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Especial Influências Musicais #1 – Frank Iero e o seu berço na música

Durante este mês, traremos toda semana uma matéria especial contando as principais influências musicais de cada integrante do My Chemical Romance, esta semana, falaremos sobre o guitarrista base, Frank Iero. 

Imagem em destaque por: PH Melo
Texto por: Gabriela Reis
Edição por: Marina Tonelli

Não é novidade pra ninguém que conhece pelo menos um pouco da história de vida do guitarrista do My Chemical Romance que sua base musical veio desde muito cedo. Seu pai e seu avô sempre estiveram envolvidos com o mundo da música, principalmente com o jazz e o blues. Quando era criança, Frank ganhou uma bateria dos smurfs para aprender a tocar e foi incentivado pelo pai a aprender saxofone e piano, mas os caminhos o levaram para algo muito mais ousado: a guitarra.

Ainda assim, em uma entrevista concedida ao site Music Radar (que foi usada como base para a construção desta matéria), Iero carregou consigo a importância de ter acompanhado seu pai e seu avô durante as turnês por toda a sua carreira musical e como este fato trouxe seu visceral espírito do rock – que seria sua vocação principal dali uns anos:

“[o blues] era sobre fazer as coisas do jeito que você queria, espalhando o amor pela música. O blues era o punk rock para o meu pai: caras escrevendo suas próprias músicas, gravando-as em seus porões e tocando totalmente com o coração. As pessoas menosprezavam o blues em certo ponto, mas o estilo certamente atingiu meu pai em cheio. Quando eu descobri meu próprio punk rock, eu tenho certeza que me senti do mesmo jeito que ele”.

Não é possível negar que as influências base de Iero estão pautadas no tal do rock and roll e principalmente em bandas focadas no punk, pós-punk e suas variações, apesar dele não fazer parte do movimento punk*, mesmo gostando e apoiando a cena em inúmeros sentidos. Ainda assim, Iero carrega uma ideia do que é ser punk rock, pautada muito além do gênero musical: 

“Não importa em que ano você nasceu, ou quais shows você assistiu, você pode ser um adolescente no seu quarto, fazendo música no seu computador. Isso é sobre se expressar, sobre nadar contra a maré. Enquanto você estiver fazendo isso pelas razões certas, você está sendo punk rocker.”

(*nota: o movimento punk fez parte do boom da contracultura nas décadas de 1960 e 1970, onde os jovens se juntavam para ir contra o que a cultura de massa impunha na época, de maneira branda, eles se vestiam e se comportavam dessa forma para irritar autoridades, a mídia e até mesmo o próprio governo. Um exemplo básico que ilustra essa afronta ao governo e às autoridades foi o uso do coturno, que era um calçado usado exclusivamente por militares em épocas de guerra, chamado anteriormente de “botas de combate”).

Muito de seu discurso se deve aos estímulos que Frank viveu em sua adolescência em New Jersey. Ainda em entrevista ao Music Radar, Iero conta que em sua época de colégio, ele caiu de cabeça em movimentos DIY de bandas de rock e se apaixonou pelo ato de criar e fazer uma banda, divulgá-la e trabalhar em cima disso, com diversão:

“Haviam pessoas da minha idade organizando shows, fazendo suas próprias músicas, bem naquele estilo “faça você mesmo”. Aquilo pirou minha cabeça! Você não precisava ser um profissional para começar uma banda – tudo o que você precisava era paixão. Então eu me agarrei a ideia e caí de cabeça nisso. (…) Eu me apaixonei pela coisa toda, começar uma banda, colar os cartazes, fazer shows sempre que eu pudesse – eu amava a experiência como um todo. Talvez isso tenha vindo um pouco do meu pai e do meu avô, mas também veio do punk. A música era vital, assim como o mindset”.

Bem nesta época, Iero começou a ouvir certas coisas que faziam muito sucesso na época. De acordo com o site All Music, Nirvana, Black Flag e The Bouncing Souls foram cruciais para a formação de Frank como músico e também ajudaram na formação de sua primeira banda, Pencey Prep. 

Um pouco antes do descobrimento de Nirvana e outras bandas, o pai de Frank ainda influenciava em suas escolhas, já que ele trabalhava com vários grandes artistas em estúdios e dividia as experiências com ele depois, em longas conversas. Foi assim que Iero descobriu o CD de 1973, Raw Power, dos The Stooges, uma das bandas lideradas pelo Padrinho do Punk Iggy Pop

“Além de músico, meu pai trabalhava no The Record Plant em Nova York*. Ele viu muitos dos grandes fazendo discos. Ele me contou como Iggy Pop, no final de uma sessão, certa noite, vomitou no console de gravação. Agora, isso é punk rock! [risos] Acho que ele estragou todo o trabalho do dia”.

