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Especial Danger Days: Uma viagem ao deserto distópico de Battery City

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Na última parte do especial, trazemos todos os detalhes sobre os personagens e a construção de mundo pensada pelo My Chem para seu último CD de estúdio.

Texto por: Gabriela Reis
Edição por: Ariane Santana e Marina Tonelli
Imagem em destaque: Renee Harrison/Divulgação

Ame ou odeie, é impossível negar que o conceito do quarto disco de estúdio do MCR, o Danger Days: The True Lives of The Fabulous Killjoys (2010) foi muito bem pensado e articulado pelo My Chemical Romance. Após a experiência nada convencional vivida durante a criação do The Black Parade em 2006, o MCR decidiu que traria o conceito novo de forma totalmente misteriosa. 

Lançado para o mundo oficialmente no dia 22 de Novembro de 2010, o Danger Days contou com a produção de Rob Cavallo e foi distribuído pelo selo da Reprise Records. O último disco oficial de estúdio do MCR contou com quatro singles, sendo esses: Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na), SING, Planetary (GO!) e Bulletproof Heart. 

Há também um quinto single, o Sing It For Japan, feito especialmente após as catástrofes naturais causadas por um tsunami que atingiu a região do Japão na época. Segundo Ray Toro em entrevista à MTV, toda a banda ficou mexida com o ocorrido, e decidiu agir: 

“(…) Eu acho que estávamos em Londres assistindo à BBC, vendo esses eventos se desenrolarem, e conforme o tempo passava a gravidade da situação realmente afetava a todos; estava apenas piorando cada vez mais. Nós conversamos sobre algo que poderíamos fazer e, no início, estávamos pensando em escrever uma nova música para arrecadar dinheiro para a caridade. E no Twitter, algo que vimos foi “#SINGitforjapan”, e eram jovens iniciando esta hashtag, escrevendo mensagens de esperança. Isso realmente nos inspirou e começamos a trabalhar e, depois de algumas semanas, fomos capazes de fazer o single.” [tradução livre].

Deixando um pouco de lado as partes técnicas, vamos partir para o que interessa de verdade aqui nesta matéria: o conceito. Espero que vocês não se importem de comer poeira. Entrem no Trans AM e apertem os cintos, porque hoje, abro espaço para minha própria killjoy, Dark Star, assumir a partir daqui. Estão prontos? 

Um pouco antes do lançamento do disco, a banda começou a soltar teasers suspeitos, revelando de forma subliminar alguns detalhes sutis sobre o conceito envolvendo a nova era. Alguns personagens puderam ser vistos nesses vídeos, alguns até com uma pegada de found footage (nota: em tradução livre, filmes perdidos, geralmente é o nome que se dá para um gênero específico de filme que usa de imagens aparentemente captadas para um documentário e que aparentam ser reais) de uma câmera de segurança ou handcam com filtro em preto e branco. 

Confira abaixo a playlist com todos os vídeos presentes no canal oficial da banda: 

Imaginem só, o ano é 2010 e a sua banda favorita está sumida faz alguns anos. Até então, o clima agridoce do fim pautado pelo fechamento icônico da The Black Parade em um show de tirar o fôlego na cidade do México, foi mais do que o suficiente para fazer o fandom que tanto conhecemos criar mil e uma teorias sobre um fim misterioso ou um hiatus sem data para acabar, bem à lá Fall Out Boy pós o lançamento do disco Folie à Deux – quem diz que What a Catch, Donnie não foi uma despedida, está muito enganado. 

Mas além dos devaneios da que vos fala, vamos aos fatos. Ninguém sabia que diabos essa banda estava tramando, se era disco novo ou qualquer outra coisa, principalmente quando uns tweets estranhos começaram a aparecer… 

Um personagem icônico do universo do Danger Days, o Dr. Death Defying, apareceu pela primeira vez na timeline da rede social quase dois meses antes do disco ganhar forma e vida. O que é interessante, uma vez que a estratégia usada para o The Black Parade (2006) foi a formação “de outra banda”, neste caso o MCR estava trazendo um novo conceito de mundo, com criação de personagens complexos e cheios de detalhes de forma inteligente e muito criativa, diga-se de passagem.

Nesta mesma conta do Twitter, também é citado o The Mad Gear and The Missile Kid (no tweet, apenas citado como Mad Gear), o EP proveniente do Danger Days que mais tarde Gerard diria ser uma parte do universo tão importante como uma raygun. Nós falamos sobre este compilado em uma thread especial que você pode conferir aqui. Calma, calma. Nós vamos chegar lá. Ainda tem muito o que falar, jovem killjoy.

