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16 anos do lançamento de “Helena”: o amor e ódio que levou o My Chemical Romance ao estrelato

A música que deveria ser uma homenagem a avó do vocalista e do baixista da banda, repercutiu mundo afora por sua estética fúnebre e interpretações errôneas por parte do público especializado. 

Texto por: Marina Tonelli
Edição por: Gabriela Reis

Era 2004 e o My Chemical Romance havia dado grandes passos em direção a novos rumos em sua breve carreira musical. Afinal, não é qualquer banda que se apresentava em uma garagem para algumas pessoas em situação de rua para rapidamente conquistar o cenário underground das casas de show de New Jersey com as músicas viscerais de seu primeiro disco I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love (2002)

Em dois anos eles já haviam dado um grande salto para uma gravadora mais robusta, a Warner Music Group, e já participavam do line-up de festivais de sucesso como a Warped Tour, também ganhando o posto – mais tarde – de banda de abertura em turnês que esgotavam bilheterias com adolescentes ensandecidos, como era o caso da Taste Of Chaos, do The Used, e, algum tempo depois, da American Idiot, do Green Day.

O Three Cheers For Sweet Revenge (2004) foi, de fato, um dos discos mais aclamados do ano de seu lançamento, mas isso se deve muito a dois singles específicos. Além da música com guitarras rápidas, letras sombrias e a entrega na voz do vocalista Gerard Way, o conceito por trás do disco foi muito importante para seu sucesso. Foi uma maldição e uma dádiva. A capa do disco já diz muito a que ele veio, mas não foi suficiente manter todo um conceito tão bem amarrado entre as músicas, na arte da capa ou no DVD que seria lançado logo depois em 2006, o Life On The Murder Scene. Era necessário explorar esse conceito como banda, quem sabe nas vestimentas, nos photoshootings… Abraçar as cores, o sangue, as olheiras que remetiam aos vampiros e zumbis dos filmes de terror que inspiraram a banda para tantas músicas.

E todo esse conceito só foi abraçado de verdade no segundo single lançado do Three Cheers For Sweet Revenge: “Helena”

Mas, como estamos falando de My Chemical Romance, havia muito mais do que um mero conceito visual em “Helena”. A música que abre o disco e normalmente fecha os shows, tinha muito mais a dizer do que as pessoas viram. Enquanto a mídia especializada estava obcecada em criar um movimento emo autodestrutivo, apontando e ridicularizando comportamentos, roupas e afins de qualquer banda que, naquela época, 2004/2005, aparentava ser meramente um pouquinho mais emocional, a banda escolheu uma igreja e literalmente segurar um caixão simulando um velório não para parecer cool, chocar as pessoas e ser depressiva – até mesmo ser chamada de satânica -, mas para fazer uma homenagem a avó de Gerard e Michael Way, Elena Lee Rush que havia morrido no percurso da banda ao sucesso. 

E mesmo que Gerard Way desse várias entrevistas sobre o assunto, não adiantava muito explicar repetidamente que as roupas e o cenário do clipe não eram apenas uma cena sem sentido. Way até mesmo teve que explicar com todas as letras a Louder Than Sound que não tinha nada a ver com satanismo:

“Essa coisa toda do preto e vermelho não tem nada a ver com satanismo, como algumas pessoas disseram”, sorri Gerard, “Entretanto, temos um enorme amor e respeito pelo Senhor das Trevas – Senhor das Trevas mais conhecido como Matt Skiba [nota: vocalista do Alkaline Trio]. Todos esses boatos vieram de um clipe que estávamos gravando, na verdade. Fizemos o vídeo de ‘Helena’ e, como tudo o que produzimos, nós fizemos a direção de arte. E nós gostamos muito do jeito que nos vestimos no vídeo. Na verdade, eu gostei da maneira como pareceu que estávamos uniformizados. Era importante para nós, porque não só a banda tinha se tornado uma gangue, a banda deveria aparentar ser uma gangue também. Não foi uma coisa calculada. Só foi um daqueles momentos que você se olha e diz: “Eu realmente gostei do jeito que nós estamos vestidos”. 

