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Além de The Saviour of the Broken: a trajetória solo de Gerard Way nos quadrinhos e na música

Perfil

Com a estréia recente da 2° temporada de The Umbrella Academy na Netflix e o anúncio de uma nova edição do HQ que conta a história dos Killjoys prevista para outubro, o Fake Your Death Brasil trouxe um pouco da carreira solo de Gerard Way, sua paixão pela música e pelos quadrinhos – e como elas se desenvolveram ao mesmo tempo durante várias fases de sua vida.

Texto por: Malena Wilbert
Edição por: Ariane Santana

Sejam vampiros, fantasmas, punks coloridos pós apocalípticos, uma família super disfuncional, ou até mesmo aliens, a cabeça de Gerard Way (1977) sempre foi habitada pela fantasia. O super poder do menino tímido que cresceu cercado de quadrinhos de heróis sempre foi esse: expressar-se pela arte, seja ela em forma de música, escrita ou  imagem. Essa habilidade de transmutar suas emoções através de sua veia artística o ajudou a superar seus demônios (saiba mais sobre a vida pessoal de Way aqui) e tornar-se referência em todos os segmentos pelos quais se aventurou. Hoje ele é conhecido não somente pelo sucesso como vocalista de uma das bandas mais importantes dos anos 2000, mas também por sua sólida trajetória no mundo das HQ’s e por uma adaptação de sucesso para a televisão. 

Muito antes de se tornar o savior of the broken como frontman do My Chemical Romance, Gerard já estava experimentando a arte por meio da sua primeira paixão: os quadrinhos.  Foi o que Way contou no painel da editora Dark Horse na Comic-Con@Home 2020 (leia a tradução completa aqui), explicando que o interesse pelas HQ’s surgiu muito cedo, ainda criança. Após uma cirurgia para retirada das amígdalas, sua avó o presenteou com algumas edições para passar o tempo no hospital: “Foi assim que eu meio que conheci os quadrinhos, e comecei a ir na loja de quadrinhos, e o principal que eu comprava era os X-Men, do Chris Claremont e do Mark Silvester. Me senti atraído por esses quadrinhos, pois eram sobre excluídos e tal. […] Foi meio que assim que começou, aí eu comecei a desenhar os meus próprios quadrinhos”. 

Após trabalhar em lojas de quadrinhos durante a adolescência e publicar uma HQ aos quinze anos (escrita com a máquina de escrever da sua avó), Way cursou a Escola de Artes Visuais de Nova Iorque, onde se formou em 1999 com o título de cartunista, chegando a estagiar para a DC Comics e, posteriormente, trabalhar no Cartoon Network. Foi nessa fase de sua vida que ele presenciou o ataque ao World Trade Center, fato que influenciou a criação da banda. Gerard já havia participado de outros grupos no passado, a paixão pela música herdada de sua avó, Elena, o fizera se interessar pela guitarra. Mas, até então, ele não tinha tido sucesso em suas empreitadas, sendo inclusive expulso da sua primeira banda por não conseguir  tocar ‘Sweet Home Alabama’.  Concentrado na sua carreira artística, a inclinação para os palcos de Way parecia estar adormecida, pelo menos até aquele 11 de setembro de 2001. 

“Skylines and Turnstiles”, primeira música do My Chemical Romance, foi a forma que Gerard encontrou para canalizar os sentimentos traumáticos após presenciar o ataque que vitimou quase três mil pessoas de mais de 70 nacionalidades. Durante a edição de 2019 da Comic-Con, em Los Angeles, ele explicou como a música foi uma válvula de escape naquela época: “Tornou-se a minha terapia de transtorno de estresse pós-traumático que todos haviam experimentado desde o 11 de setembro e o processamento disso […] eu peguei o violão novamente e escrevi Skylines And Turnstiles. Então liguei para Matt (Pelissier, primeiro baterista) e depois para Ray. Pegamos Mikey e começamos a desenvolver esse momento “.

