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A vida após o My Chemical Romance: uma matéria exclusiva com Ray Toro

Ex-Guitarrista do MCR fala exclusivamente para a TeamRock

Matéria por: Tom Bryant de 2014
Tradução: Marina Tonelli
Edição e revisão: Equipe Fake Your Death Brasil

Recentemente, Ray Toro estava em seu sótão. Ele observava suas velhas recordações do My Chemical Romance: passes de backstage da última turnê mundial, pôsteres de outros shows, roupas utilizadas em clipes… E todos esses itens levaram seus pensamentos de volta ao tempo em que ele fazia parte da banda.

Quando os organizadores da Fundação Make A Wish o convidaram para doar algo, esperavam um objeto único mas, se possível, que fosse pequeno e que não fosse fazer falta. Ao invés disso, ele ofereceu o icônico capacete de motoqueiro que usou no clipe de Na Na Na e que fazia parte da construção de seu personagem Jet Star no conceito do disco Danger Days. Essa doação pegou os organizadores do evento totalmente de surpresa.

O fato de ele ter sido tão generoso diz duas coisas sobre Ray Toro naquele momento: a primeira é que ele não havia mudado absolutamente nada desde seus tempos na banda. Sempre amigável, humilde e – em toda e qualquer ocasião – educado, ele era, na maioria das vezes o mais acessível de uma banda que já é acessível. Uma gentileza única como esta sempre foi o tipo de coisa que o definiu. 

Mas outra coisa que essa doação significativa diz sobre Ray é igualmente interessante: enquanto o guitarrista estava ali em seu espaço de armazenamento, olhando através de suas memórias, ele chegou a uma conclusão: que era o momento de deixar o passado para trás e seguir em frente. Era o momento de colocar o My Chemical Romance atrás dele. Era o momento de deixar as pessoas verem outro lado dele. 

Eu tenho estado neste tipo de fase de transição na minha vida,” ele diz. ”Estou seguindo em frente em relação ao passado e desacelerando um pouco as atividades.”

E o que ele tem preparado para o futuro pode ser uma surpresa para todo mundo.

Quando o My Chemical Romance chegou ao fim, em março de 2013, o membro da banda que mais tinha responsabilidades com que se preocupar era Ray Toro. Após o fim da pressão do término, seus parceiros de banda voltaram para a música: Frank Iero com o seu hardcore e a variedade de seus projetos solo, Michael Way com um novo projeto eletrônico e Gerard Way com um disco solo planejado para ser lançado em breve. Mas Ray tinha outras coisas para se preocupar: ele teve um bebê.

“Feliz aniversário pequeno companheiro!”

Quando Toro fala sobre algo que se importa muito, é impossível ele conseguir controlar o entusiasmo em sua voz. Ray fazia isso enquanto contava sobre os discos, explicando de forma maravilhada e extremamente rápida sobre o The Black Parade ou borbulhando entusiasmo sobre o Three Cheers… Talvez. Agora ele faz isso quando fala sobre seu filho. 

Ele acha que o timing da chegada de seu filho – não só porque o deu outra coisa para se concentrar, mas também porque sem os compromissos de uma turnê Ray estava disponível para passar o tempo necessário com o novo desafio tão aguardado por ele e sua esposa.

Ter a banda fez grande parte da minha vida, mas depois tive algo novo introduzido a ela,”  diz. “A banda ter acabado foi como uma bênção disfarçada, porque sem a banda, eu estava disponível para estar em casa e fazer parte da vida do meu filho de um jeito que os caras (da banda) não tiveram a chance, eles estavam fazendo turnê quando tiveram filhos. Eu senti como se isso tivesse vindo na hora certa, tem sido ótimo.”

Pode ter sido ótimo mesmo, mas lidar com o fim de uma banda e ter um filho deve ter sido como fazer malabarismo.

“Olha, foi definitivamente interessante! Mas foi bom, porque foi uma maneira de canalizar a energia, e esta energia era realmente positiva. Mas ter um filho pode ser muito estressante; tudo o que você faz você sente como se estivesse fodendo com tudo. Você fica tipo: eu não sei como segurá-lo, eu não sei como trocar uma fralda! No primeiro dia, você está no hospital e as enfermeiras te ajudam a cuidar dele, e aí elas te entregam o bebê e te falam para levá-lo para casa. Você quase pede para elas venham com você! Você precisa descobrir como que se coloca o bebê na cadeirinha do carro… Você fica tão nervoso. Mas é ótimo.”

