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Especial 13 Anos do My Chemical Romance no Brasil: 18/02/2008 Until Forever.

Um sonho que une e uniu milhares de corações.

Texto por: Marina Tonelli
Revisão por: Gabriela Reis

O que mais chama a atenção neste aniversário dos shows do My Chemical Romance no Brasil é que treze anos é a idade de muitos fãs novos que estão em nosso fandom atualmente. Talvez porque eu tenha ficado afastada da banda quando o fatídico “término” aconteceu, eu não tenha visto a renovação de fãs surgir. Mas tamanho foi o meu susto quando reparei as conversas sobre idade Twitter a fora. Outro fato curioso é que treze anos também era a idade que eu tinha quando esbarrei no My Chemical Romance pela primeira vez.

Eu tinha (na verdade, ainda tenho) uma fixação por vampiros e estava fazendo pesquisas sobre o assunto quando encontrei um blog aleatório em que uma garota falava sobre uma música chamada “Vampires Will Never Hurt You”. Eu não sabia onde eu estava me metendo. Naquele momento eu era apenas uma menina que morava no interior de São Paulo, considerada por muitos uma nerd fã de Harry Potter e apaixonada pelo Palmeiras, mas que não saia muito de casa.

Um mundo se abriu a minha frente quando eu encontrei o My Chemical Romance. “Vampires Will Never Hurt You” me atingiu com força. Tinha as estacas, a dramaticidade, o mistério e, de repente, eu queria saber sobre tudo daquela banda. Eu devorei aquela letra como devoraria os livros de Anne Rice. Queria saber quem havia criado aquilo, ouvir mais músicas, saber como eram os shows e, de repente, eu estava imersa em um mundo chamado Three Cheers For a Sweet Revenge (2004).

Acho que eu não preciso explicar como funciona essa imersão. Em um estalo você está querendo usar gravatas vermelhas ou colete a prova de balas, usar sombras que lembram olheiras e criar teorias mirabolantes sobre como o homem está ceifando a vida das pessoas para voltar a sua amada. Mas se fosse só isso… O Life On The Murder Scene (2006) acabava de ser lançado e mesmo sem entender muito inglês na época, eu me senti maravilhada de poder ouvir quase três horas dos integrantes da banda contando sobre suas vidas e a criação das músicas mais profundamente. 

Outro ponto importante aqui é que é impossível não criar uma relação de proximidade com os integrantes do My Chemical Romance. Talvez seja esse o diferencial da banda em relação a todas as outras. É importante falar sobre isso, antes de falar sobre o show no Brasil. 

Por muito tempo, eu convivi com o Gerard, Frank, Michael, Ray e até mesmo Bob. Conviver no sentido de acompanhar os vídeos de shows ao vivo, entrevistas que saiam a muito custo no youtube ou por torrents perdidos que enchiam o seu computador de vírus. Era uma companhia diária. Ouvir o Gerard sendo prolixo mil vezes por dia em cinquenta entrevistas diferentes, me confortava como ouvir uma pessoa próxima que eu nunca tive, por exemplo, na minha família. 

Em momentos de tristeza, muitas vezes quem eu tinha para segurar figurativamente minha mão era o My Chemical Romance. Era como se ver eles rindo juntos, ouvir o Gerard falando “You cannot destroy me”, o Iero destruindo a bateria do Bob, o Ray se divertindo no palco fosse como se eu fosse aceita como em nenhum outro lugar. Eu voltava para casa da escola sabendo que eu tinha quatro pessoas maravilhosas que me fizeram desenvolver por conta própria uma vontade enorme de escrever histórias, de interagir com outras pessoas do fandom, de criar coisas, de amadurecer, com eles servindo de inspiração. Como aqueles irmãos mais velhos chatos gritando da sua orelha ou te fazendo rir na hora certa.   

Então por muito tempo eu me acostumei com a ideia da distância e do irreal. Ver os shows de longe me fazia querer estar em um, mas sempre pareceu irreal na realidade. Naquela época, shows internacionais não eram tão fáceis assim e, mesmo com aquela fagulha de esperança, eu mantinha uma distância segura sobre datas aqui no Brasil. 

