FAKE YOUR DEATH BRASIL

Sua fonte oficial de notícias do My Chemical Romance reconhecida pela Warner Music Brasil

Hesitant Alien: um retorno aos palcos e às origens

No aniversário do álbum solo de Gerard Way, o Fake Your Death Brasil traz uma matéria contando sobre as influências que inspiraram o trabalho e a mensagem que um alienígena brilhante veio nos contar. 

Texto por: Malena Wilbert
Edição por: Ariane Santana

Crédito foto de capa: Tim Mosenfelder / Getty Image

Com o fim do My Chemical Romance em 2013, a indústria musical ficou temporariamente carente de um dos vocalistas mais cênicos e carismáticos do rock. Mesmo que sua voz as vezes falhasse, a presença de palco, a interação com o público, os trejeitos que encantam a platéia e o inquestionável talento, sempre fizeram de Gerard Way um frontman excepcional. 

Felizmente, em  2014, os fãs puderam conferir novamente Way sobre os palcos. Desta vez, nada de vampiros, pacientes ou letras obscuras; era Gerard brilhando em cabelos vermelhos, mais curtos do que os do punk pós apocalíptico Party Poison, e um terno azul royal perfeitamente alinhado para dar vida a um ser de outra galáxia. O som também está diferente: no dia 29 de setembro era lançado Hesitant Alien e os fãs puderam conferir 11 músicas com claras influências do britpop e do glam rock, quase dançantes, uma celebração de estilos exuberantes dos anos 70 e 80.

Maduro, muito menos angustiado, falando sobre temas mais mundanos do que estávamos acostumados. A agressividade e potência do My Chemical Romance ficaram de fora, dando lugar a sons muito mais suaves. Porém, o adoravelmente excêntrico estilo de Gerard Way ainda estava lá. 

O cantor parecia inteiramente consciente que estava fora do estilo que o fez brilhar com sua banda por 12 anos, e era exatamente o que ele queria. No show de abertura em um clube de Fillmore, em San Francisco, disse “Lamento que você não conheça nenhuma dessas músicas, mas ainda assim vai amá-las”.  Lá estava ele conquistando uma nova audiência com um som completamente novo. 

Gerard contou em uma entrevista à MTV que esse era ele voltando para suas influências, o glam e britpop que ouvia e o excitava quando estava na faculdade de artes. Além disso, um manifesto a favor do retorno de sons de guitarra que, segundo Way “estavam fora das paradas de rock moderno”. 

“Acho que você comemora ao pegar algo que provavelmente é velho e um pouco datado no momento [a ênfase no som das guitarras],  e então encontra uma nova maneira de usar”, explicou. “Você pega coisas antigas, como pedais fuzz, que talvez não ouçam mais tanto no rádio, e descobre novas maneiras de usá-los”, declarou à Fuse

Embora Hesitant Alien não seja um CD conceitual, ainda é de Gerard Way que estamos falando: tudo na divulgação é bem planejado e faz sentido em conjunto. Um álbum que é sobre retorno às origens teve uma identidade visual adequadamente vintage. O vídeo promocional é uma entrevista na “Pink Station Zero”, uma gravação de quatro minutos, com imagem pixelada para simular às transmissões de TV antigas, e contou com um papo sério sobre sua paixão pelo rock, mas também com um apresentador de topete exuberante amarelo  perguntando: “’O que você gosta na turnê no espaço sideral?” Way responde, concentrado e inabalável: ‘Está quieto.’  É o conhecido vocalista divertido e excêntrico ali. 

O clima anos 80 seguiu no primeiro single, “No Shows”. Para Gerard, essa é a música mais importante do álbum. “Realmente encapsula o que eu acho que o disco está representando – não precisar pertencer a algo para se encaixar. Não precisar das luzes, não precisar do palco, não precisar ir ao show, não precisar fazer parte do a cena, você é diferente, e é assim que você se encaixa. Aprendi a aceitar meu lugar na música como, sou extremamente diferente, mas é assim que sou necessário e é por isso que pertenço. É por isso que Way está dando vida a um alien: ele sente que não se encaixa no padrão do mundo – musical e geral.

De diferentes formas, Hesitant Alien é um álbum sobre retornos. Aos palcos, às influências, às paixões e também a forma de Way expressar uma inquietação da sua adolescência,  seu sentimento de inadequação sobre seu gênero, o fato de não estar dentro dos padrões esperados para um homem. 

Ao New York Times, Way disse: “Eu costumava ser confundido com uma garotinha até a minha adolescência. […] Não me identifiquei com a masculinidade forte. Você olha para o início do MCR, depois que tirei aquela jaqueta de couro e comecei a usar maquiagem, estava lutando contra a homofobia e as fronteiras de gênero. […] minha identificação maior com as mulheres foi algo que eu expressava através da moda.”

Para ajudá-lo, também teve Lola, ume furry rosa brilhante, mude, pelude e não binárie que foi o mascote de Gerard durante toda essa era e continua presente (talvez, ou não, sua forma de continuar no twitter). “Lola não dá a mínima para rock ou pop ou qualquer coisa. Lola é apenas minhe amigue. Lola não dá a mínima para o que eu faço, sabe. E eu gosto disso”. 

É Way desafiando estereótipos de gênero e sendo livre, estamos falando de um CD influenciado pelo brilho de Queen, as calças justas do The New York Dolls e, obviamente, o alienígena andrôgino de David Bowie, Ziggy Stardust. “Por causa da música, minha aceitação se expandiu. Entrando em Bowie e Suede. Isso me ajudou a não me sentir tão diferente.” Assim como suas inspirações, é debochado e desafiador.

Sua estréia na carreira solo também parece confessional. Afinal, é um artista que representou uma banda por mais de uma década e agora fala somente por si mesmo. Apesar da construção de um personagem com entrevistas falando sobre outras galáxias, no final é apenas Gerard Way sendo ele mesmo “Vamos apenas abraçar isso. Eu sou um alienígena e isso é legal. Estou orgulhoso disso.”

Ele falou mais sobre isso para a Rolling Stone: “Não quero estar em uma situação em que esta seja uma obra de arte minuciosamente examinada e que leva três anos para ser lançada por causa dos testes de mercado e dos grupos de foco. Não estou interessado em nada disso. O objetivo é começar uma nova máquina, apenas colocá-la em funcionamento, fazer muitos shows, conhecer muitas pessoas interessantes, tirar a máscara um pouco”.

O resultado é que em todas as músicas – da sexy “Get The Gang Together” à vibrante e alegre “Maya The Psychic” as referências, inquietações e personalidade de Gerard são marcantes. É um rockstar que acabou de completar 30 anos, teve uma filha, está se comunicando com o mundo sem metáforas, mais confiante para isso. 

É lindo, é brilhante, refrescante, inovador e, paradoxalmente, confortável e familiar. É Gerard Way. Não é justo supor que essa exposição significa que durante os anos de My Chemical Romance ele estava atuando. Estamos falando de um homem que já provou ter uma diversidade de facetas e habilidades. 

Eu fico por aqui. Adoro o Hesitant Alien e confesso que gostaria de conferir qual faceta Gerard iria revelar ao mundo em um segundo trabalho solo. Mas, por enquanto, acho que todos concordamos que a prioridade é conferir como esse alien voltará para o My Chemical Romance. 

Keep your boots tight, keep your mask on!

Beijos, MW. Até a próxima!

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: