FAKE YOUR DEATH BRASIL

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Fake Your Death: Uma despedida sincera ou um soco no estômago do fandom?

A última música lançada pela banda completa um ano nesta quarta-feira (de cinzas) e o Fake Your Death Brasil traz em primeira mão uma análise da música e do clipe. 

Texto por: Gabriela Reis
Edição por:
Marina Tonelli

17 de Fevereiro de 2014. Fazia quase um ano que o My Chemical Romance havia anunciado seu fim em março de 2013 e os ânimos no MCRmy estavam bem… Acalourados. Foi nesse clima de tensão em que veio ao mundo a música que deu origem ao nome deste site. Olhando a sangue frio, “Fake Your Death” foi uma música com um tom claro de despedida – como Gerard Way falaria mais tarde após seu lançamento – e seu clipe, que foi usado como trailer para o lançamento da coletânea “May Death Never Stop You” (2014), trazia muito dessa atmosfera de adeus. 

O vídeo começa com um túmulo, onde vemos um busto muito parecido com Gerard Way, vestindo o uniforme da Black Parade. Cravado neste busto está uma data em número romano: MM XX II, que convertido para decimal se torna 2012. Acima dela, podemos ver uma pequena pixação escrito “the end” – o fim – o que nos faz pensar que, na verdade, a banda já teria acabado em 2012, não em 2013, como pensávamos. Provavelmente, fomos os últimos a saber da decisão de por um ponto final na banda (como sempre, claro). 

Ainda na lápide, podemos ver uma foto – também da era do disco “The Black Parade (2006)”, que foi usada como capa do DVD “Live on Reeding Festival”. Ainda com close na foto, apoiada na lápide, podemos ver um copo de vidro e três projéteis de bala prateados na frente, em uma alusão ao “Three Cheers for Sweet Revenge” (2004), provavelmente. 

Imagem: Warner Music/Reprise Records

A nostalgia presente no clipe, seja dos trechos onde eles estão rindo e se divertindo durante as filmagens de “SING” e “Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)”, do disco Danger Days: The True Lives of The Fabulous Killjoys (2010) ou nos trechos mais sérios dos clipes “Welcome To The Black Parade”, “I Don’t Love You” e “Famous Last Words” do disco The Black Parade (2006) e “I’m Not Okay (I Promise), “Helena” e “The Ghost of You” do disco Three Cheers For Sweet Revenge (2004) contrastam com a música de letra forte que analisamos brevemente no quadro “O Estranho Mundo de Way”, presente no primeiro episódio do novo Emocast

Vale pontuar que o final do clipe é, com o português claro, de um mal gosto inenarrável, pois obviamente a cena do caixão de Helena carrega uma simbologia forte de que a banda foi enterrada, junto dos fãs. Já o close no rosto de Gerard Way fechando a porta do carro funerário é, no mínimo, colocado ali com o intuito de que ele estaria olhando para todo o resto do fandom e do que a banda construiu e colocando tudo em um caixão, fechando-o em um túmulo que carrega seu próprio busto como lápide.

Imagem do encarte do CD “May Death Never Stop You”/Divulgação

A metalinguagem do My Chemical Romance se fez mais do que presente neste clipe que tanto é uma ode à vasta carreira da banda, quanto uma despedida nada sutil aos fãs fiéis que eles conquistaram durante os anos. Segundo Gerard Way, que na época do lançamento se pronunciou em seu Twitter sobre a coletânea “May Death Never Stop You” de acordo com o site Gigwise, a faixa inédita que é também a primeira do disco é um elogio à carreira do My Chemical Romance e seria – o que até então, não sabemos ainda se é ou não – a última música lançada pela banda: 

“Eu considero ‘Fake Your Death’ a ‘última música do MCR’ e, para mim, é com certeza a última colaboração musical entre os membros da banda. (…) O que não era tão óbvio naquela época era que a música serviria como um tributo para a banda, mas eu deveria ter reparado isso desde a composição da letra. Eu acho que internamente eu percebi isso, porque senti uma sensação ímpar de tristeza e perda, ao ouvir as palavras dos primeiros versos da música. Eu também senti um estranho sentimento de orgulho sobre quão honesta era aquela música e não conseguia me lembrar de quando a banda havia gravado algo daquela natureza; sendo tão autoconsciente. Terminar a banda parecia ser algo honesto e ser honesto sempre traz o sentimento de novidade. Então, a música existirá para sempre e não é um ato de covardia gravar algo dessa natureza, mas um serviço a ser feito por quem acreditou nessa banda que não se comprometeu; um aceno de adeus para todos. E sim é de de cortar o coração para um caralho. E enquanto eu não acredito na letra do refrão agora no presente – eu acreditava quando quando compus, o que eu acredito que seja um dos dos ingredientes essenciais para a música do MCR. É através dessa crença, e a de vocês, que nós somos capazes de conquistar vários coisas lindas.” 

