos faz ver o quanto Iero evoluiu de 2014 para cá como músico e letrista. Cantor… Bom… Existem muitas opiniões diversas, a gente sabe, mas eu sou suspeita para opinar nesse quesito.

Um ponto muito positivo sobre Violence é o uso do backing vocal da tecladista Kayleigh Goldsworthy. No disco propriamente dito, ela teve muito destaque em algumas canções, mas em “Violence”, seus vocais bem suaves trouxeram um toque especial para a música, que para mim, foi a cereja do bolo, literalmente.

Outro ponto a se declarar sobre “Violence” é o uso de uma Fender Squire Jazzmaster Baritone, que possui um som mais grave e que dá uma encorpada na música do começo até o final dela, quando o refrão explode e som passa a ser mais distorcido e digamos… até sujo. Frank conta em uma parte da entrevista ao Premier Guitar, citada no começo desse texto, que seu primeiro contato com a guitarra foi durante a tour com sua banda The Patience, em meados de 2016.

Apesar de ter comprado a guitarra e se apaixonado por ela logo após tocá-la na loja, ele demorou para usá-la em algum disco, apenas trazendo-a para o “Barriers” de 2019, e o EP que vamos falar mais abaixo, “Heaven is a Place, This is a Place”, lançado neste ano. É interessante como ele conseguiu trazer mais experimentações para seus projetos com o decorrer dos anos, deixando sua musicalidade mais fluída e até mais madura, por assim dizer.

Em “Stomachaches” (2014) ele estava muito mais sensível e cru, com guitarras mais simples – como em “.stage 4 fear of falling.” e “.she’s the prettiest girl at the party, and she can prove it with a solid right hook.” -. Já em “Parachutes” (2016), sua raiva e suas emoções transbordaram junto com as guitarras mais sujas em músicas como “I’m A Mess” e “Dear Percocet I Don’t Think We Should See Each Other Anymore”. 

Em “Barriers” (2019), tudo muda quando Frank decide usar outras cores junto da predominante – que seria o amarelo – e isso se reflete na experimentação de vários outros tipos de instrumentos como violino, piano, etc. O EP traz uma banda um pouco mais agressiva nas duas primeiras músicas e uma leveza quase palpável nas duas últimas.

O single do EP, “Sewerwolf” também traz a mesma pegada mais grave que sua antecessora, apesar de ser mais fraca que “Violence” em alguns sentidos. A letra é muito boa e a melodia tem baixos bem marcados com pausas longas na guitarra rítmica, sendo acompanhada pela bateria de Tucker Rule, que lidera o timbre da música praticamente até o fim. Ela tem o momento de explosão, claro, mas pelo menos pra mim, chega muito mais morna aos ouvidos.

Foto: Radio One/Divulgação

A próxima faixa é o cover da música “Losing My Religion”, do R.E.M., gravada para Radio One, e mixada para ser usada no EP. Musicalmente falando, em questão de arranjos, eu gostei muito. Mas em outras partes, essa é minha faixa menos favorita do compilado. Acho que deve ser porque a original já é muito marcante pra mim e, às vezes, temos dessas, quando ouvimos algo por muito tempo, algo novo nos soa estranho aos ouvidos. Mas a minha parte favorita é o bandolim usado por Kayleigh, que, inclusive, é uma excelente musicista.

Record Ender“, que é a faixa que fecha o EP, traz uma melancolia com seu baixo marcado no início. A guitarra estoura em quase 0:40, com riffs bem tristes. Acho que pode ser considerada uma ótima música de fechamento para alguns, mas ela não me pegou ainda como eu gostaria. Ela tem mais de um minuto de introdução – o que eu não acho ruim, de forma alguma -, mas talvez possa ser porque não queria que os Future Violents dissessem adeus para sempre. 

Como sempre, não sei se isso acontece com vocês, eu me pergunto qual será o próximo passo de Frank Iero. O que ele fará em seguida? O que ele está armando? O que está escrevendo? Tudo sempre é uma caixinha de surpresas quando se trata de Iero, no entanto, por mais que o EP tenha sido mediano na minha opinião, tem um espaço especial no meu coração por ter me apresentado a uma das minhas músicas favoritas de sua carreira. 

Depois desse compilado de guitarras e uma resenha rápida, conta pra mim:

Qual guitarra do Iero você gostaria de ter em sua coleção e qual música do novo EP não pode faltar na sua playlist?

Te espero nos comentários!

Beijos da G. e até a próxima.

Ouça o agora o EP completo de Frank Iero and The Future Violents:

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