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“Kids From Yesterday” completa 8 anos e continua sendo um hino atemporal para os fãs

Editorial
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Há oito anos o My Chemical Romance lançava seu último single, “The kids from yesterday”.  No editorial de hoje, falamos um pouco sobre o significado da canção. 

Texto por: Malena Wilbert
Revisão por: Marina Tonelli

Quem já cuidou de crianças sabe que, às vezes, o melhor que podemos fazer por elas é deixá-las chorar. 

Isso porque nós nascemos querendo o mundo, acreditando que ele nos pertence. O primeiro coração quebrado, a primeira perda, os primeiros “nãos”, são sempre os mais difíceis, não temos os recursos para lidar com isso. Depois, em retrospecto, você consegue olhar para essas experiências com um pouco mais de gentileza: perder a ingenuidade tem um sabor agridoce. 

É quando nós realmente podemos ouvir a música. 

Isso acontece a partir do momento que temos bagagem emocional o suficiente para nos conectarmos com o que o outro sente, entendermos suas frustrações, medos, angústias e paixões. Afinal, compor, cantar, ou fazer qualquer tipo de arte, nada mais é do que uma forma de canalizar e expressar sensações que, na maioria das vezes, não podem florescer no campo racional. 

Como podemos realmente ouvir enquanto não soubermos do que eles estão falando?

Mais de uma década entre vans destruídas e ônibus de turnê devem ter ensinado isso ao My Chemical Romance. Estamos falando de quatro jovens que tiveram que aprender todas essas coisas com os holofotes sobre eles, luzes brilhantes ofuscando o processo doloroso que é crescer. E, como uma das bandas com um dos fandoms mais fiéis (estamos falando do grupo que conseguiu vender todos os seus ingressos em segundos, mesmo depois de anos inativo), eles viram isso acontecer com aqueles que os acompanhavam desde o ínicio também. De cima do palco, Gerard, Frank, Mikey e Ray viam nossos rostos perderem as feições infantis. 

Eles deveriam saber que também estávamos quebrando, aos poucos, para construir uma estrutura mais robusta com os pedaços destroçados. 

The Kids From Yesterday, último single lançado pela banda, prova que eles tinham  sim essa consciência, a de que estávamos crescendo juntos. A música é um lamento, uma comemoração e um presente, simultaneamente. 

É como o abraço daquele amigo que entende o quanto viver é assustador, doloroso e confuso. É aquela risada parecida com um soluço que você dá durante uma crise de choro, quando percebe que a dor excruciante no peito é parte intrínseca da sua jornada.  Então você seca seu rosto e segue em frente. 

Seguimos firmes, sem olhar para trás, pois, diferentemente de ontem, não somos mais crianças.

Temos que estudar, trabalhar, cuidar de nossas casas. Alguns de nós já têm filhos. Mesmo o grupo mais jovem de fãs (aqueles que se apaixonaram pelos garotos de Jérsey enquanto eles ainda fingiam sua morte), já começa a dar seus primeiros passos sozinhos, a perceber que não podem parar de respirar. 

Acredito que muitos de nós tínhamos medo de que a música perdesse o sabor quando nossa vida fosse rodeada de compromissos, reuniões, tarefas e responsabilidades. É o que queriam que acreditássemos.

Talvez, para vários, essa foi a realidade. Mas uma parcela conseguiu levantar um grande dedo do meio. Verdade seja dita, nós, os millennials e a geração Z,  herdamos um mundo caótico de nossos pais. Vivemos uma crise econômica, ecológica e, mais pungentemente, sanitária. Sendo nós as crianças de ontem, caiu sobre nós a responsabilidade de consertar essa bagunça para as de hoje e as de amanhã. Cada coletivo, projeto artístico independente e luta pelos direitos adquiridos está aí para provar que, no mínimo, estamos tentando. Mesmo com todas as dores inclusas no processo de amadurecer, tiramos um tempo para isso. No meio do nosso próprio caos e angústia, estamos tentando.

Vamos viver para sempre nas luzes que criamos. Cada pequeno ato, aqueles que parecem insignificantes no macro, são sementes que estamos plantando. Não será em vão. 

Nós estamos aqui hoje, e não vamos parar de respirar. Vamos gritar isso bem alto, até que nossos corações quebrados parem de bater. 

We are the kids from yesterday, today.

Eu e meu coração quebrado ficamos por aqui. E, dessa vez, com uma assinatura um pouquinho diferente.

Give ‘Em Hell, Kid
Beijos, MW.

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  • eu lembro a primeira vez que ouvi essa música. eu lembro claramente, como se fosse ontem, como ela me fez sentir. o sentimento de resolução, compreensão. a realização de que ei, não é só você que se sente mais completa quando uma música bonita toca, você não tá sozinha no seu coração partido; aquele entendimento da passagem da vida, rápida e estranhamente bonita que eles capturam tão bem com lirismo e instrumental. eu escolhi a banda certa pra amar ❤️ lindo artigo, pessoar 💘💘💗

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