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Especial Danger Days: Fique por dentro do quadrinho ‘Killjoys’ em nossa resenha exclusiva

Nosso convidado especial, Mario Pugliesi, analisa o quadrinho que dá continuidade a história dos Killjoys após os acontecimentos dos clipes de Na Na Na (Na Na Na) e Sing

Texto por: Mario Pugliesi
Edição por: Marina Tonelli e Gabriela Reis

Você que acompanha o Fake Your Death Brasil há algum tempo já deve ter reparado que me chamam para escrever quando o assunto é quadrinhos. Não tem problema, não vou levar para o lado pessoal. Como leitora ou leitor inteligente que você é, já deve ter adivinhado o assunto.

Não deve ser diretamente sobre os clipes que contam a história dos Killjoys ou sobre o disco que trouxe eles ao mundo, pois todos os integrantes do site seriam melhores do que eu para falar sobre isso. Então falarei sobre os quadrinhos que vieram depois. O terceiro clipe que nunca existiu. O quadrinho: The True Lives of the Fabulous Killjoys – California.

Um grupo de rebeldes. Duas robôs sexuais que se amam. Um assassino que encontrou o amor. Dois DJs do deserto. Um líder que precisa decidir ser alguém novo ou viver sob o manto dos que vieram antes. Uma menina predestinada. Um mega corporação que controla tudo e todos.

Esta não é uma obra fácil para os não iniciados neste mundo dos Killjoys. Seria melhor descrever como parte de uma obra maior que funciona no áudio, no vídeo, no twitter e nos quadrinhos se completando. Para quem não acompanhou os clipes, o vídeo, as entrevistas, shows e matérias da época, o início dos quadrinhos é um pouco mais difícil de se acompanhar.

Os escritores (Gerard Way e Shaun Simon) não tem intenção de facilitar o caminho para ninguém. O encadernado, relançado agora em setembro de 2020, junta o arco de seis capítulos e um pequeno especial chamado Dead Sattelites. Claro que apesar de não voltar atrás para explicar a história para não iniciados, os dois autores conhecem bem o meio e, passada a estranheza inicial, qualquer um pode aproveitar os quadrinhos também.

The True Lives of the Fabulous Killjoys - California/Foto: Marina Tonelli
The True Lives of the Fabulous Killjoys – California/Foto: Marina Tonelli

A história em si também foi muito alterada de sua primeira ideia. Shaun e Gerard são amigos daqueles que aumentam a criatividade um do outro. As histórias que contam quando estão juntos e das coisas que fizeram parecem muito divertidas. Em uma destas, uma história em que Shaun estava criando se juntou a uma ideia que vinha acompanhando Gerard há algum tempo.

Nasciam os Killjoys de Mike Milligram. Mike havia sido baseado no irmão dele, Michael Way, e como ele havia agido durante as gravações do disco The Black Parade, após ele ter abandonado a Mansão Paramour. Acontece que pouco antes das gravações do Danger Days, Gerard teve uma ideia. Os Killjoys surgiriam para o mundo naquele disco. Mas para isso, mudanças precisariam ser feitas. O mundo nunca iria encontrar Mike Milligram, mas conheceriam os Fabulous Four.

Depois de saírem os clipes para as músicas “Na Na Na (Na Na Na)” e “Sing” do disco Danger Days: The True Lives of The Fabulous Killjoys (2010), Gerard ligou para Shaun e disse que tinha uma ideia para mais um clipe, mas o dinheiro para gravar havia acabado. Shaun pensou um pouco e respondeu: “E se este terceiro clipe fosse nossa história em quadrinhos”. Nascia ali The True Lives of The Fabulous Killjoys. Então vamos à trama.

A história já começa acelerando dentro do seu próprio universo. 12 anos se passaram entre os clipes e o que acontece nos quadrinhos e, enquanto somos reapresentados à Garota, agora entrando na juventude junto de seu gatinho preto, ouvimos a voz do Dr. Death Defying cortando a noite. A vida não parece fácil e ela precisa ir atrás de alimentos todos os dias. O mundo é uma distopia, mas nós só conhecemos o que acontece na Califórnia. Isso é interessante porque deixa todo o resto do mundo aberto para ser apresentado em uma nova oportunidade.

