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Frank Iero and the Future Violents: um ano do show no Brasil

Relembre a experiência com um review completo feito em comemoração ao aniversário do show
Por Alex Fernandes | Fotos por PH Melo

No dia 22 de janeiro de 2019, surgiu nas redes sociais um anúncio que muitos acreditavam ser impossível: o da turnê sul-americana de Frank Iero and The Future Violents (FIATFV), com passagem pelo Brasil.

A notícia veio como um baque para todos os fãs da banda, talvez mais ainda para quem acompanhava Iero desde seus dias no My Chemical Romance, já que esse seria um retorno esperado desde 2008, quando o MCR fez sua única passagem pelo país. O primeiro lote de ingressos para o show, que ocorreria em abril, esgotou na primeira hora e já estava claro que seria um sucesso, meses antes que ele acontecesse.

Quem trouxe FIATFV para tocar em São Paulo foi a Agência Powerline, responsável também por atuar com nomes de peso como Taking Back Sunday, L7 e Against Me!. O local escolhido foi o Fabrique Club, uma casa de shows próxima à Barra Funda, não muito grande, o que tornou o evento mais acolhedor para todos.

Depois de meses de ansiedade, o dia 28 de abril chegou. Em frente ao Fabrique, surgiam mais e mais pessoas vindas de todas as partes do Brasil para aguardar a entrada. Ao invés de uma fila única, outra forma de organização estava sendo posta em prática: o pessoal do Frank Iero Brasil, nossos parceiros, tomaram a frente e passaram a marcar as mãos de cada um que chegava com um número. Assim, era possível se locomover, conversar com os amigos, sair para comer e ir ao banheiro, sem que seu lugar na fila ficasse comprometido.

Vale dizer que o trabalho da equipe do FIBR era o único sendo feito durante todo o tempo que antecedeu a abertura das portas do Fabrique. E ele não se limitava a anotar números. A equipe estava se dedicando a auxiliar quem tivesse dúvidas, além de oferecer uma bandeira do Brasil para que todos assinassem, e ainda a distribuição de papéis que serviriam de surpresa para a banda na hora do show.

Os papéis em questão eram de dois tipos: crepom, nas cores amarelo e azul, para colocarmos sobre as lanternas do celular e acendermos durante a performance de Young and Doomed; e outros impressos com mensagens como “you’re good enough” (você é bom o bastante) e “your art changes lives” (sua arte muda vidas). 

A primeira surpresa remetia às cores do álbum Barriers, que ainda não havia sido lançado na época, enquanto a segunda tinha relação com a própria letra da música — e de muitas outras que trazem a mesma temática.

Foram horas longas, mas divertidas, enquanto esperávamos. Dezenas de amigos virtuais se conheceram pessoalmente pela primeira vez, outros se reencontraram após anos, mais alguns fizeram amizade ali mesmo. Havia um bar e uma balada em frente à casa de shows, com grupos que nem sabiam quem era o tal de Frank Iero, mas que se interessaram após ver a paixão de tantos fãs. O bar aproveitou para tocar algumas músicas da banda e animar a rua lotada ainda mais.

Finalmente, após alguns problemas na hora de organizar a ordem da fila por conta da chuva, todos conseguiram entrar. O espaço tinha um estilo um pouco rústico, com arquitetura industrial, mas ainda assim aconchegante. A proximidade com o palco era enorme, mesmo para quem chegou depois. Se você está acostumado com apresentações gigantescas em estádios e festivais, imagine algo muito mais íntimo. À fileiras de distância, você ainda conseguia ver todos os membros da banda perfeitamente e, se a iluminação ajudasse, era provável que eles conseguissem te ver também.

Depois de set de aquecimento vocal da plateia que incluiu inúmeros ícones emos, de Fall Out Boy a The Used, os sons e as luzes diminuíram para indicar que o momento estava chegando. Os fundos do Fabrique ficou visível, apenas porque as pessoas se espremeram na frente para ficar mais perto do palco. Instrumentos prontos, microfone no lugar, uma cacofonia de gritos de antecipação.

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Foto: PH Melo

Frank Iero e sua banda chegaram com o nível de energia altíssimo, tocando World Destroyer, do álbum Parachutes. A música foi perfeita para corresponder aos ânimos exaltados de quem esperava há meses por esse momento. Em seguida, o ritmo continuou com Veins! Veins!! Veins!!!, também vinda do Parachutes.

