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Danger Days: um renascimento no meio do deserto

O Fake Your Death Brasil está preparando uma série de matérias especiais sobre a icônica gravação Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys. Para começar, trazemos um pouco da história por trás da mudança de estilo da banda. Não percam as próximas, fiquem ligados nas nossas redes sociais.

Texto por Malena Wilbert
Revisão por Ariane Santana

Quando o My Chemical Romance ganhou o mundo com a turnê do The Black Parade (2006), enchendo estádios e cativando críticos, tudo era escuro, em tons de cinza. A melancolia dramática, porém sofisticada, fazia todo o sentido como a evolução de uma banda que nasceu com a energia de desespero pungente de I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love (2002), e caiu nas graças do público com o ressentimento de Three Cheers for Sweet Revenge (2004). Uma ópera rock complexa e sombria como TBP era a evolução natural deles para o ápice, uma síntese madura e bem elaborada de todo o conceito que nós tínhamos visto até então. 

E então vem o Danger Days que, numa análise mais apressada, parece ser o oposto de tudo isso. 

Muitas cores, neon e rayguns cintilantes parecem ter deixado alguns fãs antigos confusos quando Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys foi lançado, em novembro de 2010. Ainda era tudo caótico e nervoso, mas de uma forma muito mais fresca, rápida e enérgica. Se nos três álbuns anteriores o quarteto de Jérsei estava refletindo sobre seus demônios e brigando com eles, em Danger Days, embora definitivamente os demônios ainda estejam lá, a atitude é muito mais displicente: é um grande dedo do meio para todos eles.  

Uma parte da crítica também não aceitou bem a mudança de ares mas, em geral, o My Chemical Romance colheu bons resultados do seu quarto álbum de estúdio. O Metacritic calculou uma nota de 70 em 100, com base em 26 avaliações recolhidas, além de seus singles terem ficado no topo das paradas de diversos países do mundo.  

A estranheza do público não pode ter sido uma surpresa para a banda, afinal, se reinventar e fazer algo completamente diferente do disco anterior era exatamente o que eles estavam procurando. Foi o que os guitarristas Ray Toro e Frank Iero contaram ao portal Guitar World, em uma entrevista de maio de 2011. “Estávamos exaustos, queimados, totalmente fora de controle”, conta Toro. “Ser uma banda à fantasia vestida de preto noite após noite, país após país, foi uma chatice. Começamos a ver The Black Parade como o inimigo, que queríamos matar em nosso próximo álbum. ”

Matar a essência de algo tão gigante quanto foi o TBP sem envenenar a intrínseca da banda, como esperado, não foi uma missão fácil. A primeira tentativa foi com o produtor Brendan O’Brien (Pearl Jam, Rage Against the Machine, Bruce Springsteen), em 2009. “Era hora de pararmos de ser tão elaborados e apenas fazer música”, diz Iero. “Tínhamos tudo planejado, tudo estava em ordem ”

Em teoria. 

Foi quando o My Chemical Romance estava tentando se desvencilhar do peso de fazer um CD conceitual que nasceu o Conventional Weapons (30 de Outubro de 2012 – 5 de Fevereiro de 2013), uma coleção de músicas brilhantes, desmembrada e descartada como lançamento oficial. Uma decisão possivelmente desestimulante, além de expressivamente cara. 

“Nós batemos em uma parede,” Comenta Ray sobre o CW, “estávamos tentando muito ser perfeitos e ser essa outra ‘coisa’. Não que você não deva tentar crescer e se desenvolver, mas estávamos apenas nos matando de tentar. Não foi divertido. ”A missão de matar o fantasma do TBP parecia precisar de outros recursos, que incluíam a volta de um dos seus criadores, o produtor Rob Cavallo.

 “Estávamos pensando sobre o que tínhamos feito antes, em The Black Parade, e o preço que isso cobrou de nós. Então nós meio que dissemos: ‘ok, não vamos fazer isso desta vez; na verdade, vamos fazer algo totalmente diferente’.” explicou Frank “Não tínhamos conceitos, personagens, fantasias e nenhuma instrumentação extra – apenas músicas simplificadas. Isso é o que queríamos que a banda fosse… ou então pensamos que queríamos. Definitivamente atingimos nosso objetivo, mas não parecia certo; parecia que havíamos amarrado nossos braços atrás das costas. Não havíamos empurrado as coisas para o próximo nível. Então, enquanto estávamos mixando [o Conventional Weapons], pensamos que tínhamos algo mais a dizer – muito mais a dizer, na verdade. Graças a Deus Rob Cavallo estava disponível para vir a bordo e nos ajudar a descobrir tudo, porque estávamos meio perdidos.” 

