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Emoção à Prova: Frank Iero Enfrenta Seus Medos por Meio da Arte

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Entenda profundamente como Frank Iero lida com seus problemas pessoais em forma de música e descubra o que há por trás de Cellabration, Patience e Future Violents.

Texto por: Gabriela Reis

Frank Iero nunca se contentou com pouco. Mesmo nas épocas mais áureas do My Chemical Romance, Iero sempre esteve envolvido em projetos paralelos. De Pencey Prep até Leathermouth – dois extremos no quesito estilo – Frank sempre quis andar com suas próprias pernas, musicalmente falando.

Podemos dizer que ele conseguiu o prestígio que tanto almejava em anos de caminhada. Desde o término do MCR em 2013, Iero vem trabalhando em seus projetos solos com cada vez mais afinco e em constante batalha contra si mesmo, como ele disse para a revista Flesh & Bone (vol. 14 – 2015)

“Algumas pessoas trabalham bem com a tristeza, outras trabalham bem sob uma arma, (…) acho que eu trabalho bem em… modo de defesa.”

Neste texto, vamos destrinchar toda a carreira solo de Frank de 2014 até hoje, passando pelas eras, formações de bandas e também por períodos de sua vida retratados em seus álbuns; uma vez que suas músicas são totalmente pessoais e trazem sempre algum resquício de sua história, como ele disse em entrevista à Forbes no ano passado, quando citou o acidente que sofreu com sua banda na Austrália, em 2016: 

“Quando você coloca algo em uma música, isso dá peso à essa memória. Se você nunca falar sobre isso, é quase como se nunca tivesse acontecido. Há uma linha tênue entre renunciar o poder dessa memória, situação ou trauma, ou tomar o poder e criar sua própria narrativa sobre isso.”.

Lançado em 25 de agosto de 2014 pela Staple Records e B.CALM Press, este é o primeiro projeto oficialmente solo de Iero, trazendo suas composições junto de sua voz com uma pegada mais Pencey Prep, diferente de outros projetos recentes, como Leathermouth e Death Spells, que carregam mais metais pesados e guturais mais marcados.

Segundo entrevista concedida para o site Dying Scene, Frank conta que as músicas foram, na verdade, escritas sem muita pretensão: “Eu comecei a escrever no final de 2012, começo de 2013. Era pra ser uma daquelas coisas que apenas são um meio para um fim, como se eu só quisesse ser criativo de novo. Foi apenas uma maneira de me sentir humano depois de me sentir horrível, fisicamente. Sempre que eu começava a me sentir mal, eu me esforçava para levantar e fazer algo positivo. Antes que eu percebesse, eu já tinha escrito todas essas músicas”. 

O nome Stomachaches não é por acaso: durante o período que compôs e escreveu o álbum, Frank passou por fortes dores no estômago e, por isso, decidiu nomear seu álbum com o mais puro sentido literal.

No outono de 2014, Iero levou o projeto para uma breve turnê de um mês com as bandas Taking Back Sunday e The Used, para testar a popularidade do projeto. Mais tarde, o disco foi lançado com os singles: Weighted, Joyriding e She’s the Prettiest Girl at the Party and She Can Prove it With a Solid Right Hook. As três músicas possuem clipe e vocês podem conferir todos nesta playlist: 

A banda era formada por Evan Nestor (irmão de sua esposa, Jamia Nestor), Rob Hughes (que trabalhou anteriormente com Iero no projeto Leathermouth) e Matt Olsson. Eles encararam uma turnê simples, mais pautada no lançamento do CD – este que rendeu uma colocação interessante na avaliação da revista Kerrang! dos melhores álbuns de rock de 2014, atingindo a 21ª posição.

O nome “The Cellabration” foi escolhido por Iero para representar algo que ele particularmente acredita não trazer em si. Em entrevista a Louder Sound, ele alegou: “Um dos motivos os quais eu nomeei minha banda como “A Celebração” é porque eu sou completamente o oposto disso. Quando eu era adolescente, eu ouvia sobre uma festa e ficava animado em ir. Quando chegava lá e percebia que tinha que falar com as pessoas, eu ficava chateado num canto e esperava a festa acabar. Eu não me sinto confortável desse jeito”.

O conceito do disco leva a cor rosa e a capa é uma teia de aranha com orvalho. O símbolo que Frank criou estampa o CD nos detalhes, tanto da versão vinil, quanto na versão do CD. Símbolo este que começou a ser criado na mesma época em que o My Chem trabalhava na arte conceitual do The Black Parade (2006), segundo entrevista ao site Kill Your Stereo.