Pouco a pouco, a história passava a ter um pouco de sentido, se é que isso era possível, dentro das mentes borbulhantes de fãs ao redor do mundo. O universo era outro, e apesar do clima árido e seco proveniente do deserto da Califórnia onde se passa a história, as cores vibrantes começaram a surgir e as peças foram se juntando.

CALIFÓRNIA, 2019

O deserto seco e árido do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, já não é mais o mesmo na representação distópica da qual somos apresentados assim que adentramos no universo do Danger Days. Após o desaparecimento da Austrália, as Indústrias Better Living (BL/Ind.) passaram a comandar Battery City, a capital do que antes eram os Estados Unidos. 

Lutando contra a submissão imposta pela BL/Ind. e suas pílulas controladoras de sentimentos, os Fabulous Four (quatro fabulosos) lutam para sobreviver no deserto em sua resistência, sendo assim considerados anarquistas, e também para seguirem com sua missão: proteger uma garotinha órfã sem nome com poderes desconhecidos até mesmo por ela mesma.

A história, inicialmente criada e idealizada para o disco, tinha potencial para se tornar algo maior, fosse um livro, um filme ou então, a segunda paixão de Gerard Way, os quadrinhos. Como já sabemos, em 2013 foi lançada a HQ que contava a história depois dos quatro fabulosos. Para saber mais sobre a história dos quadrinhos, acesse nossa resenha especial aqui.

O disco, como sabemos, conta uma história linear – apesar da redatora que vos escreve ser um tanto quanto prolixa – e nos apresenta logo de cara ao personagem que citei um pouco mais acima, o DJ Dr. Death Defying, o disc jockey da rádio pirata de Battery City, IMX WKIL109. Sua função nas zonas é manter os grupos de resistência entretidos com música e informação, atualizando assim sobre as missões dos quatro fabulosos no deserto e as possíveis ações da BL/Ind. pela cidade.

Um fato curioso sobre este personagem, é que ele é o único que transita entre todas as plataformas usadas pelo universo, sendo o disco propriamente dito, as interações no Twitter com Cherri Cola e outros personagens, os videoclipes e é claro, as famosas HQs.

Uma das ações interessantes que a banda fez, foi uma “Listening Party” com o próprio DJ, tocando as músicas do MCR em sua rádio fictícia. A ideia é bem legal e traz uma imersão mais completa dentro do universo do disco. Você pode conferir a “transmissão” aqui: 

O personagem, interpretado nos videoclipes da banda pelo ator Steve Righ, possui trejeitos modernos e suas falas são carregadas de gírias futuristas, ele também é o guitarrista da banda da esposa de Gerard Way, Lindsey Way, Mindless Self Indulgence. Ele faz uma aparição maior no clipe de Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na) e no final de SING. No Twitter, quem controlava as falas do DJ era ninguém mais ninguém menos que Gerard Way em carne e osso, junto de Jon Rivera (nota: Jonathan Rivera é escritor da HQ “Cave Carson Has A Cybernetic Eye”, e também participou da escrita de “Milk Wars”, um quadrinho lançado pelo selo da DC/Young Animal, do qual Gerard também fez parte).
Outra parte interessante do universo, citada mais acima, são as zonas. Facilmente na internet, é possível encontrar um mapa que mostra como as zonas se comportam. Quanto mais próxima a zona é de Battery City, mais controlada pela BL/Ind. ela é:

Mas afinal, você me pergunta, quem são os quatro fabulosos, Dark Star? Bom, meus jovens killjoys, agora as coisas vão começar a ficar interessantes. A maioria deve saber que cada integrante do MCR representa um membro dos quatro fabulosos (até por isso que eles são quatro, correto?). Então agora vamos descobrir um a um quem são esses tais anarquistas do deserto que se vestem de forma estridente e colorida e lutam com armas de raio laser contra supostos humanos com máscaras de vampiros.

