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Resenha: Return – Shrine 2019

Introdução por Marina Tonelli e edição por Gabriela Reis

Halloween, 31 de outubro de 2019.

Tudo estava calmo, mas não tem como negar que a sequência de fatos desse dia o tornou – de inúmeras formas – especial. Obviamente, todos os Halloweens são especiais para os fãs de My Chemical Romance, uma vez que comemoramos o aniversário do nosso guitarrista de tamanho de bolso favorito, Frank Iero. 

Para algumas pessoas, o Halloween pode ser uma data comemorativa como qualquer outra e, já que moramos no Brasil onde a prática desta festividade não é difundida, não temos as fantasias, as procuras por doces ou tradições decorativas. Mas este com certeza mudou a vida de todo um fandom e do mundo da música inteirinho. De novo.

Acho que nenhum de nós esperava essa aparição. Entre demissões e palhaços, duas de nossas redatoras surtavam com uma bomba inesperada, uma em cada canto do mundo. 

O My Chemical Romance tinha voltado. 

Com conta verificada, stories enigmáticos e referências nas contas pessoais de alguns integrantes.

O My Chemical Romance tinha voltado. 

Grandes filhos da puta. Foram seis anos, cretinos. SEIS ANOS, ouvindo as mesmas músicas e relembrando memórias inesquecíveis. Era necessário uma explicação, e muitas perguntas pairavam na cabeça de várias pessoas do fandom. Em todo o mundo, a busca por fatos foi incessante. 

Como ficou o acordo com a Warner? E o papo sobre o tempo certo de terminar a banda?

Eram muitas perguntas. Mas todas elas sumiram, quando surgiu a data de um show.  

Imediatamente todos os resmungos, perguntas, broncas e chatices sumiram. Aquele show mudaria e abalaria as estruturas de todas as pessoas desta equipe, bem como sabemos que com certeza mudou a vida de todos nós.

Muitos fãs não haviam visto eles juntos tocando ao vivo “em tempo real” e de repente, aquele show que seria em um lugar fixo, Los Angeles, se transformou em um show plural. 

Ele foi nosso. 

Hermanas, russas, australianas, italianas… O MCRmy todo estava naquele show. Porque aquele show era como voltar para casa depois de um longo tempo em uma estrada fria. Eram os sorrisos que faltavam quando ouvíamos alguma música em tempos difíceis. 

Eram os nossos meninos, tão crescidos, tão evoluídos, ali, distribuindo cobertores, abraços, e aquele tão querido sentimento de pertencimento.

Nós estávamos todos juntos de novo. Nosso Rmy voltou a ser indestrutível.

Após a divulgação das datas e os ingressos se esgotando em menos de quatro minutos, todos nós entramos em contagem regressiva. Era como se todos nós fossemos ser teleportados para a casa de show dali a 20, 15, 10… 5 dias. O desespero para nós que não estaríamos fisicamente presentes era sabermos como iríamos ver ao show. 

Qual seria o horário local daqui? Quem seria a boa alma que compartilharia vídeos com a gente? 

E é nesse momento em que provamos para o próprio fandom e para o mundo o quão grande é a nossa união (quando não estamos ferrenhamente absortos em uma discussão de pontos de vista).

Quem não quis mandar balões, flores e chocolates para a desconhecida, até então, DietShampoo? Uma fã, como todos nós, que proporcionou ao mundo todo a sensação de ver os nossos meninos no palco após tanto tempo de espera, incertezas e saudade. 

Mas como foi o show afinal de contas? Bom, é isso que nós, a equipe do FYDBR, falaremos hoje. Vamos analisar o show que deu início a uma nova fase:

LOCAL: Los Angeles/Mundo

As luzes se apagaram no Shrine na noite de 20 de dezembro de 2019. A introdução de Romance com Look Alive Sunshine se fez ouvir, e o grito de milhares de pessoas, tanto em Los Angeles quanto no mundo todo, se tornou mais alto que as canções. 

Os anjos das imagens promocionais do Return estampavam uma cortina preta com luzes posicionadas estrategicamente, e a ansiedade começou a correr nas veias de quem acompanhava o espetáculo em seu início. 

Era como se estivéssemos presenciando um ritual sagrado. 

Um mashup também foi ouvido com The Light Behind Your Eyes e Mama. Logo em seguida, outro mashup tomou nossos ouvidos, desta vez com o Interlúdio do Three Cheers, The End e o final sussurrado de Vampires Will Never Hurt You, com a faixa final do Danger Days, a última transmissão do DJ Dr. Death Defying.

Logo o diálogo de I’m Not Okay (I Promise) entrou com tudo, fazendo os fãs falarem junto da voz suave de Ray. Após o fim do diálogo, a cortina caiu e a música começou. 

