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Especial Influências Musicais #2: Ray Toro e seu fascínio pelas notas musicais

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Na segunda matéria sobre as influências musicais de cada integrante do My Chemical Romance, falaremos sobre a relação do guitarrista solo Ray Toro com a música e como seu talento musical transpareceu desde muito cedo.

Texto por: Marina Tonelli
Edição por: Gabriela Reis e Ariane Santana

Ray Toro nasceu em um ano movimentado para o cenário da indústria musical. Em 1977 o clube CBGB, localizado em Manhattan, New York, que inicialmente – devido a sua sigla Country, Bluegrass, and Blues and Other Music For Uplifting Gormandizers (em tradução livre: (…) e outras músicas para animar os gulosos) – era voltado para apresentações de artistas de country e blues, foi invadido naquele ano pela força e excentricidade – para aquela época – do punk rock. Ficando conhecido como o berço do movimento, já que bandas como The Ramones, Blondie, The Dead Boys, Sex Pistols, The Damned e The Misfists tocaram na pequena e desorganizada casa de show que se tornou mundialmente conhecida ao ceder espaço a um movimento inicialmente desacreditado, mas que se tornaria um fenômeno por gerações.

The Ramones, CBGB, 1977 – Divulgação

Mas não era só o punk rock que estava encontrando seu espaço e fazendo história na música em 1977. David Bowie já em seu auge e, após todo o frisson de seu alter ego Ziggy Stardust, lançava o disco Heroes que seria o segundo da chamada “trilogia de Berlim”. Muito mais sério e compenetrado, o disco refletia os sentimentos e os efeitos da Guerra Fria em que Estados Unidos e a União Soviética travavam desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Pode parecer estranho falar sobre isso, para nós que estamos acostumados a viver numa sociedade globalizada, mas a Guerra Fria simbolizava um mundo dividido e prestes a entrar em um colapso em escalas incontroláveis a qualquer momento. As duas potências envolvidas, por anos, assassinaram aos milhares, disputaram poder através de armas bélicas e nucleares e o mundo vivia sob a pressão de qual seria o próximo passo, qual seria a próxima atrocidade. Mas tudo valia a pena, é claro, pois o avanço tecnológico seguia acelerado durante a disputa.

Voltando a David Bowie. Heroes foi considerado como o disco do ano de 1977 pela NME e foi inspirado pelo muro de Berlim que dividia a cidade entre Berlim Ocidental (capitalista) e Berlim Oriental (socialista). A Alemanha foi dividida por esta barreira física, este muro, após a Segunda Guerra e repartida entre a República Federal da Alemanha (RFA) encabeçada pelos países capitalistas, lê-se Estados Unidos, e a República Democrática Alemã (RDA), constituída pelos países socialistas, lê-se regime Soviético.

A questão aqui é: as pessoas não puderam escolher que lado poderiam ficar. Famílias foram separadas por décadas, sem qualquer tipo de contato e sem qualquer chance de transpassar o muro que era protegido 24h por 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para cães de guarda ferozes.

É importante se atentar a este cenário de 1977 porque fica muito mais fácil entender porque o movimento de contestação do punk surgiu com tanta voracidade e nomes como David Bowie resolveram voltar seus olhos para a criação de um disco abordando o social. Outro fato que marcou o ano de 77 foi o fim de uma era para o rock’n’roll: a morte do rei Elvis Presley por overdose. Morria o rock’n’roll como conhecíamos, mas se iniciava uma nova fase e o nascimento de um guitarrista brilhante.

Ray Toro nasceu em uma casa simples em New Jersey com dois irmãos mais velhos que foram seus primeiros influenciadores musicais. Eles gostavam muito de bandas de heavy metal, mas, surpreendentemente, conseguiam mesclar este gosto por solos longos, teatralidade, e vozes peculiares que atingiam notas impossíveis, com a suavidade e perfeição da música clássica. Algo que desenvolveu auditivamente a forma com que Ray percebia as notas musicais em suas diferentes formas. Não demorou muito para que ele se impressionasse com os solos de guitarra e entrasse em um curso para aprender a tocar.