Durante o ano passado,  Ray passou seu tempo fazendo algo que nunca pôde no passado, e jamais poderia fazer enquanto estivesse no My Chemical Romance: ele pôde ficar em casa com a família. E ele aproveitou esse momento imensamente.

Tenho criado o meu filho e desfrutado os momentos com ele e a minha esposa. Eu tinha uma vida familiar agradável que eu nunca tinha tido a chance de aproveitar, porque nós sempre estávamos na estrada. É bom sentir que nós estamos construindo algo como uma família; é bom estar sentindo que estou criando raízes em algum lugar ao invés de trabalhar o tempo todo.” 

Ele também tem consciência de que é sortudo. Quando Gerard teve uma filha e Frank  as gêmeas, a banda estava no processo de finalizar e começar os preparativos para a turnê de seu último disco, o Danger Days.

Ray em turnê com o MCR

 “Frank teve suas garotinhas e nós caímos na estrada, o mesmo aconteceu com Gerard. Naquele tempo, eu não sabia o que deveria estar se passando pela cabeça deles por estarem tão longe de suas filhas por tanto tempo. Eles não puderam ver suas filhas crescerem do jeito que pais normais fazem. Eu definitivamente aprecio como eles passaram por isso e me sinto tão sortudo que eu pude estar em casa, apesar de ter sido através de uma situação tão ruim quanto a banda chegando ao fim.”

Mas criar uma família não é tudo o que Ray tem feito. Ainda quando era membro do My Chemical Romance, o guitarrista dirigia sessões de gravação improvisadas na sala de descanso do ônibus de turnê e foi assim que as sementes do que seria o The Black Parade foram plantadas. Durante as turnês, ele também passava seu tempo livre em seu quarto de hotel criando faixas só com sons de guitarra apenas para seu divertimento. Gravar tornou-se um hobby, algo que ele continuou fazendo nos últimos 15 meses. Isso significa que ele tem grande parte de um disco solo engatilhado. E está cada vez mais ansioso para lançá-lo. 

Ray Toro em seu home estúdio

Eu estou juntando as demos agora, ainda não comecei a gravar um disco oficialmente, mas tenho a sensação de que todas essas gravações se tornarão um disco um dia. Estou tocando todos os instrumentos, então tem bastante coisa a se fazer, mas será tudo feito por mim.”

Ray achou o processo desafiador, porém interessante. No My Chemical Romance, sua musicalidade era combinada com a imaginação de Gerard e o espírito punk de Frank para criar seus sons grandiosos. Ele seria o mestre do estúdio, empenhado em tirar o melhor do que a banda poderia oferecer tocando e usando sua própria capacidade técnica e habilidade criativa para que a música ficasse completa. Mas tudo isso dentro de um contexto de uma banda que poderia apoiá-lo. Trabalhar sozinho é um cenário completamente diferente.  

“Fazer as coisas sozinho é uma grande mudança. Mudar de um cenário em que você trabalha com um grupo de pessoas para escrever as músicas você mesmo é bem diferente,” ele diz. “A grande diferença para mim é escrever as letras e cantar, é uma coisa completamente diferente que eu fiz antes. Tem sido um desafio, mas um ótimo desafio. Eu tenho tentado coisas que nunca tinha tentado antes e gosto de me arriscar, tem sido divertido.”

Em maio do ano passado Ray postou online uma música nova: Isn’t That Something. Uma pura, alegre e bem acabada peça escrita de pop-rock que poderia estar apontando a direção que ele estaria seguindo: um som radiante, mais imediato do que o do My Chemical Romance, mas com guitarras dominantes similares e com o mesmo senso de urgência. Acontece que essa canção era só uma distração.

É interessante, na verdade,” diz Ray sobre o seu novo som. “A maioria das músicas são baseadas em cordas, não é orquestral, mas um pouco diferente. Eu tenho tentado encontrar texturas diferentes do que a banda costumava fazer. Há uma infinidade de possibilidades: sublime é uma ótima palavra para descrever. As pessoas para quem toquei as músicas mencionaram Peter Gabriel, então  acho que é a referência mais próxima que  posso dar. É bem diferente e acho que as pessoas vão se surpreender.”

