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PAUTA DOS LEITORES #1 – Referência a filmes de terror e horror usadas pelo MCR

Na primeira edição do especial da escolha dos leitores, traremos uma análise sobre a influência inegável do My Chemical Romance: os filmes de horror.

Texto por: Gabriela Reis
Edição por: Marina Tonelli

Que o My Chemical Romance tem muito repertório para criar conceitos aclamadíssimos, a gente já sabe, mas hoje, vamos mergulhar um pouco mais a fundo nas influências da banda com relação a filmes e livros do gênero.

Falar sobre influência de horror na música seria impossível sem antes citar os Misfits, banda formada em 1977 por Glenn Danzig, na cidade de Lodi, New Jersey. A banda é considerada uma das pioneiras do horror punk, gênero que mistura a agressividade do punk com influências caricatas aos filmes de horror e terror da época, seja nas letras das músicas, nas vestimentas ou nos videoclipes.

Logo da banda Misfits

Mas, afinal, de onde surgiu o gênero que então inspiraria os garotos de Lodi no final da década de 1970 e que também inspiraria outros garotos em Newark 25 anos depois? O terror (ou horror) já estava presente em histórias folclóricas e religiosas, com seres fantásticos e perigosos como vampiros, bruxas, lobisomens e demônios. Com o passar dos anos as histórias evoluíram e os gêneros foram se modificando.

Do século XVIII até uma parte do século XX, o gênero na literatura era chamado de terror gótico, mudando suas nuances de acordo com o passar dos anos. Um fato interessante é que durante o século XVIII, a maioria das histórias eram feitas por mulheres. Alguns nomes do terror gótico viraram clássicos e continuam sendo citados até hoje, são eles: Edgar Allan Poe, Mary Shelley e H.P. Lovecraft. 

Anos mais tarde, Stephen King tornou-se um dos pioneiros no que chamamos de terror contemporâneo, onde dominou o terreno se tornando o mestre do horror com títulos como: Carrie, sua primeira produção lançada em 1974; O Iluminado, livro lançado anos mais tarde em 1977 e It, a Coisa, romance lançado em 1986

Stephen King. Foto: Divulgação

Não tardou para que o gênero se tornasse parte da indústria cinematográfica e ganhasse cada vez mais espaço na cultura pop e no imaginário de muitos de nós com zumbis, vampiros, lobisomens e bruxas. Com o passar dos anos, o gênero literário foi crescendo e se modificando e o cinema não ficou para trás. Grandes títulos da literatura ganharam mais espaço após adaptações cinematográficas, principalmente a partir dos anos 20, quando a Universal criou um universo de Monstros Clássicos. De lá para cá, o gênero só evoluiu e se reinventou para continuar em alta com os mais diversos subgêneros. 

AS INSPIRAÇÕES EM LETRAS, VIDEOCLIPES, CONCEITOS & AFINS 

O primeiro disco de estúdio do My Chemical Romance, o I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love (2002), traz consigo muitas referências a filmes de terror e horror tanto em dois de seus clipes, quanto em algumas de suas músicas. Mas antes mesmo do Bullets, o My Chem já estava com um pézinho bem fincado no terror gótico. 

A capa do raro EP  “Like Phantoms, Forever” (2002), desenhada por Gerard Way, traz a releitura do cartaz do filme “Tomb of Ligeia”, que no Brasil levou o nome de “Túmulo Sinistro”, lançado em 1964. O filme, como comentamos anteriormente em uma thread em nosso Twitter, é uma adaptação do conto escrito por Edgar Allan Poe.

Foto do EP: Like Phantoms, Forever (Eyeball, 2002) x Pôster do filme Tomb of Ligea (1964)

Uma das referências mais icônicas está no single “Vampires Will Never Hurt You”, que traz influências claras aos vampiros clássicos da literatura, como visto no verso: “And if they get me and the sun goes down into the ground / And if they get me, take this spike to my heart and (…)” em tradução livre: “E se eles me pegarem e o sol se pôr / E se eles me pegarem, enfie esta estaca em meu coração e (…)”.

O clipe da música também remete a um filme famoso do gênero, Nosferatu, que teve sua primeira versão lançada em 1922. A meia luz dos takes do clipe remetem ao filme bem como a maquiagem marcada do vocalista Gerard Way:

Outra música, ou melhor, clipe, com inspiração em um filme de horror é “Honey, This Mirror Isn’t Big Enough For The Both of Us”, que carrega fortes influências do filme japonês de 1999, Audição, com direção de Ikashi Miike. A produção conta a história de um viúvo que está à procura de sua nova esposa. Após aceitar a oferta de fotografar garotas, ele acaba por descobrir que a sua candidata favorita, não é quem ele pensa ser. Considerado por muitos um dos filmes mais aclamados do cinema de horror japonês, Audição ganhou prêmios e até inspirou outras produções. A nota do filme no IMDb é de 7,2.