LOUDER THAN GOD’S REVOLVER AND TWICE AS SHINY

Concept art feita por Gerard Way. Foto: Reprise Records

Interpretado pelo vocalista Gerard Way, Party Poison era o líder dos Fabulosos e ficou conhecido nas zonas de Battery City. Ele ajudou a criar e a proteger Girl até sua morte, que ocorreu, até onde sabemos, durante a missão de resgate à garota, como é mostrado no clipe de SING

Pouco se sabe sobre a vida do killjoy, mas existem algumas especulações que levam a crer que o personagem possa se identificar como não-binário (nota: não-binariedade ou identidade não-binária é um “termo guarda-chuva” – que abarca várias identidades diferentes dentro de si – para identidades de gênero que não são masculinas ou femininas, estando portanto fora do binário de gênero e da cisnormatividade)

Poison virou uma lenda entre os demais killjoys, principalmente após sua morte. Seus cabelos eram tingidos de vermelho sangue para provocar irritação nos demais, como uma afronta para o sistema. Val Velocity, personagem presente nas HQs, pintou seu cabelo de vermelho e usou uma máscara muito parecida (não fica claro na HQ se é ou não, fica no ar certa dúvida chegando em certos momentos a se criar certa mística ao redor da máscara) com a de Poison para tentar roubar a fama e o status do killjoy falecido dentro das Zonas de Battery City.

Sua raygun era amarela, com detalhes em rosa e seu símbolo, uma pílula com um X abaixo. Seu look era composto de uma calça jeans clara, luvas de motociclistas feitas de couro, com abertura nos dedos, e uma jaqueta azul com o símbolo de uma companhia fictícia de petróleo chamada Dead Pegasus. O design do personagem foi idealizado e feito por Gerard Way, assim como os outros personagens que veremos a seguir.

Concept art feita por Gerard Way. Foto: Reprise Records

Fun Ghoul, personagem interpretado pelo guitarrista base Frank Iero, podia não ter um cabelo tão vibrante quanto Poison, mas sua personalidade era um tanto quanto… explosiva. Sua habilidade nas zonas era voltada para criar explosivos, o que nos leva a crer que sua ajuda era muito mais que bem vinda durante as missões nas Zonas. Podemos ver um pouco desta habilidade do personagem durante o clipe de Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na). 

Como o nome já diz, o personagem também foi baseado em monstros e fantasmas, e em sua raygun, que leva a cor verde, podemos ver uma espécie de adesivo que remete a um monstro. Também no clipe de Na Na Na, Fun aparece com uma máscara similar a do Frankenstein. Suas roupas eram mais rebeldes, com cores predominantes de verde, amarelo e preto. Seu símbolo, presente em sua arma, é um rosto sorridente com pontos no sorriso e um olho marcado com um X.

Como nem tudo são flores no mundo distópico de Battery City, Fun também ganhou uma cicatriz em sua boca antes de sua morte, vista no clipe de SING, provavelmente após a batalha vivida entre os Fabulosos e os draculóides.

Concept art feita por Gerard Way. Foto: Reprise Records

Ray Toro, guitarrista solo da banda, ficou encarregado de interpretar Jet Star, que originalmente se chamaria Raygun Jones. Assim como os demais fabulosos, Jet não tem um passado marcado. Seu look, composto por uma jaqueta de couro preta com uma bandeira dos EUA colada nas costas, calças pretas e botas de combate. Antes de perder a visão e passar a usar um tapa-olho, como vimos no clipe de SING, Jet Star estava sempre acompanhado de seu Ray Ban aviador.

Assim como os demais personagens, Jet Star também possui um símbolo e uma raygun com a cor azul sendo predominante. Uma estrela com um raio é o desenho que o representa entre os fabulosos, e sua arma é azul e branca, com detalhes pequenos em vermelho.

Concept art feita por Gerard Way. Foto: Reprise Records

Por último mas não menos importante, Kobra Kid, interpretado por Michael Way fecha o quarteto dos Fabulosos que morreram no ano de 2019 tentando proteger a garota. Dono de um temperamento difícil e um tanto quanto incompreendido, Kobra não leva esse nome a toa. 

Além de saber manusear muito bem sua raygun vermelha, ele também é um ótimo lutador de karatê, o que leva a redatora – ou melhor, killjoy – que vos escreve hoje a pensar que há uma referência leve ao filme Karatê Kid, especificamente ao dojo Cobra Kai (pode ser que eu só esteja divagando, porque eu também sou fã do Johnny Lawrence, mas eu não sei).

Seu look é composto por uma jaqueta vermelha, óculos de sol, uma blusa com estampa de animal em amarelo e uma calça preta. Seu cabelo é loiro descolorido, e quase sempre é visto de topete puxado para trás. Ele também pode ser visto usando um capacete amarelo com a frase “Good Luck” (nota: boa sorte) na viseira. Seu símbolo é obviamente uma naja, e as cores predominantes são vermelho, preto e branco.

