FAKE YOUR DEATH BRASIL

Sua fonte oficial de notícias do My Chemical Romance reconhecida pela Warner Music Brasil

Stomachaches: catarse emocional que tornou-se a estreia solo de Frank Iero completa seis anos

No aniversário de seis anos do lançamento de Stomachaches o Fake Your Death Brasil traz uma matéria contando quais foram as inspirações para o primeiro álbum solo de Iero, curiosidades e uma análise faixa a faixa

Texto por Malena Wilbert
Revisão por Gabriela Reis

As pessoas podem lidar com a dor de diferentes maneiras. Para Frank Iero, alguém que vive e respira música, não é surpresa que seu mecanismo tenha sido uma coleção de faixas, a princípio despretensiosas, que acabaram por se tornar o álbum de estréia da sua carreira solo. O Stomachaches, disco que neste 25 de agosto completa seis anos, nasceu assim: no porão de Iero como uma forma de escape para as dores de estômago que ele estava sofrendo. 

As canções começaram a ser criadas em 2012, antes do fim do My Chemical Romance, ao mesmo tempo em Frank estava dando os primeiros passos para o Death Spells, mas só foram lançadas dois anos depois, em 2014. Todas as composições e gravações para o álbum são de Iero – com exceção da bateria que ficou por Jarrod Alexander, parceiro do MCR desde a saída de Michael Pedicone. 

Em entrevista à Natasha Van Duser,  para a New Noise, Frank explicou que lançar um trabalho solo com o nome de uma banda, frnkiero andthe cellabration, foi a forma dele lidar com a ansiedade de ter gravado um disco sozinho, ser tratado como frontman, algo que não se considera “por excelência” “[…] Eu pensei: ‘e se eu chamasse a banda de The Cellabration e ninguém perceberia que sou totalmente anti-social?’

Foto: Justin Borucki

Na mesma entrevista ele falou sobre o processo de criação, como naquele momento compor foi uma maneira de se desafiar quando estava fisicamente esgotado: “Toda vez que eu sentia que precisava apenas me enrolar em uma bola e não fazer nada, me obrigava a levantar e escrever músicas, e é daí que cada uma veio originalmente […]  Quando tudo começou, eu realmente não achava que estava escrevendo um álbum, não tinha intenção de fazer um projeto solo ou algo assim.”

Embora o combustível para as composições tenha sido problemas que estava enfrentando no presente, Frank se refere às músicas como “escritas no passado”. Para a Mind Equals, ele contou que suas inspirações para o Stomachaches foram histórias do começo da sua vida, algo que ele sentia que precisava canalizar naquele momento: “Eles são muito baseados em histórias de coisas que aconteceram comigo ou pessoas que eu conheço ou coisas que vi. Esta é minha tentativa de contá-las.” A escolha do local para a celebração da estréia do disco também está atrelada às suas raízes, em uma das lojas de música favoritas de Iero em Nova Jérsei, a Vintage Vinyl. 

Show de estreia do Stomachaches no Vintage Vinyl, Nova Jérsei. Foto: Murjani Rawls / Mind Equals

Para as apresentações ao vivo, frnkiero andthe cellabration contava com uma banda formada por Evan Nestor, cunhado de Frank, Rob Hughes, que já havia tocado com Iero no Leathermouth, e Matt Olsson, que conheceu naquele mesmo ano. Um mês após o lançamento oficial do álbum, em setembro de 2014, eles entraram em turnê nos Estados Unidos, abrindo shows para as bandas  Taking Back Sunday e The Used.

Lançado por uma gravadora de médio porte, a Staple Records, Stomachaches foi reconhecido pela Kerrang! como um dos 50 melhores álbuns de rock de 2014, na 21° posição. A AllMusic descreveu o primeiro trabalho solo de Frank como “uma enxurrada de material forte e muito pessoal que era diferente de qualquer um de seus projetos anteriores. […] Apaixonado e ligeiramente indisciplinado, combina bem o charme espontâneo de um disco caseiro com o profissionalismo esperado de um veterano do rock que fez algo de bom em uma situação difícil.”  

A observação do veículo sobre a “espontaneidade caseira” do disco coincide com uma das declarações de Iero sobre a gravação, quando disse à Bad Feeling que planejou melodias simples: “ Eu adoro o elemento humano das coisas. Minhas partes favoritas da música são os erros. Então, eu queria algo quebrado, mas bonito. Forte, mas frágil.”