Durante a produção de um projeto pessoal, Iero estava recriando cartas de tarot quando decidiu criar um logo. Sua ideia era trazer o bem e o mal em um símbolo só e, no fim, o logo tornou-se sua assinatura e marca registrada:

“Eu comecei a manipular a cruz Bizantina (nota: variação da cruz cristã com três travessas horizontais e a inferior inclinada) e o que eu realmente queria era algo parecido com o yin-yang, um símbolo que traduzisse o impulso entre o bem e o mal, o belo e o feio. Algo pelo qual sou obcecado há muito tempo; achar beleza nas coisas que você normalmente não encontra, em coisas que normalmente parecem feias ou mundanas. Eu acrescentei serpentes abaixo da cruz, criando um formato de âncora, o que basicamente significa que está pautado neste tipo de força.”

O Stomachaches teve suas faixas gravadas em sua grande maioria apenas por Iero e, por isso, possui um som mais intimista e até meio “punk”, podemos assim dizer. Sempre com uma pegada mais romântica e passiva-agressiva, as letras de Frank trazem uma naturalidade interessante em sua essência e faz com que a identificação com certas letras sejam fortes e aconteçam de primeira.

Na mesma entrevista ao Kill Your Stereo, Iero explica que usou baixos mais marcados e baterias elétricas para acompanhar o ritmo das canções para poder compor com mais facilidade. Ele acrescenta também que por não ser um baixista, naturalmente seus riffs e acordes no baixo tendem a puxar mais para a vertente da guitarra, uma vez que este é seu instrumento principal. 

A obra foi gravada em seu porão e todos os instrumentos foram tocados por ele exceto a bateria, que ficou no encargo de Jarrod Alexander, que já tinha trabalhado com o My Chemical Romance anteriormente. 

Sua sinceridade na forma como expressa sentimentos faz com que Iero se mostre um bom letrista, provando assim a que veio. Em uma resenha, o site Suf Folk Voice retratou que Iero revelou durante o show a história de um dos singles do álbum, She’s the Prettiest Girl at The Party. Confira a história traduzida abaixo: 

“Antes de começar, Iero disse: “essa música é baseada em uma história real”, e seus olhos brilharam vislumbrando a multidão. Quando ele levou Jamia (sua namorada na época) para o baile, tinha uma garota bêbada que pedia para as pessoas baterem nela. Sem nenhuma excitação, Jamia a acertou. Iero disse que aquele foi o momento onde ele percebeu que ele tinha que casar com aquela garota mais bonita com um gancho sólido direito gancho direito sólido.”

Jamia Nestor e Frank Iero

Segundo entrevista para a revista Flesh & Bone, Iero alega que no caso de Joyriding, sua ideia para a música e para o vídeo era mostrar o quanto ser tão empático com as pessoas pode fazer você se afogar em seus próprios sentimentos. No caso do vídeo, os personagens estavam afogados em seu próprio sangue. 

Frank também comenta sobre a dificuldade de gravar o clipe, por mais simples que parecesse: “(…) Nós basicamente construímos um quarto no meu quintal e destruímos em questão de horas, foi horrível”. Mas o resultado ficou incrível, como comentamos um pouco na nossa resenha sobre o clipe de seu projeto mais recente, lançado no mês passado.

Em quesito de qualidade musical, o disco Stomachaches traz uma versão mais crua da musicalidade de Frank, principalmente pelas gravações com uma pitada caseira para lá de sofisticada. De todos os três projetos recentes, este é o mais fraco nos arranjos – por ser mais cru em sua essência -, mas com um poder nas letras que tiram o fôlego por sua sinceridade e seus sentimentos tão palpáveis. 

Os destaques aqui ficam por conta de .stage 4 fear of trying., que carrega riffs de guitarra bem demarcados que dão um tom mais intimista à música; .tragician., que tem um tom mais alegre e uma letra forte sobre não ser bom o suficiente para alguém, e .smoke rings., que fala sobre medos e sobre autodestruição: “You can’t cure me/Drugs can’t kill me/Love won’t save me from myself” (você não pode me salvar/drogas não podem me matar/o amor não vai me salvar de mim mesmo).