Com um sorriso genuíno no rosto, Frank se dirigiu ao público, dizendo que aquele era um ótimo começo, mas que poderiam aumentar o tom ainda mais. Apresentou a próxima música dizendo que era não apenas sobre ele, mas também sobre todos nós: I’m a Mess.

Foi durante essa faixa que o vocalista aproveitou para apresentar e pedir palmas para a banda: Matt Armstrong no baixo, Tucker Rule na bateria e Evan Nestor na guitarra. A tecladista Kayleigh Goldsworthy infelizmente não pôde comparecer. Frank também pediu para que todos os fãs se parabenizassem por aguardarem 11 anos pelo seu retorno ao Brasil.

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Foto: PH Melo

A próxima música foi uma das únicas do Barriers que tivemos a chance de ouvir no show em São Paulo. Young and Doomed, single do álbum que só sairia em 31 de maio, seguiu intensa. Não é à toa, já que estava na ponta de língua de todo mundo, mesmo tendo sido lançada apenas um mês antes. Também foi a hora da plateia ligar as lanternas para honrar o momento.

Frank fez mais uma pausa para agradecer, dizer que estava esperando voltar ao país há muito tempo, e conversar um pouco. Ele contou que teve sua primeira banda com 11 anos e brincou com sua idade ao dizer que está bem mais velho. O ponto era que, de lá para cá, não houve muitos momentos ruins, e era por nossa causa — dos fãs.

Parachutes voltou de forma mais melódica com Viva Indifference, uma música “sobre encontrar quem você é”, segundo Iero. Assim como muitas outras faixas, esta contou com os vocais de Evan e Matt nos momentos mais intensos. Tucker também deu apoio no microfone de vez em quando.

O show voltou ao ritmo mais acelerado com Neverenders, primeira música do álbum .stomachaches. no show. Tucker garantiu um solo constante na bateria enquanto Frank animava a plateia para bater palmas e acompanhá-lo no clássico momento de “grito e retorno”. 

Neverenders retornou ainda mais animada, dando espaço imediatamente para o início de This Song is a Curse, single gravado para o filme Frankenweenie, de Tim Burton. Se essa apresentação já foi inesperada, por não fazer parte de nenhum dos projetos solo de Frank, a próxima arrancou gritos de surpresa.

Iero afirmou que tocariam um cover de uma jovem muito artística e muito gentil de nove anos. Ele se referia à sua filha, Lily, que escreveu BFF. Ele pediu para que cantássemos alto o bastante para que ela ouvisse lá de Nova Jersey. Claro que não precisou pedir duas vezes.

Talvez inclinado pela emoção de ter cantado algo feito pela própria filha, Frank parou para conversar mais uma vez. O discurso que ele deu se tornou o ponto alto da noite para muitos dos presentes, e passou a ressoar nos ouvidos dos fãs por muito tempo depois que o dia 28 passou. Confira a tradução integral do que Iero nos disse:

“Eu vejo esses cartazes que dizem ‘sua arte muda vidas’ e isso é muito verdade, obrigado por terem feito esses cartazes. Mas quero que vocês saibam que esta palavra, ‘sua’, não se aplica só a nós”, ele apontou para a banda enquanto falava, “isso se aplica a cada um neste show, e todos lá fora também (…). Eu só quero que vocês saibam de uma coisa: o mundo já tem o bastante das outras pessoas, a única coisa que o mundo não tem é você. E você é a única pessoa que pode dar isso [ao mundo]. E dane-se essa coisa de ‘aww’, é verdade, ok? Você pode sentir que você tem falhas ou que é todo ferrado em algum sentido e está tudo bem, porque ninguém é ferrado do mesmo jeito que você, isso é único para você, ok? Não sejam perfeitos, ninguém é perfeito, dane-se isso. Seja você, ferrado como você é, da única maneira que você puder, por favor. O mundo será melhor por isso. Então obrigado por ser você, e obrigado por fazer todos esses cartazes”.

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Foto: PH Melo

Com algumas lágrimas na plateia, o show continuou. O .stomachaches. fez mais uma aparição com Smoke Rings e, em seguida, deu espaço para mais uma faixa originalmente tocada por Frank Iero and The Patience: No Fun Club.

Sem tempo para respirar, a banda seguiu com a era Patience e apresentou Dear Percocet, I Don’t Think We Should See Each Other Anymore. O clima voltou a ficar pesado no melhor estilo punk/post hardcore de Iero. Mesmo com uma acalmada que deu destaque para um pequeno solo de guitarra, eles prosseguiram energéticos com I’ll Let You Down.