Mas para ele, não bastava apenas aprender; ele também queria saber dedilhar rápido sobre as cordas. Então, além do curso de guitarra, também se matriculou em um de datilografia para ter destreza com os dedos. 

Logo ele já estava envolvido em diversas bandas locais. Seu interesse culminou em, muitos anos depois, por uma coincidência do destino, conhecer Gerard Way e Matt Pellissier e formar o My Chemical Romance. Mas até chegar a este ponto, Toro já havia desenvolvido seu estilo único de tocar guitarra, tendo sido influenciado por outras bandas do cenário musical que também já tinham feito história como é o caso do Queen e Ozzy Osbourne.

Freddie Mercury e Brian May – Reprodução Instagram Brian May

Não é segredo para ninguém a admiração de Toro pelo icônico guitarrista Brian May. Apesar de todo o cenário musical dos anos 70 citado e o quanto ele afetou a geração da década e das que se seguiram, o Queen jamais passou despercebido e sempre foi reverenciado pela sua inventividade musical. Freddie Mercury era um incrível show à parte nos palcos, mas o guitarrista Brian May, que compunha e tocava solos emblemáticos, formava uma dupla perfeita com o frontman. A banda como um todo aparentava se completar e estar no lugar certo, na hora certa e lançando exatamente o que o mundo precisava ouvir, então é completamente compreensível que ele seja uma das maiores influências de Toro.

Recentemente, Brian May desbancou Jimi Hendrix e foi considerado o melhor guitarrista de todos os tempos pela Total Guitar, uma revista especializada e de grande influência na Europa. Como se não bastasse ser um grande músico, Brian May esbanja simpatia e continua na ativa com o Queen fazendo turnês mundiais agora com Adam Lambert nos vocais no lugar de Freddie Mercury, fazendo um ótimo trabalho e sempre reverenciando o seu vocalista original como um fã orgulhoso e extremamente comprometido faria. Além disso, Brian May tocou com o My Chemical Romance em um momento inesquecível para nós e para Toro, um cover de “We Will Rock You” e “Welcome To The Black Parade”:

Outro guitarrista que é de grande influência é Randy Rhoads que nos traz de volta à infância e adolescência de Toro onde o heavy metal e a música clássica se faziam presentes. Infelizmente, a carreira de Rhoads é curta, pois em uma turnê com Ozzy Osbourne, ele morreu em um acidente de avião. Mas seu jeito único de combinar os dois estilos musicais e criar seu próprio jeito de tocar heavy metal fez com que ele se tornasse um ícone entre os guitarristas e entrasse para a lista dos melhores do mundo. 

Ozzy Osbourne, que não é conhecido por ser gentil e dar declarações muito amigáveis, concedeu uma entrevista para a Loudwire em que exalta Randy Rhoads e diz como ele foi o melhor guitarrista solo com que tocou em toda sua carreira e que ele fez a diferença não só por seu talento musical único, mas também por ter lhe dado toques em relação a forma com que ele cantava, como ele deveria usar o tom em certas partes das canções e que isso melhorava muito a qualidade dos shows.

Ozzy Osbourne e Randy Rhodes, 1982 – Foto: Paul Natkin/Getty Images

Além destes citados, Toro também têm como influências, conhecidos através de Randy Rhoads, os guitarristas clássicos Andrès Segovia – um guitarrista espanhol, considerado o pai do violão erudita moderno – e Christopher Parkening – um guitarrista clássico estadunidense que conquistou uma estrela de honra na calçada em frente ao teatro Ellen em Bozeman, Montana. Para finalizar, suas bandas favoritas além de Queen são: Pink Floyd, Led Zeppelin, The Beatles, Jimi Hendrix, The Doors, Motley Crue e Metallica.

Para conhecer mais influências musicais dos integrantes do My Chemical Romance, acompanhe o Fake Your Death Brasil aqui e nas redes sociais.

Beijos mafiosos,

MT.

 

 

 

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