The True Lives of the Fabulous Killjoys - California/Foto: Marina Tonelli
The True Lives of the Fabulous Killjoys – California/Foto: Marina Tonelli

A Garota acaba encontrando os Ultra Vs, um bando de Killjoys liderados por um cara de cabelos brancos, jaqueta e máscara cinzas. No centro da máscara, um x em vermelho: Val Velocity. O bando enfrenta um grupo de Dracs que estava perto de matar um casal. A menina e os Dracs morrem, o rapaz não. Sem pausar para que possamos entender o que aconteceu, somos apresentados aos conceitos de que uma vez que colocados sobre as cabeças das pessoas, as máscaras dos Dracs controlam as pessoas.

A imagem é assustadora com uma aranha sob o capuz. Esses Dracs são controlados pela corporação B.L./ ind., a Better Living Industries. Uma mega corporação que controla a vida de todos na cidade. Para fugir da B.L./ind., as pessoas vão para as Zonas, regiões circulares em torno da cidade que são desérticas, de difícil vida. Os DJs Dr. Death Defying e Cherri Cola são as vozes na imensidão que tentam manter a moral dos poucos grupos que se organizam.

Eles rapidamente reconhecem na Garota, a menina que havia sido predestinada e que havia sido salva pelos Fabulous Killjoys. Mas se ela era predestinada, ela não sabia ao que, tão pouco o que fazia dela especial. E, para piorar, a B.L.I havia finalmente descoberto o Nest, o local em que os Ultra Vs se escondiam. Dracs e Scarecrows estavam a caminho. Mas como eles foram descobertos? E por que bem agora? Só seria possível se tivesse um espião entre eles, não é?

The True Lives of the Fabulous Killjoys - California/Foto: Marina Tonelli
The True Lives of the Fabulous Killjoys – California/Foto: Marina Tonelli

Mas como eu disse, essa não é apenas a história da Garota. Em Battery City, um antigo exterminador não era mais o mesmo. Korse não estava mais entregando os números que haviam sido o padrão dele por tanto tempo. Parecia ter se tornado mais benevolente, mais empático. Ele havia descoberto o amor. A Diretora percebe que vai ter de agir para trazer o melhor dele de volta. Mas seria possível que ela esteja criando mais um adversário em um tabuleiro já cheio? E se o amor era possível para um exterminador como ele, como não seria para duas robôs sexuais?

Red e Blue parecem estar juntas há bastante tempo, mas a bateria de Red está em más condições, ela precisa ser substituída. Blue faz tudo que pode para angariar o dinheiro necessário e a papelada para enfrentar toda a burocracia possível. Mas quando o pedido é negado e Red vai ser transformada em mais um satélite da cidade, o que as duas podem fazer?

Essas histórias, aparentemente sem ligação nenhuma, vão se cruzar em algum momento. E poderemos descobrir mais sobre a lenda do Destroya, a história predestinada da Garota e sua mãe raptada e o futuro de todos que moram em Battery City.

The True Lives of the Fabulous Killjoys - California/Foto: Marina Tonelli
The True Lives of the Fabulous Killjoys – California/Foto: Marina Tonelli

Mas os quadrinhos não estariam completos se não falássemos dos brilhantes desenhos de Becky Cloonan. É interessante o quanto no começo dos quadrinhos eles me lembram o que o Gabriel Bá faz no Umbrella Academy. Pensei que fosse um gosto pessoal de Gerard Way, que ele buscasse pessoas com este estilo.

Mas a verdade é mais simples. Todos os desenhistas trabalham sobre os desenhos enviados pelo próprio Gerard. Por isso, o começo é mais parecido com o que ele sugere e conforme as obras vão seguindo, o traço e estilo de cada desenhista vai tomando conta da obra. E o da Becky ajuda muito a compreender este universo em expansão.

Seja um fã iniciado nas histórias, seja alguém chegando agora e com energia para conhecer um novo universo, The True Lives of the Fabulous Killjoys entrega ação sem parada, um milhão de ideias por página e a conclusão que você esperava para a história. 

Este é o terceiro clipe que você não viu, será que você consegue escutar a música?

Até a próxima de quadrinhos ou séries,

Mars.

Mario Pugliesi foi sócio da loja de quadrinhos Merlin ComicStore em São Paulo de 1997 a 2000. Tem uma coleção enorme de quadrinhos, vhs, dvds e blurays e fala de cultura pop a cada quinze dias no podcast Catching Up. Para ouvir:

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