Pulando para o .stomachaches. novamente, o palco se iluminou com Tragician, seguindo sem pausas para Weighted, uma favorita do público. Só houve tempo para respirar depois dessa porque Frank decidiu agradecer e falar mais um pouco. Dessa vez, ele disse que nunca teve a intenção de ser o vocalista de uma banda e ter álbuns com seu nome, mas que apenas aconteceu assim. Ele estava muito feliz de ter seguido por esse caminho, para poder ter experiências como a daquele momento.

O pequeno discurso serviu para introduzir para a próxima canção, que foi a primeira escrita por Frank quando ele decidiu seguir carreira solo. Joyriding arrancou mais gritos e seguiu em um ritmo mais calmo no começo, no qual era possível ouvir os fãs cantando facilmente. O refrão trouxe a intensidade de volta e Iero não reduziu o vocal para o resto da faixa em momento algum.

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Foto: PH Melo

Com um agradecimento simples, a banda deixou o palco, abrindo espaço para que o público chamasse por ele de volta, em um coro que gritava extasiado: “Frankie, Frankie”. Estava claro para todos que haveria um bis, então ninguém se moveu, apenas clamou pelo retorno.

Não demorou muito. Todos os membros retornaram, e Frank agora vestia um dos presentes que ganhou no backstage antes do show: uma camisa oficial do Firmino, jogador da seleção brasileira que recebeu muitos elogios de Iero durante a Copa do Mundo. Frank, inclusive, disse que achava que o Brasil foi roubado na Copa.

Vale abrir parênteses para dizer que a camisa não foi o único item que a banda deixou à mostra no palco. Neste post você pode ver tudo que a equipe do FIBR entregou a eles, incluindo a bandeira autografada e bottons que foram usados por todos os membros.

O show recomeçou com mais uma música do Barriers, ainda desconhecida dos fãs, chamada Basement Eyes. A faixa foi bem recebida, ainda que os ânimos tenham se acalmado um pouco, já que não havia familiaridade com a inédita. Isso passou na música seguinte, novamente uma das favoritas do .stomachaches., All I Want is Nothing.

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Foto: PH Melo

O último momento do show foi anunciado. Oceans começou estendida, com a parte instrumental mais destacada no início. Quando Frank entrou com os vocais, ainda estava contido para os primeiros versos. Assim que o refrão chegou, ele se soltou mais uma vez, seguindo o costume de manter o tom alto mesmo quando sai do refrão. Os backing vocals mantiveram o ritmo sem dificuldade.

Ao fim do show, Iero agradeceu mais uma vez, com o “coração cheio”. A banda deixou o palco sob gritos e mais gritos de pessoas que também sentiam seus corações cheios.

A experiência não acabou ao sair do Fabrique Club. Muitas pessoas permaneceram na rua, aguardando pela oportunidade de ver os músicos e talvez conseguir autógrafos. Depois de algum tempo, quando barreiras de proteção foram colocadas na saída da casa de shows, ficou claro que isso aconteceria. Não havia quem não estivesse com os nervos à flor da pele naquele momento.

Todos os membros saíram e passaram pelo caminho protegido, parando para falar com os fãs e assinar os itens que eram colocados à sua frente. Frank foi quem ficou mais tempo, tentando dar atenção para cada um. Os fãs se organizaram e saiam de perto quando conseguiam seu autógrafo, para dar chance aos que estavam mais para trás. Assim, inúmeras pessoas ganharam algo extra para se lembrar daquele dia, fosse uma assinatura ou a memória de ver o ídolo bem pertinho.

Hoje, faz um ano de uma noite que foi mágica para muitos. Por que não dizer, para a própria Frank Iero and The Future Violents? A conexão e gratidão demonstrada pela banda foi de encontro com o que cada pessoa na plateia sentia. Iero deixou sua marca e temos certeza de que o Brasil também o marcou mais uma vez.

Se você esteve presente no show, queria estar ou apenas leu este review por curiosidade, conte o que está pensando nos comentários! Este primeiro aniversário também está cheio de emoções para vocês?

Caso queira relembrar ainda mais, confira aqui a resenha do nosso parceiro PH Melo, do site O Diário Musical (que também foi responsável pelas fotos incríveis do show).

Alex, out!

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