É claro que as teorias borbulharam após o lançamento da faixa e a espera pela volta da banda durou bons anos, mesmo que a falta de esperança de todos nós estivesse presente a cada 22 de março até o ano de 2019, quando milagrosamente no Halloween, eles decidiram que era hora de voltar, quase sete anos depois de deixarem a gente esperando igual idiotas.

O site Mind Equals Blown trouxe uma crítica dividida em dois pontos de vista por dois críticos diferentes, o que achei interessante de trazer para a discussão. A colunista Heather Allen trouxe uma comparação do My Chemical com o Fall Out Boy que em seu hiatus pós-lançamento do disco “Folie à Deux” (2008), lançou o Greatest Hits “Believers Never Die” (2009), com duas faixas inéditas.

Fall Out Boy (2020) x My Chemical Romance (2010). Imagem: Divulgação

Eu sempre acreditei – por mais que a vida me fizesse de trouxa quando o assunto é MCR – que eles seriam como o Fall Out Boy. Mas diferente do FOB, que voltou à ativa com um disco novo e cheio de conceitos no mesmo ano que o My Chem se retirou dos holofotes, o MCR preferiu os palcos aos estúdios. 

Mas voltando à crítica, Heather também cita o uso do piano na faixa “Fake Your Death” e compara a música a uma versão bem mais fúnebre que o single homônimo de 2006, “Welcome To The Black Parade”. Para ela, a letra em conjunto com a melodia, traz também pequenos detalhes de como foram os últimos dias de “vida” da banda, e como o grupo então se dissipou até declarar seu fim fatídico (com um post mequetrefe no blog da banda).

Já o autor Creigh Roxburgh teve outra impressão do single e disse que esperava algo muito mais brutal e passional vindo do My Chemical Romance. Segundo ele, a banda adotou uma persona “mais do mesmo” ao fazer uma canção cheia de simbologia e metalinguagem, quando, na verdade, o encerramento perfeito para eles seria algo muito mais agressivo e cheio de esperança.

Se posso dar minha opinião sobre a fala de Creigh, acredito que ele não entendeu muito bem o propósito, apesar de dizer que sabe o que significa a escolha de palavras proferidas por Gerard Way em cima da melodia do piano composta por James Dewees. Acompanhando a trajetória vasta do MCR, eu particularmente defendo que eles estavam cansados demais para fazer algo agressivo, e, vindo deles, eu não esperaria menos que um mistério bem amarrado em palavras escolhidas a dedo para nos deixar com esperança com apenas um título.

My Chemical Romance ao vivo, era The Black Parade (2006). Imagem: Divulgação

Apesar desse clipe me deixar com raiva e dessa música me fazer chorar, acredito piamente na verdade que ela traz consigo, como toda música do My Chemical Romance trouxe, em todos os discos lançados de 2002 até 2010. A carreira vasta que eles cultivaram – e que foi interrompida pela pandemia bem em vias de vermos eles em ação nos palcos novamente – foi relembrada com classe em uma música amena e tranquila, apesar de dolorosa. 

Ouvir esse single dói e ver o clipe nos traz certa raiva porque parece que tudo foi milimetricamente escolhido para nos fazer chorar nos pontos certos, para nos fazer lembrar dos momentos em que mais precisávamos deles e lá estavam os quatro, esperando por nós em nossos alto falantes ou fones de ouvido, prontos para nos abraçar com suas letras e suas melodias fortes, mesmo sem nos conhecer. Nos trazendo para casa de forma acolhedora. 

Fake Your Death foi o final do My Chemical Romance em 2014, mas se tornou um começo em 2019. Eles voltaram da morte e trouxeram nossa casa de volta, e, com eles, nós nascemos em Março de 2020, para nunca esquecermos que o My Chem sempre foi e sempre será maior que qualquer hiatus, fim ou música de término. É uma ideia que se mantém viva através de todos nós, em cada cantinho do mundo.

Keep running, MCRmy.

Beijos da G. e até a próxima.

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