Ele está animado com a ideia de que pegará as pessoas de surpresa. Aqueles que estão habituados a vê-lo sacudir seu cabelo afro ao lado do palco ou reproduzir rápidos riffs e solos de guitarra vão ser apresentados a um lado diferente de Ray agora. 

“Acho que o que mais está me deixando animado é que não é algo que as pessoas estão esperando de mim,” ele diz. “Na verdade, acho que isso também vai acontecer com o que os caras da banda estão fazendo. Eu vi um comentário ótimo no Twitter de alguém dizendo que estava chateado com o fim da banda, mas que agora estava muito empolgado porque teria quatro discos ao invés de um vindo de nós. Estou muito empolgado para ouvir o que os caras estão fazendo porque cada um de nós tem um talento escondido e nós veremos estes talentos florescendo no lançamento dos nossos discos.”

Ray Toro em turnê com o MCR

Ray vem trabalhando em tentar juntar as músicas para tocá-las ao vivo, potencialmente em shows. “Fiz alguns ensaios com alguns amigos e definitivamente seria legal tocá-las ao vivo. Espero que dê tudo certo e que elas fiquem boas juntas,” ele diz. Mas, principalmente, está pensando em gravá-las apropriadamente em estúdio e lançá-las.

“Estou ansioso para seguir em frente, porém, ao mesmo tempo, não quero apressar demais o processo de coisas que não estão no ponto certo ainda,” explica  “Mas também não quero esperar muito porque acho que tenho boas canções que quero mostrar. Ainda quero resolver algumas coisas com a gravadora, mas, se as coisas não derem certo com eles, vou dar um jeito e lançar eu mesmo.” 

Há certo simbolismo na doação de Ray do seu capacete de motoqueiro usado em Danger Days quando ele decide sair sozinho. No ano passado, Toro foi o membro mais quieto e afastado dos holofotes do My Chemical Romance e agora aparenta ser o momento certo de seguir em frente e caminhar com as próprias pernas. Certamente ele está indo em uma direção diferente: seu novo som é um salto em relação à suas antigas músicas. 

Mas ao percorrer este caminho, ele pensou no significado do My Chemical Romance e se pegou um pouco surpreso, mas incrivelmente tocado, que a banda permanecia significando tanto para os fãs. Quando a banda anunciou o término no ano passado, ele não estava preparado para a corrente de luto ao redor do mundo: talvez porque ele nunca tivesse compreendido completamente como a banda era amada.

“Vai soar clichê, mas você nunca sabe esse tipo de coisa quando você está numa banda,” conta. “Parte disso é porque você está constantemente trabalhando e fazendo turnê e sua energia está baixa, então é difícil apreciar tudo o que está acontecendo fora da sua bolha. Eu não sabia o quanto a banda significava para as pessoas, e as reações dos fãs depois foi umas das coisas mais surpreendentes para mim.” 

Atualmente, no entanto, seus pensamentos estão no futuro. Sua empolgação e vontade de completar seu projeto solo para mostrá-lo ao mundo estão dominando seus pensamentos depois de um ano aproveitando os prazeres de se estar em casa. Mas isso não significa que ele não pensa sobre o passado também. E embora ele se orgulhe, com razão, do que o My Chemical Romance conquistou,  Ray diz que não é da banda que ele sente falta, mas sim dos integrantes. Porque entre eles, compartilharam algo extremamente especial:

“A única coisa que me faz falta são os caras,”  diz. “Pondo todo o resto à parte, eu sinto falta dos momentos divertidos que passamos juntos fora da música e fora da banda.”

My Chemical Romance na 10th Annual Honda Civic Tour (2011)

Nesse caso, digo a ele, há apenas uma coisa para se fazer: volte com a banda.

Ele ri e leva o que eu disse como pretendia: como uma brincadeira. Mas, Ray Toro diz uma última coisa:

Veremos. Quem sabe o que poderá acontecer no futuro? Seria maravilhoso. Quem sabe…”. 

Ouça o álbum completo de Ray Toro aqui:

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