O trailer e o clipe do My Chemical Romance são bem similares e segundo a colunista do Horror Movie Talk, é uma breve síntese (e até menos incômoda) das cenas do filme. Confira abaixo o clipe e em seguida assista o trailer do filme. 

Ainda na era Bullets, a música “Early Sunsets Over Monroeville” tem inspiração direta com zumbis, especificamente os do filme “Dawn of the Dead”, ou em português, “Madrugada dos Mortos”, dirigido por George A. Romero e lançado em setembro de 1980 (nos cinemas brasileiros). 

No trecho: “Late dawns and early sunsets/Just like my favorite scenes/Then holding hands and life was perfect/Just like up on the screen/And the whole time while always giving/Counting your face among the living (…)”  e “Running away and hiding with you/I never thought they’d get me here/Not knowing you’d change from just one bite/I fought them all off just to hold you close and tight”, a referência remete ao plot do filme de Romero, onde os protagonistas em meio a tentativas de se salvarem do apocalipse zumbi, atiram em suas cabeças no Monroeville Mall, localizado na Pensilvânia. 

Em tradução livre: “Amanheceres atrasados e pores do sol adiantados/Como nas minhas cenas favoritas/Andando de mãos dadas, a vida era perfeita/Como nos filmes/E todo tempo enquanto dava/Contando seu rosto no meio dos vivos” (…) “Correndo e me escondendo com você/Eu nunca achei que eles me pegariam aqui/Não sabia que você mudaria depois de uma única mordida/Eu lutaria com todos apenas para abraçar você forte”.

O próximo disco de estúdio, que deu o primeiro pontapé do My Chem em direção ao sucesso, também carrega um conceito digno de filmes de horror. Segundo Gerard Way, esta é a história por trás do “Three Cheers For Sweet Revenge” (2004)

“O conceito do disco conta a história de um homem e uma mulher que foram separados pela morte no meio de um tiroteio, ele vai para o inferno apenas para descobrir pelo diabo que sua amada ainda estava viva. O diabo então diz que ele pode voltar para a Terra, contanto que ele lhe traga as almas de 100 homens maus. Então, o diabo entrega a ele uma arma e ele diz: ‘Eu vou fazer isso’. Essa era a ideia por trás do conceito, o disco acabou sendo muito mais sobre perda e vida real do que qualquer coisa, então eu diria que é um bom meio termo”.

Ainda no Three Cheers, a música “To The End” tem clara identificação com o conto “A Rose for Emily” (tradução livre: Uma Rosa para Emily), escrito na década de 1930 pelo escritor americano, William Faulkner. A referência fica clara no trecho: “If you marry me/Would you bury me?/Would you carry me to the end?/To the vows you take/(And say goodbye) To the life you make/(And say goodbye) To the heart you break/And all the cyanide you drank” (tradução livre: Se você se casar comigo/Você me enterraria?/Você me carregaria até o fim?/Então diga adeus aos votos que você fez/(E diga adeus) para a vida que você tinha/(E diga adeus) ao coração que você quebrou/E a todo o cianeto que você bebeu”).

A música “Helena (So Long & Goodnight)”, feita por Gerard Way em homenagem a sua avó Elena Lee Rush, também presente no disco Revenge, fez parte da trilha sonora do filme “A Casa de Cera” de 2005, dirigido por Jaume Collet-Serra, se tornando assim mais uma ligação da banda com o gênero.

Vale também lembrar que a banda teve uma experiência bem tenebrosa enquanto gravava o disco “The Black Parade” (2006) na Paramour Mansion, como comentamos anteriormente neste post sobre o disco. O mesmo também contém influências no gênero do horror, como Gerard alegou previamente em seu Twitter

Recentemente, uma matéria da AltPress trouxe à tona mais uma referência a filmes de horror em músicas do My Chem. A faixa “Welcome to The Black Parade” tem a introdução muito parecida com uma música tocada no piano durante o filme “House”, uma produção japonesa datada do ano de 1977 e dirigida por Nobuhiko Obayashi. Confira a sinopse: “Uma estudante e seis de suas colegas de classe viajam para a casa de campo de sua tia, que está encantada”. O filme possui a nota de 7,4 no IMDb e obteve uma ótima recepção na época de seu lançamento. Para ver o vídeo em que a fã mostra a relação entre as músicas, clique aqui.

E então killjoys, quais das relações acima vocês já tinham conhecimento? Conta pra gente nos comentários!

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A pauta deste mês é uma cortesia dos nossos leitores e é dedicada à redatora que seria responsável pelo tema durante este mês (e umas das maiores fãs de Poe que eu conheço): Marina Tonelli.

Beijos da G., e até a próxima.

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