Diferente da proposta abordada em Stomachaches, o disco Parachutes, lançado em 2016 pela Vagrant Records nos EUA com licença exclusiva para a Hassle Records no Reino Unido, trouxe ainda mais da vida pessoal de Iero, como ele disse em entrevista ao site The Mancunion (Manchester Media Group). Ele escreveu a obra pensando no que diria e no quão fundo iria, trazendo mais identificação de si mesmo em suas composições: 

“Eu não me sinto tão conectado ao Leathermouth quanto a este projeto. Este é um disco que, se as pessoas me perguntassem se poderiam colocar minha identidade em um CD, seria este que eu mostraria a elas; eu daria a elas o Parachutes”.

Quanto a formação, Frank alega que o processo de criar uma banda nova o agrada. Apesar de ser quase a mesma do projeto anterior (Frank Iero and The Cellabration), que trouxe desta vez Alex Grippo nas guitarras, ele diz que se considera uma pessoa nova, com outras coisas para dizer e, por isso, ele decidiu mudar o nome do projeto junto do novo disco.

O nome Parachutes (pará-quedas, em tradução livre), carrega um contexto forte para Iero, que traduz muito bem as coisas que ele acredita. Depois do lançamento do disco, Frank postou em seu site (que não está mais disponível) um pequeno texto que traduz o conceito do álbum em algumas palavras: 

“Pára-quedas são dispositivos que salvam vidas. Contamos com eles para nos trazer de volta da beira da morte. Se caímos ou saltamos, são as únicas coisas que nos mantêm vivos. Assim como na vida, todos nós estamos apenas caindo ou mergulhando em um fim eventual, mas o amor da minha família e minha capacidade de criar arte e música sempre foi meu paraquedas. O ato de viver pode ser aleatório e estranho, bonito e feio ao mesmo tempo, e a única coisa que é inegavelmente certa é que eventualmente todos nós vamos cair no chão. Alguns de nós despencam a um ritmo incrível e tudo acaba num piscar de olhos, mas alguns de nós são salvos e podem apreciar a vista por um tempo… Este álbum é um dos meus paraquedas”.

Trazendo mais sobre sua história familiar, o disco leva uma capa que originalmente é uma foto onde está Iero criança no colo de seu pai, junto de sua mãe. Na música “Viva Indifference”, ele cita: “working in garage, all day long, painting pictures, inventing songs” (em tradução livre: trabalhando na garagem, o dia todo, pintando fotos, inventando músicas), em uma alusão clara à própria capa do álbum. 

A produção também conta com uma música escrita para seu avô – 9-6-15, que é a última música do álbum -, que faleceu em 2015. Iero possui uma forte ligação com seu pai, da mesma forma que possuía com seu avô, algo que já foi dito em algumas entrevistas. Assim como ele, ambos eram músicos, fato que acabou instigando ainda mais Frank a seguir os mesmos passos. Em entrevista a Louder Sound, Iero relata: 

“Meu pai é baterista e meu avô também era. Basicamente todo mundo na minha família era músico e todo mundo se chamava Frank. Se você não se chamasse Frank e não tocasse bateria, seu nome era Anthony e você tocava piano. Eles me iniciaram na bateria – e eu me lembro de ter três anos e de tocar uma bateria dos Smurfs – eu fui para o piano por um tempo, depois para o saxofone. Mas eu era a ovelha negra. Eu queria escrever músicas, então eu peguei uma guitarra”.

Nesta mesma entrevista, Iero também comenta um pouco sobre a separação de seus pais que se deu quando ele tinha sete anos. Ele também relata que sua primeira turnê foi com seu pai e seu avô, ambos tocavam jazz na época, o que ajudou Iero em sua formação musical que o acompanha até hoje.

Segundo a resenha publicada pelo crítico de música Neil Z. Yeung, pelo site de música All Music, o disco carrega fortes influências de bandas como Black Flag e Minor Threat, principalmente com a faixa Veins! Veins!! Veins!!!. Iero também pode se inspirar em Nirvana e, segundo o crítico, até mesmo em My Chemical Romance (banda que até esta época poderia ser considerada como póstuma), trazendo uma sensação até que nostálgica aos ouvintes.

O destaque aqui – segundo a minha opinião pessoal – fica com Oceans, I’ll Let You Down e World Destroyer, faixa que abre o disco. Não muito atrás – sem desmerecer sua importância – vem The Resurrectionist (música da qual a redatora que vós fala tem uma tatuagem).

