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“For the Night to Control” completa hoje cinco anos

Entrevistas

Hoje é o quinto aniversário de lançamento do disco “For The Night to Control” (2016), primeiro disco da Electric Century, projeto paralelo de Mikey Way. Para comemorar este marco em sua carreira, o Fake Your Death Brasil trouxe uma tradução da entrevista exclusiva da Kerrang! com nosso baixista favorito.

Tradução por: Amanda Bittencourt
Revisão por: Ariane Santana

Em maio do ano passado, o site da Kerrang! publicou uma exclusiva com Mikey Way. Naquela ocasião, o baixista conversou com Emily Carter sobre os projetos da Electric Century, banda que fundou com David Debiak. Durante a entrevista, Way revelou detalhes sobre o processo criativo do segundo disco do grupo, o qual seria acompanhado de uma HQ, ambos intitulados de forma homônima à banda. Os dois projetos, disco e HQ, foram lançados – depois de um adiamento de aproximadamente cinco meses – oficialmente nos dias 26 e 23 do passado mês de fevereiro, respectivamente.  

Confira abaixo a tradução da entrevista na íntegra.

Mikey Way: Por dentro do retorno da Electric Century

Enquanto a Electric Century se prepara para desvelar seu segundo disco e a história em quadrinhos que o acompanha, Mikey Way revela como tudo aconteceu…

Mikey Way está, diz ele, “no melhor lugar” em que já esteve. Cerca de quatro anos depois do lançamento de seu disco de estreia como a (banda) Electric Century com David Debiak, o baixista desde então mergulhou no mundo dos quadrinhos com Collapser (2020), saiu em turnê com as estrelas texanas Waterparks e, o mais importante, se tornou pai de duas filhas.  Ele tem dedicado uma grande parte de seu tempo à reflexão e acredita que ter filhos o tornou “mais amável e gentil”, além de ajudá-lo a pensar com mais clareza – algo do qual seu trabalho criativo, além da paternidade, tem se beneficiado muito.

Na verdade, se não fosse por esta amálgama perfeita, Mikey poderia ter tido dificuldade para fazer com que seu mais recente e ambicioso empreendimento desse certo: um disco novo em folha da Electric Century e uma história em quadrinhos com o mesmo nome que o acompanha. Trabalhando com David, assim como com a equipe da Z2 Comics, o homem de 39 anos usou o tempo livre que tinha entre as tarefas de pai para criar um novo mundo coeso e fantástico onde essa música e essa história pudessem viver – com ambos chegando no final deste ano.

Conversando de sua casa com a Kerrang!, Mikey se sente grato por onde está agora, não apenas com um novo projeto a caminho, mas porque esse tempo não planejado em casa em meio à pandemia do coronavírus deu a ele a chance de passar ainda mais tempo com sua família (“Estou me divertindo muito observando esses marcos que teria perdido – minha filha de um ano acabou de aprender a andar!”). Fazendo uma pequena pausa na limpeza da bagunça de suas duas “crianças elétricas”, ele abre o jogo sobre o novo disco da Electric Century, como surgiu a ideia da história em quadrinhos e seus planos para o futuro…

Quando a Electric Century apareceu pela primeira vez, e “For The Night To Control” foi lançado com a Kerrang! em 2016, sempre existiu o plano para lançar um segundo disco ou parecia algo mais independente na época? 

“Eu não sabia como o projeto realmente seria. Eu honestamente não sabia se haveria um segundo disco da Electric Century, porque as músicas precisavam existir. Faço um disco quando sinto o impulso, quando tenho uma coleção de músicas para este projeto onde penso, ‘Oh, isto é um disco.’ Parecia que, ao longo de um período de tempo, eu e Dave começamos a reunir esse grupo de músicas enviando áudios do iPhone um pro outro, e era como, ‘Acho que meio que temos um disco…’ Foi o que aconteceu, e começamos a construir tudo o que eu amava. Para mim, tenho que continuar criando algo ou entro em parafuso; tem que haver algo – geralmente relacionado à música, mas estou escrevendo um monte de histórias em quadrinhos agora, o que tem sido uma ótima saída. Eu sinto que, na época, era uma coisa ótima na qual me concentrar. Foi algo criativo de se construir, então comecei a montar o disco com Dave, e ele cresceu e se tornou o que é hoje em um período de, eu acho, dois anos. Acho que começamos a escrever [este disco] em 2017, mas talvez algumas das músicas já existissem quando o primeiro disco estava sendo gravado, e simplesmente não as tínhamos terminado. Há uma em particular que deveria estar em “For The Night To Control” que é realmente a minha favorita neste novo disco; nós a deixamos de fora porque ainda não estava realmente terminada, e estou feliz por termos tido tempo para fazê-la exatamente como eu queria. ”

Houve um momento eureka em que você de repente percebeu que tinha acumulado material suficiente para um disco completo? 

