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He’s a fucking mess: um breve histórico de um desajustado

Nascido no Halloween, Frank Iero trouxe aos fãs a certeza que tudo bem você ser um desajustado, um estranho ou uma bagunça; no fundo, o mundo precisa que você seja apenas você.

Texto por: Gabriela Reis
Edição por: Marina Tonelli e Malena Wilbert

Talvez não tenha jeito melhor de começar essa história que não seja voltando no tempo, provavelmente, bem antes do dia 31 de outubro de 1981, dia exato em que Frank Iero, ou melhor, Frank Anthony Thomas Iero Jr. veio ao mundo. É melhor voltarmos um pouco antes, para entendermos melhor onde começa a história que fez de Frankie ser o exímio guitarrista e homem de vários projetos que conhecemos hoje.

Vindo de uma família com descendência italiana – e boa parte dela com o mesmo nome que ele -, Iero sempre cresceu em volta de muitos músicos. Seu avô, chamado Frank, era um baterista de mão cheia e que incentivou seu pai que, adivinhem, também se chama Frank, apesar de ser mais conhecido como Cheech Iero (nota: Cheech significa Frank, em italiano), a se tornar um grande músico do jazz dentro do underground. 

É claro que, na época em que tudo isso aconteceu, Cheech sofreu uma certa pressão de seu pai para que seguisse uma carreira diferente e tivesse uma formação, que não fosse estritamente ligada à música, como ele disse em entrevista ao Community News, em 2015. Apesar de ter se formado em Biologia e Química pela Rocky Mountain College, em Montana, a paixão do Iero pai estava longe da ciência e dos compostos químicos: 

“Eu costumava ir sorrateiramente para Nova York e dizer aos meus pais que estava estudando com os caras. Íamos ao Village para ver Frank Zappa”. (nota: o Greenwich Village é um bairro localizado em Nova York que foi o epicentro da contracultura durante a década de 1960. Até hoje, é possível encontrar clubes de jazz entre os antigos prédios característicos da cidade).

Após se formar, Cheech passou a bater de porta em porta a fim de fazer conexões para ingressar no mundo da música, e foi assim que o jovem Frank (não, ainda não estamos falando do nosso Frank) se tornou um dos editores da revista Modern Drummer Magazine, que abriu mais e mais portas para que o baterista, até então iniciante no ramo, pudesse ter a oportunidade de conhecer mais e mais pessoas importantes dentro da indústria musical. 

Foi no mesmo ano que Iero ingressou no icônico estúdio Record Plant, em Nova Iorque, e passou a trabalhar com grandes nomes da música como Iggy Pop, Johnny Cash, The Blue Brothers e até mesmo John Lennon em pessoa (sim, o beetle). Ele também ensinou o filho do próprio Lennon, Julian – aquele, que inspirou McCartney a escrever “Hey Jude” durante a separação dos pais, a tocar bateria. 

Anos mais tarde, após realizar uma entrevista com o baterista da banda Kiss, Peter Criss, Cheech descobriu que o mesmo estava deixando a posição na banda e que haveria um espaço para que ele pudesse ingressar. Interessado, ele fez o teste e a banda o amou, no entanto, no mesmo ano em que a banda sairia em turnê, Frank Jr. tinha acabado de nascer. Dividido entre sua carreira musical e sua vida familiar, Cheech decidiu optar pelo filho ao invés da música, disse em entrevista ao Community News:

“A Record Plant tinha um estúdio de gravação em Sausalito e eu estava sempre viajando para lá e para cá. Meu filho era muito pequeno e eu estava perdendo suas primeiras palavras ”, disse Iero. “Foi difícil.”

Segundo Frank (o nosso, dessa vez), seu pai conseguiu conciliar a vida como músico e pai ao mesmo tempo: “Meu pai descobriu como estudar música, enriquecer sua forma de tocar, tocar e gravar com lendas e ainda encontrou tempo para fazer coisas idiotas com seu filho, como lutas de balão de água e caças ao tesouro imaginárias”.