O único single divulgado por Iero foi I’m a Mess, presente também em um EP lançado em 2017 junto de outras três faixas, sendo essas BFF, composta junto de sua filha Lily Iero, que também participa dos vocais da banda; No Fun Club e também o cover de Johnny Cash – cantor do qual Iero já se declarou fã – You Are My Sunshine, em uma versão bem intimista e mais pesada que a versão original, que conta com um violão suave.

O clipe de BFF foi feito junto com as filhas de Iero e pode ser visto aqui: 

A qualidade poética de suas letras e composições podem ser vistas com clareza nesta produção, o que é pontuado com clareza por Katie Shepherd, ainda na mesma entrevista ao The Mancunion. Segundo a jornalista, ser tão honesto, intenso e emocional traz consigo o peso aterrorizante de dividir seus maiores medos e mais profundos sentimentos em um espaço lotado de estranhos. Frank concorda com ela: 

“Com certeza. Foi uma grande decisão que eu tive que fazer durante o processo de escrita; você quer fracassar no que está dizendo e agir de forma segura, dar às pessoas o que pensa que elas querem, ou apenas dizer ‘foda-se’ e fazer tudo o que você sempre quis fazer. Foi o que senti que tinha que fazer”.

Por ser um disco tão puro e que traz tanta personalidade, Frank confessa à jornalista que ele só se conecta com o que é honesto e genuíno, e ainda completa: 

“Quando as pessoas estão fingindo ou atuando, você consegue sentir o cheiro a quilômetros de distância. Quanta pessoas tem no mundo hoje em dia? 7 ou 8 bilhões? São muitas pessoas. Nós já temos tantas pessoas, por que você quer ser outra? Nós já temos isso. A única pessoa que não temos, é você”.

Essa citação lembra muito o discurso de Iero durante o show de 2019 em São Paulo, que você pode conferir aqui. Emocionado após a canção BFF e com as plaquinhas promovidas pelo Frank Iero Brasil, Iero disse: 

“Eu vi esses cartazes que dizem ‘sua arte muda vidas’ e isso é muito verdade, obrigado por terem feito esses cartazes. Mas quero que vocês saibam que esta palavra, ‘sua’, não se aplica só a nós”, ele apontou para a banda enquanto falava, “isso se aplica a cada um neste show, e todos lá fora também (…). Eu só quero que vocês saibam de uma coisa: o mundo já tem o bastante das outras pessoas, a única coisa que o mundo não tem é você. E você é a única pessoa que pode dar isso [ao mundo]. E dane-se essa coisa de ‘aww’, é verdade, ok? Você pode sentir que você tem falhas ou que é todo ferrado em algum sentido e está tudo bem, porque ninguém é ferrado do mesmo jeito que você, isso é único para você, ok? Não sejam perfeitos, ninguém é perfeito, dane-se isso. Seja você, ferrado como você é, da única maneira que você puder, por favor. O mundo será melhor por isso. Então obrigado por ser você, e obrigado por fazer todos esses cartazes”.

Foto: PH Melo

Mas apesar de frases bonitas e reflexões pessoais sobre seu passado, a era do The Patience foi marcada por um acidente que ainda assombra Frank Iero e Evan Nestor. No dia 13 de Outubro de 2016, Frank e a banda estavam descarregando os equipamentos da van para um show em Sidney, na Austrália, quando um ônibus colidiu com o veículo.

Seu cunhado Evan, seu baterista Matt Olsson e seu empresário Paul Clegg e próprio Iero foram atingidos. Frank foi parar embaixo da van e sua percepção do acidente foi de quase morte. Para ele, foi um milagre ter sobrevivido a algo que poderia ser fatal.

Até hoje, alguns traumas físicos trazem problemas a Frank, que sofre com dores nos ombros quando toca guitarra, e Nestor, que ainda tem fortes dores no joelho em virtude da colisão. Iero não quis arriscar passar por uma cirurgia em seu ombro, com medo de não poder tocar guitarra nunca mais. 

Psicologicamente, os traumas também o abalaram, mas isso tudo foi transformado em arte novamente, é claro. A próxima Era da carreira solo de Iero traz mais sentimentos e, como o próprio disco diz, a quebra de “barreiras” entre ele e sua própria visão de mundo. 

Lançado no dia 31 de maio de 2019 pela UNFD Records, o Barriers é o terceiro projeto solo de Iero e o primeiro dos Future Violents, uma banda que, segundo Frank, foi planejada por ele para ser perfeita. 