“O momento eureka foi trabalhar em uma música chamada “Alive” com Ray [Toro, guitarrista do My Chemical Romance] quem também produziu o disco. A forma como a gravamos foi David enviando uma espécie de esqueleto de uma música baseado em áudios que ele gravou no Pro Tools, e então ele enviou a sessão para Ray, e eu lembro de Ray me mandando uma ideia para “Alive” – e essa é a música que está tocando no trailer, a do piano. E foi esse o momento: eu fiquei tipo, ‘Uau!’ Fiquei surpreso com isso, porque a demo não soava assim. E eu sinto que essa música deu o tom para todo o disco – para mim, é definitivamente a pedra angular e a âncora para a coisa toda. ”

A conta da banda tweetou em março de 2019 que o disco “já estava gravado”. Isso se refere à última coisa que todos iremos ouvir ou você fez ajustes desde então? 

“Nós ainda estamos fazendo ajustes – fizemos ajustes ontem à noite (risos). Ainda estamos trabalhando, mas estamos dando os retoques finais nele agora. Ray acabou de me enviar algo que foi realmente emocionante.

Que ideia surgiu primeiro desta vez: a história em quadrinhos Electric Century ou o disco? 

“Na verdade, foi o disco. Vou trazer você de volta no tempo um pouco: em 2014, como você se lembra, começou a divulgação para “For The Night To Control”, e então eu fui para a reabilitação – e vocês vieram e me entrevistaram enquanto eu estava na reabilitação. E quando saí, me senti muito diferente sobre o projeto, porque naquela época da minha vida eu estava preocupado com minha saúde mental e minha sobriedade, e não queria sair em turnê. Isso me fez parar por um minuto, e eu pensei, ‘O que é este projeto agora? Eu amo isso, mas não sei o que fazer agora. ‘ Eu tive esse pensamento, ‘Talvez essa seja uma banda fictícia…’ Eu estava pensando em algo na mesma linha de Gorillaz ou Daft Punk, que são fictícias, e eu pensei que poderia criar um mundo onde essa banda pudesse viver. Eu meio que guardei esse pensamento pra depois e, como vocês sabem, lançamos o disco através de vocês, o que foi incrível – e encorajou muita gente a ir em busca de seu CD player (risos).

“Fizemos isso, e eu ainda não tinha vontade de sair em turnê, mas em algum momento pensei: ‘Ei, acho que é hora de seguir em frente’. Não sei exatamente as datas agora, mas acho que no final de 2018 a Z2 me procurou, e um velho amigo meu estava trabalhando com eles, e ele esteve trabalhando em histórias em quadrinhos para atos musicais, juntando os dois – o que eu acho uma ótima ideia. Mesmo desde os anos 70, juntar música e quadrinhos é algo que as pessoas se dedicam há muito tempo. E algo que um dos senhores disse ao telefone, ‘Ei, o que vejo para essa banda é meio como o Gorillaz…’ e eu tive outro momento eureka em que pensei, ‘Foi nisso que pensei!’ Eu queria fazer algo diferente com isso, porque não é o tradicional ‘Aqui está um disco e aqui está sua turnê…’. Não era isso. Mas eu queria que fosse algo divertido, queria torná-lo divertido. Então, quando ele disse isso ao telefone, eu imediatamente pensei, ‘Cara, não acredito que você disse isso, porque na verdade eu tive esse pensamento em 2014!´