Apesar do esforço de Cheech em ficar próximo do filho, seu casamento com Linda, mãe de Iero, não durou muito. Quando Frank tinha três anos, seus pais se separaram, apesar do divórcio oficial ter acontecido apenas 4 anos depois, quando ele tinha sete. No entanto, segundo entrevista concedida ao site Louder Sound, em 2016, seu pai e seu avô ainda eram figuras presentes em sua vida, mesmo após a separação:

“Eu ficava com minha mãe durante a semana, depois ia para Trenton com meu pai. Na verdade, minha primeira turnê foi com meu pai que estava em uma banda de blues. Eles fizeram alguns shows em Virginia Beach. Quando eu tinha idade suficiente para dirigir, peguei o carro do meu pai até lá e trabalhei como técnico para eles. Essa foi minha primeira turnê. Se eu não estivesse assistindo meu pai tocar nos fins de semana, ou se ele estivesse jogando em um clube que não era adequado para uma criança, eu ia para a casa do meu avô. Ele tocava neste antigo bar clandestino todo fim de semana. Todo sábado à noite, ele tocava jazz de Dixieland ou Big Band e ficava lá até 1h30 ou 2h da manhã. Se você ficava acordado até tarde, tinha que ir com a banda ao restaurante. E isso era grande coisa! Eu pude sair em um restaurante às 3 da manhã com músicos depois de ouvir jazz no bar a noite toda. Foi muito legal”.

Apesar da infância divertida com seu pai e avô, nem tudo foram flores na trajetória de Iero. Quando estava na escola, ele sabia que tinha que se defender de certos grupinhos e tinha consciência de que não fazia parte – assim como a maioria de nós – do grupo dos populares do colégio. Ele também contou para a Louder Sound que, apesar de não se encaixar à massa, era esperto o bastante para não apanhar todos os dias dos famosos “valentões” da escola. Mas isso mudou quando ele ingressou no ensino médio e pôde, finalmente, conhecer pessoas que se encaixavam aos seus gostos e iniciar sua primeira “banda”. Nessa época, Iero usava o porão da casa de sua mãe para os ensaios: 

“Eu descobri a música e passei a usar drogas, então eu fumava muita maconha e andava de skate. Eu meio que ficava na minha. Eu estava basicamente esperando até que pudesse começar uma banda. Isso aconteceu no final do meu primeiro ano. Eu conheci um garoto que estava namorando uma amiga da garota que eu estava saindo. Ele estava no último ano e tocava violão e descobriu que eu tocava violão. O punk rock não era legal na época; eu lembro de ser ridicularizado por causa das camisetas que estava vestindo. E ninguém tocava instrumentos. Se você encontrasse alguém que tocava algo, você acabava formando uma banda. Então, eu ia até a casa dele e ele vinha até a minha e nós tocávamos guitarra. Ele montou uma banda e marcou um show na escola para o Junior Dance. Eu tive que sair logo após o show porque não tinha permissão para estar lá, e me lembro de me sentir muito bem. Esse foi meu primeiro show.”

Anos mais tarde, depois de terminar o ensino médio, ingressar na faculdade de psicologia e começar a dar os primeiros passos com sua banda – a falecida Pencey Prep -, Frank decidiu que era a hora de largar tudo para seguir em turnê com o que seria o divisor de águas em sua vida: o My Chemical Romance. E a partir daí… bom, o resto é história, e é o que já sabemos.

Apesar de dores no estômago, acidentes que quase resultaram em sua morte e um renascimento improvável com a banda de seus sonhos em 2019, Frank Iero, ou Paco, como é chamado carinhosamente pela família de seu pai, completa hoje 39 anos com muita bagagem, ironia e histórias incontáveis em seu longo currículo.

Ele pode não ser punk de verdade na atitude – é bem verdade – também pode não ser uma pessoa tão doce assim para todos, mas é impossível negar que sua história de vida não sirva de inspiração para desajustados como eu; como nós. Suas músicas, suas letras raivosas e cheias de sentimentos, carregam – para mim e para uma multidão de fãs, isso eu tenho certeza – um peso indescritível para quem está disposto a ouvir de coração e mente aberta. 

Eu não poderia deixar de fazer com que esse texto fosse uma homenagem à uma das pessoas mais incríveis que, mesmo sem me conhecer, segurou a minha mão e me mostrou que era possível viver e amar novamente, mesmo que eu estivesse sob escombros e coberta de fuligem. 

Thank you for being you, Frankie.

Beijos da G., e até a próxima!

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