Porém, tudo isso mudou quando com uma atualização nas datas da world tour do The Black Parade, o My Chemical Romance anunciou 4 datas aqui no Brasil: 15 no Rio de Janeiro, 17 em Curitiba, 18 e 19 de Fevereiro em São Paulo

Eu escrevi um texto no dia 19 de fevereiro de 2008 e ele me acompanhou durante todos esses anos, guardado a sete chaves e dentro do meu coração sobre a experiência que eu tive no show. Nesta data eu tinha apenas 15 anos e quando leio essas palavras, ainda consigo me sentir do mesmo jeito. 

No segundo episódio do EMOCAST – o qual eu fui falar sobre o show e me debulhei em lágrimas – você pode ouvir mais detalhes sobre como foi a experiência da fila, do momento pré show e muito mais. 

Foto Texto de 18/02/08 – Marina Tonelli

This Is The Best Day Ever – February 18th

Há 3 anos, uma garota encontrou uma banda. Mas não foi qualquer banda, foram cinco garotos que tinham o poder de fazer as pessoas acreditarem em sonhos novamente. O tempo passou e a garota cresceu, assistindo os sonhos de seus heróis se tornando realidade. Mas seu único sonho estava bem longe de se tornar realidade. Mas, como em um piscar de olhos, tudo o que ela havia imaginado se tornou real.

Foi como uma ilusão. Em um dia ela era apenas outra garota em meio a multidão, mas no dia seguinte – em um dia que parecia ser como qualquer outro – ela se sentiu única; completa. De repente, seus garotos estavam ali, em frente à ela, apesar da curta distância, eles finalmente estavam ali de verdade. Eles eram reais, não eram mais um sonho ou uma fotografia. Eles eram reais. Seu sonho finalmente tinha se tornado realidade.

Ninguém além dela soube como doeu assistindo-os ir embora, não sabendo se eles voltariam algum dia. Mas o sentimento de tê-los visto ao lado de pessoas que amava foi muito mais forte quando ela percebeu que não era mais a mesma depois daquele dia.

A banda descrita acima se chama My Chemical Romance e a garota que escreve este texto guarda um imensurável amor por esses cinco garotos que de alguma maneira transformaram a minha vida. 

Através dessas linhas eu deixo todo o meu amor por vocês,

M.  

Eu espero que vocês se sintam assim em breve. Mas vamos aos fatos agora. 

O Anúncio

Grande parte da mídia logo anunciou os shows e as datas aqui no Brasil, porém, devido a época em que a pauta emo estava em alta, no pior sentido possível em que isso possa ser interpretado, o portal Omelete fez comentários sarcásticos do tipo:

 “O grupo liderado pelo aspirante a quadrinista Gerard Way vem ao Brasil pela primeira vez, divulgando seu último álbum, The Black Parade.”

Aqui abro um parênteses para pontuar que Gerard Way já havia lançado o – apenas o primeiro volume, Apocalypse Suite The Umbrella Academy em parceria com o brasileiro Gabriel Bá com ótima receptividade pela mídia especializada em quadrinhos. Sem a menor necessidade do comentário “aspirante a quadrinista”. Confira as reviews sobre quem realmente entende sobre o assunto aqui.

My Chemical Romance no Brasil – Fotografia por Paulo Cássio

A Rolling Stone também divulgou as datas dos shows, dando mais detalhes sobre a produtora que viabilizou os shows de acontecerem nas capitais brasileiras, pois, muitos boatos circulavam a internet, principalmente o a Comunidade do Orkut do My Chemical Romance em que muitas especulações estavam ocorrendo sobre locais onde ocorreriam os shows e dias. A confirmação sobre ter duas datas em São Paulo ocorreu após muitas confusões, devido a alta procura de ingressos. 

No Rio de Janeiro o local escolhido para o show foi o Vivo Rio em que, infelizmente, ocorreu o incidente em que a grade em frente ao palco caiu e o show precisou ser paralizado até que ela fosse restabelecida. Em Curitiba o evento foi realizado na Casa Hellooch e em São Paulo no saudoso Via Funchal que, infelizmente, não existe mais para contar a história. 

Resenhas Sobre o Show

Confesso que foi muito complicado encontrar materiais que pudessem alegrar os fãs que não foram aos shows. Eu gostaria com todo o meu coração de compartilhar uma resenha que eu salvei sobre o show de São Paulo e está no meu arquivo pessoal e uma que encontrei sobre o show do Rio. Infelizmente, como já falei nessa matéria, o My Chemical Romance veio em seu auge, mas a mídia debochou e fez comentários sarcásticos com a relação da banda com o movimento emo. 