THE PIGS WON’T QUIT

Grant Morrison como Korse. Foto: Reprodução Warner/Reprise Records

O antagonista de maior expressão dentro do universo é o exterminador Korse, que também está presente nos videoclipes e nas HQs envolvendo a história dos killjoys. O exterminador é escalado pela Diretora (ou The Director) para exterminar o máximo de killjoys possíveis, sendo também responsável por proteger Battery City de possíveis ataques. 

Sua personalidade é descrita como fria e calculista, pelo menos até a morte dos quatro fabulosos, após os eventos dos clipes de Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na) e SING. Segundo Grant Morrison, ator, quadrinista e amigue pessoal de Gerard Way que interpretou o personagem nos videoclipes, o antagonista está intimamente ligado aos killjoys e sua história secreta. Quando perguntado sobre a descrição de seu personagem, Morrison o caracterizou como um cão de caça humano, impassível e frio, que se veste como morto. Mas toda essa frieza tem um porquê bem marcado.

Uma curiosidade um pouco mais recente, é que ainda este ano, Grant Morrison assumiu sua não-binariedade. Explicamos sobre o termo mais acima, quando falamos sobre a personalidade de Party Poison. Para conferir a entrevista completa de Morrison, clique aqui.

De todos os personagens, o que mais temos detalhes é Korse, justamente pela sua participação na HQ. Durante a infância, fora criado por um pai abusivo e nada carinhoso. Após a morte de sua mãe, ele se torna o maior e melhor exterminador de Battery City. Anos depois da morte dos quatro fabulosos, Korse encontra em um homem de nome misterioso o amor, e assim vivem um relacionamento secreto.

A Diretora, furiosa após descobrir sobre o relacionamento de Korse, manda matar o homem para ter seu fiel exterminador de volta aos eixos, mas já é tarde; o relacionamento de ambos já tinha mudado o vilão para sempre. Depois da morte de seu amante, Korse decide então largar sua carreira.

E por falar nela, durante os clipes pouco sabemos sobre sua personalidade ou história. A Diretora pode ser considerada uma mulher fria e calculista. Battery City e a BL/Ind estão nas mãos dela. Seu maior objetivo é criar um mundo sem sentimentos, e para isso, ela não mede esforços em violência e intimidação. Para ela, sentimentos são como imperfeições, e devem ser combatidos.

Na HQ, Korse descobre que a aparência dela na verdade é de uma mulher velha, e que sua aparência jovem se dava graças a um android. Nos videoclipes, a Diretora é interpretada pela modelo Airi Isoda, e suas aparições acontecem no clipe de SING e no vídeo promocional que você pode conferir abaixo: 

Ainda no universo dos vilões, temos os Draculóides, que são nada mais que empregados da BL/Ind., designados para procurar e exterminar killjoys pelas zonas, assumindo a mesma função que os exterminadores, com a diferença de estarem em um escalão menor. Segundo o primeiro rascunho de Gerard, os Dracs eram, em suma, pessoas arrogantes e que gostavam de farrear. 

Nas HQ’s, podemos ver que as máscaras usadas por eles sugavam suas almas, fazendo com que os empregados, até então humanos normais, virassem zumbis, sendo apenas uma casca vazia controlada pela BL/Ind., que não se responsabilizava pelo que acontecia de verdade com as almas dos Dracs após o uso das máscaras.

Concept art feita por Gerard Way. Foto do clipe: Reprise Records

Acho que seria possível falar sobre o universo do Danger Days por horas e horas e ainda assim não terminaríamos nunca e sempre faltaria algum detalhe. É claro que eu sou suspeita para dizer, eu sempre gostei de distopias e o conceito me atingiu em cheio, principalmente depois de fazer essa pesquisa. 

Assim como muito de vocês, o Danger Days foi uma porta de entrada para mim ao conhecer melhor o My Chem, e por isso, eu guardo com muito carinho cada pedacinho deste conceito incrível, e também aquele acústico que ninguém gosta, aparentemente. 

Espero ter conseguido passar um pouco do meu amor por este universo para vocês, e que a viagem no Trans AM tenha sido divertida para vocês. Espero também que eu não tenha feito vocês comer muita poeira. A Dark Star vai ficando por aqui. 

Beijos da G., e até a próxima! 

Ah… e não se esqueçam; 
keep running

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