Três meses depois eles já estavam gravando “I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love”  primeiro álbum do My Chemical Romance, lançado em 23 de julho de 2002 pela Eyeball Records. Em 2004, a banda conquistou o mundo com  o “Three Cheers for Sweet Revenge”, CD com selo da Reprise que ganhou  o certificado de platina menos de um ano após seu lançamento). Com o sucesso massivo, Gerard ficou um tempo afastado dos quadrinhos; porém, em 2007, durante a turnê estrondosa do The Black Parade, Way voltou à sua antiga paixão para desenvolver a HQ que lhe consagraria além da música: nascia então The Umbrella Academy. 

Em entrevista ao Universo HQ, quando esteve no Brasil na Comic Con Experience 2015, Gerard falou sobre a experiência de começar a escrever uma HQ enquanto ainda estava tão imerso com a banda: “Eu saí de gravar um álbum direto para a turnê, então realmente não procurei/esperei por opiniões sobre meus quadrinhos. Eu simplesmente fiz.” Embora já tivesse feito o desenho original de todos os personagens, a falta de tempo de Way exigia que a série tivesse um artista responsável pelas ilustrações para que as edições pudessem ser lançadas em menos tempo. Foi quando Gerard conheceu o trabalho do brasileiro Gabriel Bá por meio do editor original de UA, Scott Allie. “Nós não tínhamos um artista. Eu tinha feito todos os desenhos de como seriam os personagens, mas precisava de alguém para traduzir isso. Acho que, no início, eu estava procurando por um estilo mais realista, só que isso não estava se encaixando bem. […] Então, o Scott disse ‘achei esses artistas do Brasil e eles são realmente incríveis; e acho que um deles é perfeito para isso. Seu nome é Gabriel’.[…]. E, logo que vi, pensei: “Sim, esse é o cara!”.

Gabriel Bá e Gerard Way durante as gravações de The Umbrella Academy. Crédito: Christos Kalohoridis / Netflix

Originalmente publicada pela Dark Horse, no Brasil a tradução chegou pela editora Devir lançada em três volumes: Suíte do Apocalipse (2007), Dallas (2009) e, quase dez anos depois,  Hotel Oblivion (2019). Foi a primeira edição que rendeu a Gerard Way o prêmio Eisner por melhor minissérie, em 2008. O sucesso fez com que Universal Studios considerasse uma adaptação para o cinema em 2010, mas as negociações nunca deram certo. Porém, em 2017, a história da “família super disfuncional”, como Way descreve, ganhou seu espaço nas telas por meio do anúncio da adaptação da Netflix. Com Gerard como produtor, a primeira temporada estreou em fevereiro de 2019 e ganhou destaque como uma das dez mais assistidas do serviço de streaming.  

Hesitant Alien: a volta aos palcos com a carreira solo

Crédito: Tim Mosenfelder / Getty Image

Quando o My Chemical Romance anunciou seu fim em 2013 Gerard estava investindo na sua carreira nos quadrinhos – trabalhando em Umbrella Academy e lançando a primeira edição de The True Lives of the Fabulous Killjoys, a sequência espiritual do CD com o mesmo nome e que já havia sido anunciada em 2009. Mesmo assim, isso não o afastou dos palcos: em 2014 Way lançou seu álbum solo, Hesitant Alien. 

Com uma clara influência do glam rock, é impossível não pensar em Ziggy Stardust, o alien andrógino e rockstar criado por David Bowie na década de 70. Até mesmo o visual de Way – cabelos vermelhos curtos e ternos azuis brilhantes – lembram o personagem. Em entrevista ao jornal The New York Times Gerard contou que o título é uma referência a como ele se sente na indústria da música e na sua própria vida pessoal: “Estou tentando me encaixar, mas simplesmente não há possibilidade. Isso simplesmente não vai acontecer, então vamos abraçar isso. Eu sou um alienígena e isso é legal. Estou orgulhoso disso.”