Por isso, compartilho estas duas resenhas sobre o que a imprensa achou da vinda do My Chemical Romance ao Brasil.

Segundo o site NCSTOTAL o show do My Chemical Romance no Rio de Janeiro:

“Embalado por um rock poético e sombrio, o quinteto americano My Chemical Romance se apresentou na noite de sexta-feira no palco do Vivo Rio, no Aterro do Flamengo, zona sul carioca. Segundo o site G1, logo na segunda canção, Dead!, a grade que separa o público do palco não agüentou e cedeu. O contratempo interrompeu o show por 20 minutos e, apesar do susto, ninguém ficou gravemente ferido. Depois do incidente, a banda, que é apaixonada por filosofia, punk e filmes de terror mostrou seus sucessos.

Os mais de 2 mil fãs que compareceram à casa de espetáculos curtiram um repertório que incluiu músicas do novo e terceiro CD, The Black Parade, considerado o álbum mais sombrio feito pelo grupo. Na primeira canção, This is How I Disappear, o vocalista Gerard Way, os guitarristas Ray Toro e Frank Iero, o baixista Mikey Way e o baterista Bob Bryar mostraram o som pesado que prevaleceu durante todo o show.

Já os penteados diferentes, o semblante choroso e os olhos pintados dos fãs, na maioria adolescente, reafirmaram o apelo “emo”. (…)

Um dos momentos altos do show foi durante a apresentação de Teenagers, que fez o público cantar em uníssono. Ao término da canção, o baterista declarou o seu amor ao Rio de Janeiro e aos cariocas. O final do show reservou surpresas: as luzes se apagaram e o clima pesado deu lugar ao romantismo. O quinteto apresentou Cancer e, logo em seguida, fez o público se emocionar com Desert Song, acompanhada por um piano. Para fechar a noite com chave de ouro, o grupo tocou Last Famous Words, para alegria de muitos fãs que vieram de longe só para o evento.”

Leia a resenha na integra aqui.

My Chemical Romance no Brasil – Reprodução

E esta resenha perfeita do Ex-VJ da MTV Rafa Losso que transmite absolutamente tudo o que poderia ser dito. Eu salvei no word, não achei e não lembro onde ele publicou, mas fica aqui o meu abraço e a minha gratidão por essa resenha ter existido.

Eu tenho ela guardada há 13 anos, mudando de computador, de casa e de fases da vida. Ela continua me emocionando e hoje eu compartilho ela na íntegra com vocês.  

“Lembra do primeiro show da sua vida?

Não a primeira vez que você saiu de casa, foi à balada e por acaso tinha uma banda no palco. Quero dizer a primeira vez que, enquanto as luzes diminuíam lentamente e abriam espaço para a escuridão absoluta, você mergulhava na histeria coletiva e deixava de ser apenas você.

Gritos, flashes, os primeiros acordes.

Antes de começar o show do My Chemical Romance e que o processo descrito acima acontecesse pela primeira vez para centenas de pessoas no Via Funchal na noite de ontem, os alto-falantes da casa tocavam “All You Need Is Love”. E se os Bealtes tivessem tocado no Brasil no auge da fama?

Os tempos eram outros quando os quatro rapazes de Liverpool redefiniram e ajudaram a formatar toda a cultura pop. Eles nunca tiveram que atravessar o mar de máquinas fotográficas digitais ansiosas para publicar cada detalhe do show por fotologs e comunidades da internet.

Se existe um elo comum entre John Lennon e Gerard Way é a convivência com a histeria adolescente. Imagine o rockstar à noite, tentando dormir, assombrado por milhões de gritos desesperados, acordando de pesadelos em que são confrontados a cada minuto com a terrível verdade, a de que não são os mitos infalíveis disponibilizados no mercado e que acabam por povoar a imaginação dos fãs.

Quando o show começa, ficam claros os motivos pelos quais o My Chemical Romance não é o Beatles, o Stones, o Queen ou o Nirvana. E também fica claro que esse motivos não importam.

