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Parachutes: segundo álbum solo de Frank Iero completa 4 anos

Texto por Malena Wilbert
Revisão por Marina Tonelli

Frank Iero é um homem apegado às suas origens – é o que esperamos de alguém com uma tatuagem de âncora da sua terra natal -, mas que também já provou diversas vezes que não teme se aventurar e experimentar novos vôos. E é isso, duas características intrínsecas, que ele entrega no disco “Parachutes” (2016). 

Ouví-lo é muito diferente de seus trabalhos no My Chemical Romance, Death Spells, Leathermouth e até mesmo do seu antecessor “Stomachaches” (2014). Se este último foi uma catarse,  “Parachutes”  foi seu manifesto: “I feel everything all at once”, última frase da música “The Resurrectionist, Or An Existential Crisis In C#”, que define bem o disco. Você pode sentir a tristeza – com o característico escárnio desafiador, é claro – a raiva, a rejeição, mas, ao mesmo tempo, uma gravação cheia de coragem e energia. 

A inspiração para as músicas e o conceito, como Iero contou à Volume Magazine, está ligada às suas reflexões sobre a finitude: “[…] enquanto escrevia, comecei a pensar sobre a vida e como é muito parecido com ser jogado para fora de um avião. Nós nascemos e imediatamente a contagem regressiva começa para quando finalmente atingimos o solo. Não há como escapar do inevitável. Porém, alguns de nós temos a sorte de vivenciar coisas que nos alegram ou de encontrar pelo caminho pessoas que nos mostram amor e nos permitem pairar um pouco e curtir a queda, esses são os nossos ‘pára-quedas’.”  A ideia se expandiu para a capa do disco que é uma arte de Angela Deane baseada em uma foto de Frank com seus pais. “ Eles são nosso pára-quedas inicial. Nos protegem, amam, nos mostram um pouco as cordas.”

Mas Frank mostrou que que não estava com medo de se jogar desse avião e muito menos de enfrentar as lições durante a queda. Se no início da sua carreira solo ele se escondeu atrás do nome “frnkiero and the cellabration, uma forma de lidar com a ansiedade de ter gravado um disco sozinho e ser tratado como frontman , em Parachutes ele se apresenta como “Frank Iero and the Patience

No primeiro disco, chamei-o de ‘cellabration’ porque senti que queria levar algo grande e explosivo para, com sorte, diminuir minha inexperiência. Desta vez, senti que não precisava mais daquela distração, então me vali da virtude que eu sentia que precisava mais melhorar, a paciência.Contou, também à Volume

Outra novidade é que antes Iero estava sozinho (em “stomachaches”, todas as composições e gravações – com exceção da bateria – são dele), e “Parachutes” foi gravado com o apoio de Evan Nestor (guitarra e backing vocals), Steve Evetts (baixo), Matt Olsson (bateria, percussão e vocais de apoio) e Alexander Paul (baixo).  A produção ficou por conta do veterano multi-platina Ross Robinson, que já trabalhou com bandas como The Cure, Korn e Slipknot. 

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“Nunca tive alguém trabalhando comigo dessa forma”, Frank contou à AltPress, “ele coloca todos os músicos em uma sala e nós tocamos ao mesmo tempo. Normalmente, é tudo dividido – a bateria é rastreada, etc. Mas ele gosta de tudo ao vivo e eu também. Então, ele tem todos vocês em uma sala e tudo está sangrando em todos os outros microfones. Ele faz você tocar a música algumas vezes e então ele para você e então você fala sobre a música, o que significa e de onde vem. Comecei o processo pensando que sabia de onde certas coisas vinham e sobre o que as músicas eram, e descobri mais tarde que elas eram na verdade sobre algo muito diferente … Você começa a ir fundo na linha e chegar à raiz do porquê você reage a certas coisas e porque as coisas são certos gatilhos para você. É como uma terapia. ”

O resultado foi um álbum potente, que começa muito bem representado por “World Destroyer” (particularmente, a preferida desta redatora que vos redige).  Os vocais desesperados de Iero casam perfeitamente com um riff de guitarra estrondoso, tornando a canção memorável, aquele tipo especial de música que, quando você percebe, já está cantando junto em plenos pulmões, quando ela é tocada. “Veins! Veins! Veins!”, faz justiça aos pontos de exclamação, sendo um dos ápices de explosão enérgica da gravação. Sua sucessora, “I‘m A mess”,  é mais uma amostra de que Frank Iero sabe, como ninguém, enfrentar as coisas com uma atitude punk: “Maybe I’m a mess and I ain’t gonna change”.  