O CD foi bem recebido pela crítica, alcançando nota 75/100 no Metacritic. Em sua avaliação a Altpress disse: “agora com quase 30 anos, ele [Gerard] está voltando às coisas que o excitaram, desde o pretensioso glam-rock dos anos 70, fraturado pós-punk dos anos 80 e todas as convenções sonoras inglesas do Britpop dos anos 90. […] Hesitant Alien tem bastante requinte e glamour para garantir que ele permaneça relevante e notavelmente vibrante – e, você sabe, legal pra caralho”. O britânico The Guardian também ressaltou as claras influências do CD: “ Way está mergulhando na música com a qual ele cresceu – particularmente a energia de David Bowie e Britpop de Suede e Supergrass. O entusiasmo audível resulta em um conjunto confiante e arrogante de músicas cheias de alegria de viver, bancos de feedback e paredes de guitarras e saxofones.”

Com apenas 38 minutos e 50 segundos divididos entre 11 músicas, Hesitant Alien alterna faixas mais pesadas como The  Bureau, Zero Zero e Juarez com combinações agridoces de melodias suaves e composições com temas tristes: é o caso de How It’s Going to Be, canção que tem um ritmo entre o calmante e o dançante enquanto Way invoca os versos: “você disse que iríamos todos estar mortos aos vinte e cinco anos // Não é pelo seu suspiro  desapontado // Não é como se você tivesse trocado tudo por orgulho //Não é como se nos importássemos muito // Estamos apenas entediados por você ainda estar vivo”. 

Os singles lançados posteriormente também merecem destaque: a cativante  Pinkish (música qual uma certa redatora do Fake Your Death Brasil tem versos tatuados no braço) e Don’t Try foram executadas durante a turnê solo de Gerard, mas só em 2016 foram lançadas oficialmente, ganhando uma edição especial de vinil com a identidade visual do HA. 

Mesmo sem lançar nenhum CD desde então, Way certamente manteve-se muito ocupado: além de gerenciar o sucesso de The Umbrella Academy, que conquistou um público muito mais abrangente do que fãs da banda, entre 2016 e 2018 ele foi o responsável pela curadoria do selo Young Animal, da DC Comics. A Young Animal abrigou a reinterpretação mais recente de Doom Patrol, série que fez sucesso na década de 90 sob o comando de Grant Morrison, um dos ídolos de Gerard que se tornou amigo pessoal e colaborador. 

Com uma carreira em que acumulou tantas habilidades, parece que uma das únicas coisas que Gerard Way não consegue fazer é ficar sem criar. Com o enigmático anúncio da turnê Return, do My Chemical Romance, ficou nítido todo o trabalho empenhado para a criação de um novo conceito que acompanharia os shows (ou algo mais?) – temporariamente pausados por conta da quarentena. 

Embora não possamos estar assistindo às apresentações do Return, Way ofereceu bastante conteúdo aos fãs de sua carreira solo durante esse período: além da estréia da segunda temporada de The Umbrella Academy,  a canção “Here Comes the End”, gravada especialmente para sua série e músicas inéditas do Hesitant Alien lançadas no SoundCloud, Gerard também anunciou, recentemente, a volta dos Killjoys em uma nova nova edição, National Anthem, que vai contar o conceito original da história antes de se tornar um albúm do MCR. Certamente não é o suficiente para os fãs ansiosos pela turnê de retorno após tantos anos órfãos do My Chemical Romance, mas, definitivamente, são belos presentes que Gerard compartilha conosco nesses tempos pandêmicos. De líder da parada negra, passando por quadrinista premiado até um alien rockstar glamouroso, sempre é possível ver a personalidade cativante de Way no que ele se propõe a fazer. Em breve, o Fake Your Death vai trazer mais informações sobre cada um de seus projetos! 

Eu fico por aqui, torcendo para que logo possamos Gerard Way mais maravilhoso do que nunca nos shows do Return. Enquanto isso, keep your boots tight, keep your mask on!

Beijos, MW. Até a próxima! 

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