“Estávamos todos de acordo, e ele me disse para criar uma história sobre isso (n.t.: sobre o disco). Mas eu pensei, ‘Isso é estranho, porque o disco já está terminado,’ porque normalmente as pessoas fariam ao contrário; a história em quadrinhos viria primeiro, e então você escreveria o disco em torno dela. Então, isso me colocou em uma posição realmente interessante onde foi tipo, ‘Cara, eu tenho que criar um mundo em torno dessas músicas’. Então, eu as ouvi repetidamente e pensei sobre isso por um longo tempo. E o que me chama a atenção sobre Dave é que você pode ouvir a Nova Jersey nele (risos) – ele tem aquela voz, e seus temas às vezes podem parecer muito Springsteen para mim. Eu cresci em Nova Jersey também, e isso me traz lembranças. Imediatamente pensei em Atlantic City, que é um lugar que foi muito importante para a minha infância – eu e minha família passamos muito tempo lá, e íamos lá durante o verão. Eu tinha essa visão na minha cabeça daquele calçadão – embora, na época, eu não tivesse estado lá há décadas – e havia essas belas estruturas de néon em todos os lugares. Isso me fez pensar sobre a nostalgia e como pensamos nessas memórias com carinho, mas talvez se estivéssemos lá não seria tão bom quanto nos lembramos. E então pensei: ‘E se houver uma maneira de você realmente voltar para essas memórias?’ E é daí que veio a gênese da história. ”

Foi um desafio fundir o disco com a história em quadrinhos? Parece que veio muito naturalmente… 

“Veio naturalmente, mas não sei como (risos). Não sei como isso veio a mim tão rápido – simplesmente me ocorreu. Foi um grande desafio, porque é tipo, ‘Crie um mundo onde essa banda possa viver’. Eu sabia que tinha que ser em Nova Jersey, mas acho que talvez sempre quis contar uma história sobre a História de Atlantic  – bem no fundo do meu cérebro, há um desejo por algum tipo de história de fantasia que aconteça lá! Eu acho que é por isso que veio a mim tão rápido.”

Em quais gêneros você está mergulhando neste disco? “For The Night To Control” tinha uma vibe bem anos 80, mas há algo mais que tenha te influenciado musicalmente neste? 

“Eu sinto que há semelhanças entre os dois discos; sempre me inclino para a música dos anos 80 neste projeto, porque sou fascinado por ela. Eu amo a new wave dos anos 80 e o rock britânico…toda aquela era da música tinha essa esperança e esse desejo legal sobre o qual essas pessoas estavam cantando. Foi uma era legal, e ainda havia alguma inocência – e eu sinto que essa pode ter sido a última era em que a música teve essa inocência. Então, a forma como eu exploro isso com Electric Century é, ‘Como você estaria em uma dessas bandas, mas através de uma lente moderna?’ É uma espécie de new wave dos anos 80 através de uma lente moderna. Eu não quero que seja pura nostalgia; Quero que seja palatável para um público moderno, e esse é o terreno criativo no qual a Electric Century vive. ”

Como músico, o quanto você mudou entre os discos? Desde o disco de estreia, você trabalhou com Waterparks e até fez uma turnê pelo Reino Unido com eles e Good Charlotte. Experiências como essa tiveram impacto? 

“Realmente tiveram. Sair em turnê com Waterparks foi uma aventura interessante, porque nunca tinha feito nada parecido, onde não houvesse responsabilidade. Era apenas brincar com meus amigos, e eu não tive que lidar com a imprensa nem nada parecido. E eu realmente tive a chance de explorar as cidades em que estávamos, o que normalmente não acontecia quando eu fazia turnê com o My Chemical Romance porque estávamos muito ocupados o tempo todo. Então essa foi uma visão legal e interessante de uma turnê para mim, e esses caras são ótimos – eu amo muito os Waterparks. Eles são bons caras e têm uma ótima ética de trabalho e uma visão, e você pode ver que eles realmente se importam com tudo nessas músicas. Foi muito bom fazer música com pessoas que pensam como você. E um dos meus lugares favoritos no mundo é o Reino Unido, então eu pude fazer aquela turnê com eles, o que foi muito especial. Foi definitivamente uma experiência diferente por causa da agitação do My Chemical Romance; sair em turnê com Waterparks foi uma aventura mais descontraída.

Quais são seus planos para Electric Century além dos quadrinhos e do disco? Você espera tocar ao vivo quando os shows voltarem? 

“Eu sempre tive isso na minha cabeça! E quase aconteceu algumas vezes: quase tivemos shows da Electric Century. Em algum momento, tenho certeza de que isso vai acontecer – eu adoraria – mas também é um bom momento para maneiras interessantes de tocar, porque não podemos fazer shows tradicionais agora. E talvez isso funcione muito bem com este projeto, porque eu e Dave estamos em duas regiões diferentes. Talvez possamos fazer algo em relação a isso, porque agora é amplamente aceito, então há mais chances de que um show da Electric Century possa acontecer!” 

Electric Century lançará novas músicas em breve.

Vocês podem ouvir o novo disco da Electric Century, sobre o qual o Mikey fala na entrevista aqui.

look alive, soldiers.

xx

AB.

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