Gerard Way no clipe de “Helena”/Reprodução

Inclusive, o fato de a letra ter sido escrita para a sua avó precisou ser levado ao extremo, já que a mídia simplesmente insistia no assunto sobre a estética do clipe ser algo bizarro e sem explicação. Way foi tão direto com a Spin que parecia estar saturado sobre perguntas sobre qual o motivo de ser um funeral a temática de “Helena”:

“Foi a morte da avó dos Way em novembro de 2003 (a inspiração para a melhor canção do Three Cheers, “Helena”) que empurrou Gerard para uma forma mais perigosa de fuga: “Não consegui lidar com a morte dela”, diz ele, “e tomei meu primeiro Xanax”. Depois disso, foi como criar uma grande bola de neve. Eu me perdia à noite – porque meu cérebro está sempre trabalhando a mil por hora. As pílulas me permitiram relaxar e dormir. Mas depois a cocaína entrou em jogo e tudo acabou.”

Era absurdo como uma homenagem a um momento fúnebre que uma família havia passado se transformou em um circo pela mídia especializada. Sem falar, obviamente, da recepção negativa vinda de outros nichos do rock que achavam toda a “choradeira” do clipe, o ápice da vergonha alheia. Inclusive, sem entender que a música não se tratava sobre amor, sobre a mulher amada perdida, mas uma homenagem. Então eram xingamentos infundados, ridicularizações, mídia caindo em cima falando mil asneiras em um videoclipe que deveria ser simplesmente um ritual de passagem.  

Gerard Way no clipe de “Helena”/Reprodução

Mas se para alguns a receptividade foi negativa, por outro lado, “Helena” foi um sucesso inegável e indiscutível. A estética do clipe influenciou milhões de adolescentes pelo mundo e Tracy Phillips, a bailarina que interpreta “Helena” no clipe, era (e ainda é) considerada um dos ícones de beleza emo, seja devido a sua roupa, a performance no clipe e todas as suas aparições icônicas durante a filmagem. Além disso, a música também faz parte da trilha sonora do filme de terror a “Casa de Cera” que muitos de nós, no passado, assistimos apenas para podermos ouvir com orgulho a música tocar nos créditos finais.

O clipe foi gravado em Los Angeles, na Califórnia, na Immanuel Presbyterian Church e foi dirigido por Marc Webb, que também dirigiu o clipe de “I’m Not Okay (I Promise)” e “The Ghost Of You”. Há cenas muito divertidas no making of das gravações em que Ray Toro nos conta que Frank Iero é muito pequeno para carregar o caixão na cena em que os cinco estão carregando-o pelas escadarias da igreja e que era muito pesado. Frank só estava fazendo pose mesmo, porque carregando de verdade não estava. Vale a pena conferir:

Um dos pontos altos dessa época foi o início da aparição assídua do My Chemical Romance em premiações como VMA, a premiação musical da MTV, e o Kerrang Awards. No ano de 2005 em que eles concorriam com “Helena” em diversas categorias, estava bem acirrado no quesito de escolha, pois bandas como Fall Out Boy, The Killers, Green Day, Foo Fighters e Marilyn Manson disputavam a mesma categoria. 

Mas mesmo que o My Chemical não tenha conseguido levar nenhum prêmio no VMA de 2005, eles fizeram uma apresentação icônica com a participação de uma bailarina como no clipe de “Helena” e eles foram muito bem recepcionados. Quem nunca quis esse vestido?

Já no Kerrang Awards a banda obteve mais sucesso e venceu o Green Day (na época do American Idiot!) e levou para casa o prêmio de melhor disco do ano com Three Cheers For Sweet Revenge, que vendeu mais de um milhão de cópias (em 2005), levando também o prêmio de melhor videoclipe com “Helena”. 

Em 6 de Fevereiro de 2021 o vídeo de “Helena” tinha mais de 128 milhões de visualizações, tendo sido publicado no Youtube 22 de Outubro de 2006. E segundo a Billboard ele ainda ocupa o 17º lugar de melhores clipes do século 21. 

Assista o My Chem recebendo o prêmio da Kerrang dedicando-o a vó Elena:

What’s the worst that I can say?
Things are better if I stay
So long and goodnight
So long and goodnight.

16 anos hein, a velhice vem.

Beijos mafiosos,
MT.

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