Na mesma entrevista, Ray Toro diz que embora a decisão de descartar todo um CD para iniciar praticamente do zero tenha sido difícil, ele acredita que foi o certo. 

Desse novo começo, retornando aos estúdios com Rob Cavallo, nasceu o Danger Days. Aqui, chegamos ao ponto de que se a ideia era se desvencilhar de fazer um álbum conceitual, a banda falhou miseravelmente: o universo dos killjoys é o conceito mais bem elaborado de toda a história do My Chemical Romance até agora, com uma trama bem apoiada e amarrada. Já se considerarmos a mudança na energia das músicas, Danger Days não pode ser considerado nada além de um grande mérito. É um CD diferente de tudo que eles tinham feito até então. 

Parafraseando a própria gravação, a Rolling Stone  chamou o Danger Days de  “uma carta de amor para todos os formandos do reformatório e ratos da Ritalina que ainda esperam que alguém construa uma bomba grande o suficiente para explodir todas as bandas pop”. Para a revista, “o MCR trocou sua teatralidade musical da Broadway por um simples desafio barulhento. ‘Cante para aqueles que vão te odiar!’ Way declara. Mas vai ser difícil fazer as pessoas odiarem músicas como “Na Na Na Na Na Na Na Na Na”, um hino que provoca enquanto faz você cantar junto.”

Acontece que o Danger Days não é nada simples, e muito menos positivo do que suas cores vibrantes podem indicar. Eles não estão mais tão tristes, é verdade, mas se você ouvir com atenção, vai perceber que estão absolutamente putos  bravos e prontos para lutar. No decorrer da gravação, enquanto os killjoys enfrentam a Better Living Industries” (BL/ind.), fica bem claro que eles vão fazer isso  com um grande sorriso debochado no rosto. 

E eles entram no front  com a contagiante  “Na Na Na”, uma melodia tão enérgica quanto sua letra roga (É vitória ou morte, na minha autoridade! ). Em seguida, “Bulletproof Heart”, uma canção aventureira e romântica que prepara o clima para “Sing”, um verdadeiro grito de guerra esperançoso e tocante.

Em “Planetary (GO!)”, os killjoys parecem fazer uma pausa para apenas se divertir e dançar, que é o que pede a música. “The Only Hope for Me is You” é emocionante e crua de uma forma honesta, te deixando pouco preparado para sua sucessora, a nervosa, raivosa e deliciosa “Party Poison” (This ain’t a party! Get off the dance floor!). 

“Save Yourself, I’ll Hold Them Back” parece ser o ponto de angústia do disco, pingando um desespero contigo assim como seu título sugere enquanto “S/C/A/R/E/C/R/O/W”, a seguinte, é a mistura de melodia suave com letras assustadoras que deixaria os membros do The Cure orgulhosos Tudo nela é suave e tenro, mas eles estão falando de uma guerra, afinal.

“Summertime”, nona música do disco, é uma balada romântica e carismática. Porém, sua sucessora,  “DESTROYA”, é inegavelmente uma das canções mais estrondosas e contagiantes de toda a gravação, enérgica e caótica, nervosa e brilhante. 

“The Kids from Yesterday” é um outro vislumbre do coração dos killjoys, emocional e cheia de ressignificação. Um último momento para sentimentalismo antes do fim com “Vampire Money”, uma crítica divertida à saga Crepúsculo, a qual o My Chemical Romance foi convidado a participar da trilha sonora: “Porque todo mundo está atrás do maldito do dinheiro! Crepúsculo? Muita gente ficou falando pra gente: pelo amor de Deus, façam a trilha do filme. Mas a gente seguiu em frente!”, contou Gerard. Assim, com guitarras potentes, refrão contagiante e a postura de luta, termina o Danger Days. 

Assim como o CD, eu fico por aqui. Mas, esse é só o comecinho de uma série de materiais sobre essa era que engloba um contexto e uma história incrível por trás.

Keep your boots tight, keep your mask on!

Beijos, MW. Até a próxima! 

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