(*nota: eram três grandes estúdios de gravação administrados e fundados por Gary Kellgren e Chris Stone).

Outras grandes influências e inspirações, é claro, foram os Ramones com Ramones, de 1976, e The Clash, com The Clash, lançado no ano seguinte em 1977. Ambos tem uma pegada um pouco diferente do dito punk. 

No caso de Ramones, o rock mais puro (até mesmo com pegadas mais pop) era presente, já os britânicos do The Clash, trouxeram uma revolução ao estilo, trazendo letras mais políticas e sérias, principalmente para a época em que surgiram. 

Uma influência, que me causou certa estranheza foi, na minha opinião, o CD Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols, dos Sex Pistols, lançado também em 1977. Uma banda altamente comercial que se apropriou do estilo punk da contracultura para crescer na indústria e ganhar o mundo e milhões. Eles foram lançados por uma grande gravadora e, apesar de terem revolucionado o estilo, assim como The Clash, é até hoje uma banda que causa estranheza e certa repulsa para algumas pessoas admiradoras do gênero. 

Saindo do punk comercial dos Pistols e chegando na década de 1980, temos uma grande influência para o movimento straight edge, a Minor Threat, com a produção First Two Seven Inches, lançada em 1981 e relançada três anos mais tarde, em 1984. Eles se destacaram graças à forte representação para os jovens que não se encaixavam no movimento por acreditar que não era necessário usar drogas e álcool para se divertir. Para Iero, essa foi uma das bandas que mais trouxe empoderamento e liberdade aos jovens da época, com suas músicas ferozes e fortes letras.

Ainda na mesma ideia do movimento straight edge, chegamos a uma das bandas favoritas de Frank Iero, a Black Flag, com a produção The First Four Years, de 1983. Liderada por Greg Ginn, a banda nasceu em 1976, na Califórnia, e misturou a simplicidade dos acordes usada por Ramones com solos mais complexos, o que trouxe inspiração para bandas de heavy metal e de hardcore punk anos mais tarde, além das letras que tratavam de assuntos mais pesados como solidão e paranóia. A banda possui uma discografia bem variada, que traz consigo elementos do jazz e até mesmo de música clássica, principalmente na década de 1980. Segundo Iero, o álbum citado em questão é uma aula aos que desejam começar uma banda.

Entrando um pouco no estilo de horror punk, temos o que se tornaria, anos depois do jovem Frank Iero se aventurar com a música, uma das maiores inspirações para o My Chemical Romance, a banda americana (também de New Jersey), o The Misfits, com o CD Walk Among Us, de 1982. Nas palavras de Iero, a banda pode agradar tanto os fãs de punk rock, quanto os fãs de rock, em uma combinação dos dois gêneros – um tanto quanto bizarra, eu diria – de Elvis Presley como um fã de filmes de terror. Esses dois fatos – a influência por filmes de terror e a própria Jersey – explicam bastante a grande influência e a paixão de não só Frank, mas como todos os integrantes do MCR por Misfits.

Inclusive, a música Astro Zombies, presente neste mesmo CD, foi performada pelo My Chemical Romance em um cover que você pode conferir aqui.

Mas não é só de punk rock que vive um homem, por isso, trazemos aqui uma banda de hip-hop que revolucionou a cena musical na década de 1980, os Beastie Boys, com o CD Licensed To Ill, de 1986. Eles foram os primeiros brancos (de descendência judaica) a fazer sucesso no meio do rap, e também foram de suma importância para a influência de outras bandas no meio do punk e do rock

Apesar de ser vasta a influência de Frank no grunge, no punk rock e até no hip-hop, como vimos mais acima, outros gêneros permeiam o repertório do guitarrista, que também já se mostrou muito fã de britpop e outros gêneros, tendo como destaque as bandas The Cure, The Smiths, Joy Division, Weezer, Motorhead, dentre outras. 

De bandas mais recentes, um dos destaques é a banda de post-hardcore americana, Touché Amoré, que recentemente lançou um CD chamado Lament. No dia 30 de setembro, Frank participou também de um clipe da banda junto com sua cachorrinha Lois, que você pode conferir abaixo: 

Além de todas as influências aqui citadas, você também pode conhecer mais o gosto musical de Iero graças a playlist feita antes do lançamento do Barriers, no ano passado, com todas as influências presentes no CD: 

Eu vou ficando por aqui. Conta pra gente nos comentários qual banda ou discos você gostou mais.

Beijos da G., e até a próxima!

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