A formação aqui segue diferente:  ainda com seu cunhado Evan Nestor assumindo o posto de guitarrista solo, Frank conta com a participação de três pessoas novas em seu projeto: a tecladista Kayleigh Goldsworthy, Matt Armstrong no baixo e Tucker Rule na bateria. Rule também é baixista da banda Thursday, que tem uma boa relação com Iero. 

Segundo Iero, os Future Violents foi uma banda dos sonhos para ele e o resultado não poderia ter sido melhor. Barriers é um disco que carrega muito mais complexidade em seus arranjos e letras. O uso de outros instrumentos e teclados mais marcados, trouxe uma leveza na musicalidade que antes não tinha sido palpável em outros projetos. 

Em entrevista à Kerrang!, ele alega que o nome escolhido para o disco carrega sua própria essência, sendo uma coletânea de barreiras e paredes que ele gostaria de quebrar, ou por serem prejudiciais a ele próprio, ou por terem sido criadas para ele mesmo se proteger, e completa: 

“A ambição é que essas músicas sejam percebidas sem nenhum tipo de noção passada de como o projeto deve soar, quebrar todos e todos os limites e barreiras que estabelecemos ou que outras pessoas criaram para nós. Nós realmente criamos algo totalmente novo para nós mesmos e esse foi um desafio e um empreendimento divertido”.

O álbum tem 14 faixas, sendo Young and Doomed o primeiro e único single, lançado no começo de 2019. Frank manteve o suspense sobre o disco até mesmo durante a turnê que se seguiu, a mesma que passou pela América Latina em abril do mesmo ano. Outro clipe do projeto é Great Party, que foi lançado também em 2019.

Já em 2020, Iero soltou mais dois clipes do projeto, sendo esses: Basement Eyes e Medcine Square Garden, lançado a pouco tempo. Confira a nossa resenha aqui e aproveite para conhecer todos os clipes do projeto abaixo: 

Alguns destaques merecem ser pontuados. A maioria das músicas presentes aqui foram experimentações que Iero decidiu fazer em conjunto da banda. Os destaques mais técnicos ficam no encargo de The Unfortunate, que traz consigo tons mais amenos de violinos e teclados marcados, junto da voz suave de Kayleigh Goldsworthy, que faz um ótimo trabalho de backing vocal, até mesmo em outras faixas.

Moto Pop pode ser destacada por carregar riffs de guitarra mais demarcadas e uma voz um pouco mais agressiva de Iero, puxando para a vibe mais post-punk, um estilo que se tornou marca registrada de Iero ao longo dos anos. 

24K Lush, música que fecha o disco, carrega um tom melancólico com um ritmo um pouco mais lento e uma letra mais melódica e apaixonada. É um ótimo fechamento de disco e merece ser pontuada e exaltada à altura. 

Como dito anteriormente, este projeto carrega um peso emocional que se seguiu após o acidente de 2016. Iero contou à Forbes que continua refletindo sobre o assunto: “Eu não acho que isso precisa me definir. Mas foi algo que eu precisava falar sobre nesse disco. Não era algo que eu podia varrer para debaixo do tapete. Mas quero insistir nisso todos os dias e reviver isso? Não. Mas penso nisso constantemente. Sinto a dor constantemente. Está na minha mente.”

A música Six Feet Down Under conta um pouco sobre seus sentimentos em relação ao dia do acidente. Confira a produção abaixo e a tradução aqui

Ainda na mesma entrevista, Frank divaga sobre suas filosofias de vida e quanto o momento em que se encontra parece sombrio. Ele diz que tem dias em que ele acredita não ter sobrevivido ao acidente. Mas ao invés de ficar depressivo sobre isso, Iero pensa que, talvez, se tudo isso é fruto de sua imaginação, ele pode ser o mestre de seu destino. Confira a entrevista completa e traduzida pelo Frank Iero Brasil aqui.

Não sabemos quais serão os próximos passos de Iero e o que é que ele vai nos contar no próximo disco solo, uma vez que já passamos por suas crises crônicas de dores no estômago, a importância de sua família, assim como suas barreiras pessoais que são quebradas por meio de sua arte. 

Por enquanto, podemos apenas degustar de um pedaço de sua alma, fragmentada em cada pedacinho de seus discos, sempre tão carregados de sinceridade, amor, dor, paixão e cicatrizes profundas. 

Eu me despeço por aqui com o coração cheio de agradecimentos por Frank Iero abrir seu coração para nós em cada música. Conta pra gente nos comentários qual a sua relação com a carreira solo de Frank. Estamos curiosos para saber.

Beijos da G. e até a próxima!

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