Gerard Way avisava: “estou cansado agora. é hora de vocês cantarem”, enquanto os repórteres mais cínicos buscavam completar a pauta “EMO” e ficavam perplexos com a reação ensurdecedora de uma platéia não tão uniforme quanto seus editores gostariam. E todos cantam, com todos os pulmões, a letra de “Welcome to the black parade”:

…”He said “Will you defeat them, your demons, and all the non believers, the plans that they have made?”

Foi apenas mais uma das músicas cantadas do início ao fim, claramente uma parte fundamental da trilha sonora da vida dessa galera.

Mas olhe com atenção, e você vai ver que esse momento do show é mais do que isso. É algo muito aguardado. Não apenas presenciar a banda que já causou tanto impacto, mas o de encontrar outras pessoas prontas para vivenciar o mesmo espírito. Encontrar a sua voz em meio a coletividade, perceber que a solidão do quarto ouvindo aquele disco especial chega ao êxtase quando são tantas pessoas transformando essas letras em palavras de ordem. É a realização de um sonho.

Esse mesmo espírito já foi restrito às comunidades negras do sul dos Estados Unidos, as únicas que conseguiam exorcizar seus demônios e encontrar alívio em sessões de música, dança, e barulho. Isso há mais de 50 anos, antes de Elvis Presley, Bill Haley, Jerry Lee Lewis, e outros nomes que garantiram seu lugar na História como aqueles que popularizaram a loucura chamada Rock N Roll.

Os monstros continuam soltos e atormentando quem insiste na busca por desafios maiores daqueles oferecidos por uma realidade patética. Mas os desafios estéticos são cada vez mais raros em um mundo em que as tendências se consolidam tão rápido quanto um post no Boing Boing, e se perdem tão rápido quanto um novo capítulo de Lost. As novidades de agora já são velhas em algumas horas.

Imagine a angústia de viver a adolescência em um mundo em que raspar a cabeça ou colocar um piercing no nariz não representam ameaça. Pior ainda, são esperadas e previstas por uma sociedade obcecada pela psicanálise.

Eis então My Chemical Romance, representando uma resposta, uma solução. Tocando “Teenagers” e intimando todos a levantarem seus punhos cerrados. Dando um toque, durante “Dead!”, que todos estão empurrando demais a grade, antes que ela caia e machuque alguém.

Quem não gosta fecha os ouvidos, e favorece os ogros babacas que estapeiam qualquer um que seja um pouco diferente. Afinal, participar de uma vanguarda é muito difícil quando nem ao menos um esboço de movimento pode acontecer sem causar rejeição entre os próprios grupos que deveriam apoiar a diferença.

Do palco, a banda mostra seu apoio àqueles que lidam com a rejeição. Quando toca “You Know What They Do To Guys Like Us On Prison”, uma música sobre homossexualismo, manda os caras, e só os caras, tirarem as camisetas e rodarem sobre suas cabeças. E gritarem “Fuck!”. Todos obedecem ao grupo, independentemente de preferências sexuais, transformando o drama em mensagem estética. Fazendo arte.

Há quem diga que rock tem idade, e que divida preferências musicais em grupos. Mas o choque de gerações pode estar perdendo o sentido.

Em noites em que todos cantam uma música como “Cancer” em uníssono, não há como não se identificar com ela.

“The Hardest Part Of This Is Leaving You”.

É a ascensão e a queda. É a continuação de uma história, a passagem da tocha. Na mesma noite em que faço trinta anos, é único.”

My Chemical Romance no Brasil – Fotografia por Paulo Cássio

Setlist dos Shows no Brasil:

  1. This Is How I Disappear
  2. Dead!
  3. I’m Not Okay (I Promise)
  4. Cemetery Drive
  5. My Way Home Is Through You
  6. Mama
  7. House of Wolves
  8. Welcome to the Black Parade
  9. I Don’t Love You
  10. The Sharpest Lives
  11. Headfirst for Halos
  12. Kill All Your Friends
  13. Give ‘Em Hell, Kid
  14. You Know What They Do to Guys Like Us in Prison
  15. Sleep
  16. The World Is Ugly
  17. Teenagers
  18. Famous Last Words
  19. Cancer

Encore:

  1. Desert Song
  2. Helena

Para finalizar, gostaria que vocês vissem esse vídeo que eu achei da Capricho (!!!) com boa qualidade do My Chemical Romance em São Paulo:

Tenham fé, estaremos juntos em breve e realizando nossos sonhos juntos. I mean this.

Beijos mafiosos, 

MT.

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