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Gerard Way: The Saviour of the Dead

Perfil especial de aniversário do vocalista que transformou a arte em sua principal arma contra o mundo

Texto por Marina Tonelli 

Em um sábado de primavera em 1977, Gerard Arthur Way nasceu em New Jersey, NJ. Era o primeiro filho da família Way e o garoto escolheu nascer em meio a uma contraditória disparidade: ao mesmo tempo em que a música mais ouvida no dia de seu nascimento era Dancing Queen, do Abba, o ano de 77 era marcado pela morte do rei do rock Elvis Presley e a primeira execução por fuzilamento de um preso nos Estados Unidos. 

A Guerra Fria continuava permeando o imaginário e os noticiários norte-americanos, criando pensamentos cada vez mais preservacionistas, ao mesmo tempo em que a disco music era um sucesso mundial. O medo e a alegria espalhafatosa andavam lado a lado, criando um cenário agridoce para o garoto que cresceria tímido e filho único até os 3 anos de idade, quando nasceria seu irmão Michael James Way.

Gerard e Michael Way (acervo pessoal)

A infância do garoto mais velho dos Way seria marcada por sua forte ligação com a avó materna, Elena Lee, que era a porta de abertura para a arte e a música. Seus pais não tinham rádio ou discos espalhados pela casa, mas Elena sabia tocar piano com maestria e incentivava Gerard a se envolver com projetos culturais da escola. 

Aos seis anos de idade, ele participou de uma audição para a peça Peter Pan para interpretar o personagem principalnormalmente interpretado por garotas, pois elas tinham melhor preparo vocal – e conseguiu o papel. Nesta experiência, Gerard descobriu que poderia cantar e desenvolver este talento mais a fundo, sendo chamado por professores para cantar em outros momentos. Confira trecho do documentário Life on The Murder Scene, em que Gerard fala sobre a história: 

Mas nem tudo era perfeito. Apesar da relação de proximidade com a avó e o talento natural para a música, o garoto Way não se adaptava bem com as outras crianças da escola e era tímido, desenvolvendo uma estranha fixação com a morte desde muito cedo. 

Normalmente, as crianças começam a entender o conceito da morte por volta dos 6 aos 9 anos, mesmo assim sem compreender que o processo é irreversível. É natural que a criança associe a morte com o que vê em desenhos animados e eles voltam à vida sem grandes problemas. Gerard não teve a associação normal de uma criança da idade para a morte. O conceito irreversível, solitário e gélido o envolveu durante seu crescimento, como uma penumbra o acompanhando ao longe. 

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#throwbackthursday

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Em sua adolescência, Way descobriu as HQ’s. O mundo dos quadrinhos logo o envolveu, assim como o jogo de RPG D&D (Dungeons and Dragons) criado por Gary Gygax e Dave Arneson, em 1974. Ele trabalhou em uma comic shop e seus HQs favoritos eram Flaming Carrot (Renegade Press e Dark Horse Comics) e Patrulha do Destino (DC Comics). 

A Patrulha do Destino, escrita por Grant Morrison na época, foi lançada em 1989 e se tratava de heróis que deixaram para trás qualquer vestígio de normalidade. Eram evitados pelas pessoas, apesar de serem considerados heróis, pois eram vistos como aberrações que deveriam viver à margem da sociedade, marcados pela perda e a insanidade. O quadrinho permeava uma visão de Way sobre si mesmo, servindo como consolo e escudo para o seu dia a dia.

A paixão por quadrinhos também o levou a participar de um talk show chamado Sally Jessy Raphael Show. Um dos primeiros talk shows dos Estados Unidos a ser apresentado por uma mulher, antes mesmo de Oprah.

O programa seguia a conhecida fórmula de tablóide, com curta duração, geralmente de 30 minutos, tratando de assuntos polêmicos que cerceavam as famílias religiosas. No programa em que Way fez sua participação, o assunto era a publicidade dada pelos quadrinhos aos crimes do serial killer Jeffrey Dahmer. Dahmer havia matado 17 homens e garotos, entre 1978 e 1991 e seus crimes eram hediondos, envolvendo necrofilia, estupro e canibalismo.

Para um apaixonado por quadrinhos, trabalhar em uma comic shop poderia soar como o paraíso, porém, Way teve uma experiência que marcaria para sempre o seu emocional. 

Em um de seus turnos na loja, houve um assalto e uma arma foi apontada para a sua cabeça enquanto o assaltante o pressionava contra o chão. Após o incidente, seu fascínio pela morte ganhou ainda mais força e isso seria refletido mais tarde em várias composições para a futura banda My Chemical Romance.

Way permaneceu firme com o seu amor à arte e decidiu elevá-la ao nível profissional. Ele cursou a School of Visual Arts em New York e se formou em 1999. Paralelamente, sua conexão com a música permaneceu forte. 

O primeiro show ao vivo de Way, como bom garoto de New Jersey, foi o de Bruce Springsteen acompanhado de sua mãe, Donna Way. Mas o gosto para a música passava um pouco longe do “The Boss”. Way era fã assíduo de Iron Maiden, The Smashing Pumpkins, The Misfits e Black Flag. 

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#throwbackthursday On my way to a show, 90s

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Sua conexão com a música ganhou ainda mais intensidade devido a uma tragédia que mudaria o mundo para sempre. Way presenciou os atentados de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center em New York e essa experiência fatalista o inspirou a escrever a primeira música (Skylines and Turnstiles – I Brought You My Bullets You Brought Me Your Love, 2002) que levaria a fundação do My Chemical Romance, que você pode ouvir na íntegra aqui:

A criação da banda, sua trajetória e paralelamente a carreira de Way com os quadrinhos serão detalhadas em outras matérias para que todos os detalhes sejam incluídos.

Você não sabia de algum desses acontecimentos na vida de Way? Conta pra gente!

Beijos mafiosos,
MT.

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