A Rock Sound, revista britânica com foco em música alternativa, destacou a característica honesta das composições: Nascido do isolamento e da introspecção, ‘Stomachaches’ é extremamente agradável e deixa tudo sobre a mesa. Tudo sobre a mesa parece descrever bem suas composições, que parecem registros daquele tipo de pensamento que normalmente guardamos para nós mesmos. É uma mistura debochadamente sombria de sentimentos de inadequação, culpa, saudade e resquícios de um relacionamento muito complicado. 

“All I Want is Nothing”, faixa de abertura, já introduz  essa identidade ao resto do disco, sua letra cheia de ressentimento combinada com a melodia enérgica que segue em “weighted”, o primeiro single do Stomachaches. O refrão contagiante é agridoce, algo entre a resignação forçada e o otimismo: “So let’s laugh,/ let’s laugh / Let’s learn to laugh at ourselves again/ And let’s love, let’s love / Let’s hate what our love makes us do”

O álbum segue com uma das músicas mais fortes da gravação “Blood Infections”, que infelizmente não foi o segundo single, faixa que alterna vocais suaves com guitarras intensas se sobrepondo a voz de Iero. “She’s the Prettiest Girl at The Party and She Can Prove It With a Solid Right Hook” é sobre Jamia, esposa de Frank e sua melhor amiga desde a adolescência. 

Frank contou a história que inspirou faixa para a revista Suffolk. Os dois estavam em um baile, onde encontraram uma garota bêbada pedindo para pessoas baterem nela, o que Jamia fez sem hesitação. “Iero disse que aquele foi o momento onde ele percebeu que ele tinha que casar com aquela garota, a mais bonita e com um gancho direito sólido.”

O clima romântico fica para trás na faixa seguinte “.stitches”, que carrega um som agressivo e anárquico acompanhando uma letra cheia de ressentimentos. Já “Joyriding”, outro single, é revigorante como um desabafo honesto e cruel sobre rejeição e autodepreciação em uma melodia contagiante. 

Frank durante a gravação do clipe de Joyriding / divulgação

Depois desse desabafo, é como se o Stomachaches seguisse com um momento de calmaria melancólica pós tempestade com “Stage 4 fear of trying”, uma das melodias mais calmas do álbum. “.tragician”, oitava faixa, recupera a energia caótica, cheia de gritos e riffs fortes de guitarra, a mesma das suas sucessoras, “Neverends” e “.smoke rings”. As três têm uma identidade que parece ser intrínseca de Iero,a mistura de resignação e escárnio como uma forma forte, contundente e corajosa de enfrentamento. 

Embora essas canções a princípio não tenham sido concebidas para serem partes de um albúm, todas parecem se encaixar perfeitamente em sequência. “Guilt Tripping”, penúltima faixa, é uma das que Frank disse ter tido mais dificuldades para escrever, mas que passa a impressão de ter sido naturalmente incluída no disco, com a sonoridade se misturando com o todo

“Where do We Belong? Anywhere But Here” encerra Stomachaches de uma forma quase espiritual, uma conclusão para a cacofonia sentimental que faz todo sentido quando se entende o contexto em que o CD nasceu – uma catarse emocional do passado em meio a crises de dores: “Someone I love ripped through me / But I don’t mind / I’ll be fine / I don’t mind /We’ll get by somehow” uma das últimas frases do disco, é quase como uma declaração de trégua aos seus demônios, em um acordo com as dores. Em retrospecto, toda a ideia corrobora e intensifica algo que os fãs de Frank Iero vem ouvindo dele durante anos: existe beleza na feiura, algo proveitoso nos sentimentos ruins. 

Foto: Justin Borucki

Mesmo com a descontinuação de frnkiero andthe cellabration, o Stomachaches continua relevante. Tanto que nesse ano de 2020 foi anunciada sua versão promocional de vinil, ação que faz parte da comemoração ao aniversário de 15 anos da gravadora britânica Hassle Records. Em comunicado à imprensa eles declararam “grande emoção” ao trabalhar diretamente com Frank, relançando um álbum de “atitude punk crua e crua”. 

As pré-encomendas do vinil de edição limitada de Stomachaches estão disponíveis aqui.

Eu fico por aqui, cheia de amor pelo Frank Iero e inspirada mais uma vez pela sua forma de traduzir sentimentos. 

View this post on Instagram

coming soon… xofrnk

A post shared by frnkiero (@frankieromustdie) on

Keep your boots tight, keep your mask on!

Beijos, MW. Até a próxima! 

One thought on “Stomachaches: catarse emocional que tornou-se a estreia solo de Frank Iero completa seis anos

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: