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A eterna luta em prol da saúde mental: uma entrevista com Mikey Way

O baixista conversou com a AltPress sobre a importância da saúde mental, especialmente em tempos de pandemia, e como a internet pode ser a grande vilã ou a grande aliada

Tradução por: Ariane Santana

Edição por: Malena Wilbert

No dia 8 de outubro, Mikey foi entrevistado por Jason Pettigrew da AltPress sobre sua participação no Mental Notes, evento online promovido pela Hot Topic para ampliar a conscientização sobre o Dia Mundial da Saúde. Durante a entrevista, Mikey comentou sobre a Electric Century (a banda e a HQ), como ele lida com a própria saúde mental e sobre como o evento, que ocorreu no dia 10, seria uma experiência positiva para o baixista.

Lembrando que o FYD fez uma série sobre saúde mental durante todo o mês de setembro, e você pode conferir a primeira matéria da série aqui.

Confira a tradução da entrevista abaixo:

Mikey Way sabia que precisava sair de sua zona de conforto para ajudar os outros

O co-fundador da Electric Century e baixista do MCR, Mikey Way, vai apresentar o evento ao vivo da Hot Topic para conscientização do Dia Mundial da Saúde Mental, “Mental Notes”.

Mikey Way está cansado, mas apenas da melhor forma possível. Sua filha pequena tem um ciclo de sono próprio  e ele tem sido um pai amoroso  cuidando dela. É o melhor tipo de cansaço, mostrar amor aos seus filhos. O baixista do My Chemical Romance e co-fundador da Electric Century vai ampliar  isso este sábado. Mikey vai apresentar  o Mental Notes, show virtual criado e patrocinado pela Fundação Hot Topic.

O evento vai contar com performances de Black Veil Brides, Bishop Briggs, As It Is, DE’WAYNE, Bad Omens e the World Alive, além de muitos outros. Os lucros do evento irão para a Mental Health America, uma iniciativa de saúde mental que oferece terapia e outras ferramentas para promover a saúde mental. Mikey Way é o perfeito representante dessa causa, discutindo abertamente suas batalhas e ainda obtendo sucesso na área aparentemente sobrecarregada da música.

Mikey  contou à Alternative Press o que  anda fazendo. Além de seus trabalhos como pai, ele está preparando uma série de projetos de HQ. O segundo álbum de sua banda Electric Century está para ser lançado em algum momento do próximo mês, juntamente com um quadrinho. Apesar de terem algumas coisas que e não pode divulgar sobre seu lado criativo, ele é incrivelmente apaixonado por iniciativas para saúde mental. Mikey considera sua participação no Mental Notes uma experiência educativa que pode usar.

Como você está?

MIKEY WAY: Regressões do sono e coisas assim. A minha filha mais nova tem acordado às 5 da manhã. Você todos esses blogs… Têm todas essas merdas em que isso vai acontecer, aquilo vai acontecer. Uma delas é que mais ou menos nesse momento do ciclo, a criança para de ser boa em dormir e começa a acordar no meio da noite chorando. Sabe, toda essa merda chata que estou lidando. E é fodidamente exaustivo.

É a melhor exaustão que você vai experienciar.

Sim! Acho que vale a pena cada segundo.

No que você está trabalhando? Quais as novidades no segundo álbum do Electric Century?

Estamos nos toques finais do livro, e depois vai ser tudo compilado e deve estar pronto em três semanas. Sobre as músicas, você sabe como é em qualquer álbum. Quanto mais você ouve, mais você fica tipo, “Ah espera, isso vai mudar”. Apenas toques finais, mixagem e masterização.

Eu estava lendo uma entrevista que você cedeu a um site de HQs sobre a produção de Collapser. Shaun Simon basicamente te disse “Esquece o prazo. Termine isso antes.” Quando falamos em quadrinhos e CDs, existem mais revisões? Tipo, “Eu não gosto dessa cor. Eu não gosto dessa fonte.” Você acha que você volta atrás mais vezes em uma mídia do que em outra? Ou é só uma reação natural de qualquer um de se sentir assim sobre qualquer arte?

Acho que, por natureza, artistas são obsessivos-compulsivos. Eu acho que você nunca está completamente feliz com nada. É como alguém olhando no espelho. Eles ficam tipo, “Eu não gosto do meu cabelo. Eu não gosto das minhas pernas.” Você é seu próprio pior inimigo. Acho que isso acontece muito em empreendimentos artísticos. Você vai ver coisas que você acha “erradas” e que ninguém mais veria. É a natureza do animal, e te incentiva a continuar. Você sempre vai dizer a si mesmo que algo não está ótimo. Mesmo que esteja, você não diz. Acho que é uma bênção e uma maldição ter algo assim.

Você tem uma relação com quadrinhos a vida toda. Nesse ponto da sua vida, como isso mudou? O que os quadrinhos pessoalmente te oferecem? A ideia de escape? Outra extensão criativa? Uma plataforma para apoiar artistas visuais que você ama?

Eu acho que o que é realmente desafiador nos quadrinhos hoje em dia é fazer algo sobre a quantidade de coisas ótimas que já foram feitas. Tudo já foi feito se você parar pra pensar. É mais desafiador hoje fazer algo ótimo. Quadrinhos existem fazem 80, 100 anos. Deixar sua marca hoje é mais difícil que nunca. Eu também sinto que na era da internet, existem mais opiniões sobre isso. Quando éramos crianças e um quadrinho dos X-Men era lançado, não existia uma plataforma de mensagens para analisá-lo. Há mais dor aí, mas também há mais pessoas que gostam de quadrinhos do que nunca, o que é ótimo. Se você dissesse a alguns de nós 20 anos atrás que os filmes da Marvel seriam maiores que Star Wars? Coisas tipo Umbrella Academy e Watchmen são alguns dos maiores programas na televisão. Isso é muito legal.

Mas sim, quando eu era criança, era uma forma de escapar. Eu amava viver num mundo fictício e seguir um personagem por anos. Existe aquela história contínua que você pode entrar,sair e dar uma olhada nesses personagens. E isso ainda me chama atenção. É tipo comfort food para o cérebro.

Eu ia dizer a mesma coisa. Quantos quadrinhos você tem na mesa em termos de coisas nas quais você está trabalhando?

Eu estou trabalhando em outros dois quadrinhos além de Electric Century. Mas do jeito que essas coisas funcionam, [editores] não querem que você diga nada até que esteja sólido. Mas eu tenho coisas que eu estou muito animado que estão por vir, sobre quadrinhos. Agora é o momento perfeito que o mundo pressionou o botão de pausa. Pessoas estão encontrando novas formas de fazer arte agora, o que é maravilhoso.

Então há toques finais no segundo álbum da EC também?

Sim, eu estou muito feliz com as músicas. Algumas dessas músicas eram apenas demos por mensagem de voz. Algumas músicas têm quatro, cinco anos. Nós queríamos colocar algumas delas em For The Night To Control. Algumas mantiveram o tema da graphic novel. Então nós pudemos desenterrar algumas dessas primeiras faixas que eu realmente amava.

Ambas as HQs, Electric Century e Collapser , falam sobre saúde mental. Você mencionou que o mundo pressionou o botão de pausa. Como apresentador do evento ao vivo Mental Notes da Hot Topic, você tem uma experiência bem montada sobre como a saúde mental é de suma importância.

Eu acho que é muito importante por conta de tudo que está acontecendo. Você vai ficar triste. O que está acontecendo cientificamente, politicamente e socialmente vai te fazer triste, tipo duas vezes por semana. Para algumas pessoas, é a vida. Para outras pessoas é algo novo. Sabe, elas nunca se sentiram tristes antes. Ou talvez elas nunca pensaram nisso, ou nunca perceberam que acontecia. Então acho que esse é um novo holofote na saúde mental. Assistir o noticiário é muito ruim. Alguns dias eu não assisto. Tento evitar ao máximo. Fico ligado a isso, pois é necessário. Mas em algum ponto, você precisa desconectar um pouco pelo seu bem-estar.

Quero acreditar que a Apple está fazendo uma quantidade absurda de dinheiro. Porque as pessoas jogam seus celulares contra a parede por conta de frustração. Então elas percebem que agiram por impulso, e agora têm que comprar um celular novo. “Essa coisa está me incomodando. Portanto, tem que morrer.” É o perigo da recompensa extrema, certamente.

Nós vivemos numa era de recompensa extrema. Mas, exatamente. Agora mais do que nunca, as pessoas precisam cuidar umas das outras. As pessoas têm que cuidar de si mesmas também. As pessoas que estão sempre preocupadas com as outras precisam se preocupar sobre si mesmas as vezes. Você vai aprender do que é feito agora.

Como você se envolveu com o evento Mental Notes da Hot Topic?

Hot Topic perguntou se eu apresentaria o evento. O que eu achei que era bem legal e uma honra. Porque toda vez que eu posso me envolver com esse assunto é sempre ótimo para mim.

Eu tenho falado com alguém desde que eu tinha 17 anos. Mesmo antes disso, falava com meus amigos e minha família. Eu sempre soube que era um pouco diferente. O jeito que as coisas me afetavam era diferente de como afetavam as outras. Eu ainda vejo um terapeuta. De novo, tecnologia: você [olha para] a tela de vidro do seu celular e seu médico está na frente de você. Há aplicativos e todo tipo recursos para se conectar hoje em dia. É um grande passo entrar num veículo e dirigir até alguém e simplesmente admitir em voz alta que algo não está certo. Agora, talvez você possa fazer muito disso na internet, e você pode encontrar alguém para conversar baseado no que está acontecendo com você.

Eu sempre falei bastante sobre a minha saúde mental. Durante o curso da minha carreira profissional, isso surgiu algumas vezes. Sempre tentei falar sobre isso para que as pessoas não se sintam sozinhas. É uma grande forma que eu encontrei para retribuir. Eu gosto que as pessoas saibam que elas não estão sozinhas e que há milhões de pessoas como elas. Isso não significa que há algo errado com você. Não significa que você está doente. Todo mundo é diferente.

Então você vai discutir suas experiências com saúde mental?

Eu vou direcionar as pessoas para algumas ferramentas que elas podem usar para combater algumas das armadilhas que pessoas com questões mentais precisam lidar. A Mental Health America  tem todas as ferramentas que você precisa para começar. Eles realmente sabem como te passar a bola e te dar os recursos. É um bom jeito de começar se você nunca pesquisou sobre o assunto sozinho.

Você vai estar performando?

Não. Eu vou estar fazendo algo que, honestamente, eu nunca fiz antes. E acho que fazer isso vai ser bom para a minha saúde mental porque eu costumo ser um cara mais particular atualmente. Então fazer isso é fora da minha zona de conforto. Talvez eu descubra algo sobre mim mesmo, o que eu acho que é útil. [Risadas.] Como é aquele ditado? “A vida começa fora da sua zona de conforto.”

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