They Wanted Darknesstem um começo que parece adicionar um pouco de suavidade à gravação, mas não por muito tempo. Sua introdução calma é interrompida para um refrão desesperado, preparando o terreno para as guitarras iniciais de  “I’ll Let You Down”, que poderia ser considerada a balada deste disco. Uma balada com muitas guitarras e gritos, é claro. A pegada segue em “Remedy”, mais melódica que suas antecessoras.

Dear Percocet, I Don’t Think We Should See Each Other Anymore”, é uma das músicas mais relevantes do albúm. Iero contou à New England Sounds que ela  é sobre vício: “Do ponto de vista de um viciado, é definitivamente uma das coisas mais difíceis com que já tive que lidar. É sobre decidir estar presente, perceber como é fácil desistir e a luta para fazer a coisa certa por aqueles que você ama”. No momento em que o disco foi lançado, os EUA passavam por uma das piores fases da sua epidemia de viciados em opióides, o que adiciona força a sua mensagem. 

Miss Me”, oitava música, é tão resignada quanto seu título. As guitarras e a bateria deixam espaço para apenas voz e violão, mas inusitadamente combina e faz sentido com o conjunto caótico. “Oceans”, em seguida, apresenta mais um refrão contagiante (toda a gravação é cheia deles) e vocais angustiados, para combinar com sua letra: “I’ve never been good enough for your love”.

The Resurrectionist, Or An Existential Crisis In C#é outro ponto alto de potência do disco. Além da letra impactante, o som é um equilíbrio perfeito entre a angústia e o escárnio, a tristeza e um otimismo racionalizado. Viva Indifference”, penúltima música, é emocionante com sua alegria contida, um protesto e um manifesto, simultaneamente. 

Por fim, “9-6-15, escrita para o avô de Frank Iero e intitulada após a data de sua morte. Para a New England Sounds, ele contou que é uma canção com grande carga emocional: “Eu sabia que não poderia escrever um disco chamado Parachutes – esses dispositivos que mudam ou salvam vidas – sem ele, porque ele era tudo [para mim]. Levei um mês e meio para sentar e escrever. Eu finalmente consegui escrever e então mudou novamente, é claro, quando eu entrei no estúdio e depois que comecei a gravá-la … Eu salvei para a última música porque eu sabia que não poderia fazer [primeiro]. Não sei como superei, mas finalmente consegui. Não sei como farei isso de novo, para ser honesto.

Na mesma entrevista, Iero contou sobre seu processo criativo, muito baseado em reviver experiências do passado: “No que diz respeito a representar e reviver essas experiências, geralmente não é tão difícil quanto você esperaria, porque elas tendem a evoluir e mudar com o passar do tempo. Assistir à arte que essas experiências geraram e afetaram os outros é incrivelmente catártico e realmente ajuda você a crescer como pessoa.

Por fim, Iero chega a uma conclusão em Parachutes:  “Todos nós vamos chegar ao solo” […] É realmente a viagem, ou a queda, e o quanto podemos saber e levar conosco, essas coleções de momentos. O que você pode agarrar quando você está no leito de morte ou preso em um hospital em algum lugar? Você está pensando nos prazos que você atingiu? Você está pensando em como não se lembra de nada disso? Ou mesmo aqueles pequenos momentos estúpidos…

Eu fico por aqui, desejando que todos nós tenhamos ótimos “para-quedas” e, invariavelmente, inspirada por esse artista.

Keep your boots tight, keep your mask on!

Beijos, MW. Até a próxima! 

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