Regado a nostalgia, o show foi cheio de pontos altos, apesar da timidez e insegurança que rondava a banda como uma suave camada de neblina, era possível enxergá-los, mas não alcançá-los. Muito provavelmente, a emoção de ver a casa cheia depois de tanto tempo, trouxe um medo que foi se dissipando aos poucos. Logo eles estavam tocando com leveza, se comunicando e trocando sorrisos. 

Eles também estavam em casa de novo.

Gerard começou acanhado, se movendo pouco, falando pouco. Olhar para ele era como sentir as borboletas no estômago batendo nas paredes do nosso próprio órgão vital. Elas estavam alvoroçadas, procurando sair e sem saber por onde. Mas ao levantar os olhos e encontrar seu olhar tão amoroso e carinhoso, era saber que também estávamos, finalmente, em casa.

Ele transbordava amor e gratidão, e não só por nós, mas também por uma grande amiga que  participou da história da banda, e que, infelizmente os deixou em 2019. Lauren era uma das integrantes da crew do My Chemical Romance, e esteve presente em várias turnês da banda.

Mas deixado de lado um pouco as emoções – voltaremos nelas outras vezes – precisamos falar da parte técnica da banda como um todo. O que dividiu opiniões foram os tons mais amenos usados em algumas músicas e certos arranjos diferentes. 

Mais elaborados, mais maduros e muito bem ensaiados, o My Chemical Romance trouxe uma nova roupagem para músicas antigas – até porque, ainda estamos esperando as músicas novas.

Um dos grandes destaques aqui foi o vocalista, Gerard Way, com uma capacidade vocal muito melhor trabalhada. Obviamente, a voz mais grave ajudou bastante nessa questão, bem como a técnica, que começou a ser aperfeiçoada em seu projeto solo (Hesitant Alien, de 2014) e que seguiu melhorando em seus outros trabalhos como cantor no decorrer dos anos, após o fim da banda. 

Way conseguiu acompanhar bem as notas durante as canções, sem forçar muito a voz pelo tom abaixo das melodias. Desafinou poucas vezes e manteve-se firme apesar da emoção. Vale ressaltar aqui que ele se soltou um pouco depois de algumas músicas, e começou a conversar com o público de forma mais espontânea. Falaremos mais um pouco sobre isso depois.

Outro grande destaque durante todo o show foi o guitarrista solo, Ray Toro. Ele estava muito à vontade com o palco, e muitas vezes se soltou fazendo riffs em tom de improviso, brincando com a guitarra sob seus dedos, fazendo as cordas dançarem de forma suave por entre as melodias. 

Sua voz também foi mais ouvida no trabalho de backing vocal, o que foi essencial. Por ter uma voz um pouco mais fina que Gerard atualmente, o contraste entre os dois tons foi bom, e o microfone estar em um volume um pouquinho mais alto que sua guitarra também ajudou.

Os solos de Toro estão impecáveis, como sempre. Cheio de técnica, ele trouxe uma roupagem um pouco mais clássica para certos tons pesados, como foi o caso de Our Lady Of Sorrows – a única música do Bullets na setlist, que nos surpreendeu por ter sido escolhida -, que trouxe menos solos de bateria pesados e mais riffs de guitarra no solo para balancear, provando o amadurecimento do trabalho da banda em uma performance ao vivo.

Frank Iero e Mikey Way não ficam atrás, mas entre os dois destaques, ambos estavam mais comedidos e transpareciam uma calma quase aterrorizante. Mikey se moveu com graça no palco, e teve seu momento de glória em um solo no final de Kids From Yesterday, onde o público, ovacionado, cantou seu nome em coro em um gesto de carinho.

Já Iero trocou de guitarra algumas vezes, trazendo novos tons pelos instrumentos. Em Summertime, temos uma melodia base um pouco mais suave, e um ritmo um pouco mais lento também, graças a guitarra semi acústica usada por Frank. A vibe da música lembrou um pouco a versão acústica da música, que pode ser relembrada aqui: 

Um outro ponto alto foi You Know What They Do To Guys Like Us in Prison, que contou com Sara Taylor, vocalista da banda Youth Code, fazendo os vocais mais guturais da música – que ficam por conta de Bert McCracken na versão original. Uma consideração precisa ser dada sobre a escolha da parceria nesta música: chamar uma mulher para fazer um vocal mais pesado foi, de fato, uma escolha sábia da parte do MCR, uma vez que o preconceito com as mulheres dentro desta cena musical é forte e causa polêmicas até hoje.

Aqui, a introdução carregada de solos enquanto Gerard conversa com a plateia trouxe a atmosfera certa que a música precisava. Foi possível notar também um leve slow down na melodia – que se seguiu em outras músicas também.

Além de Sorrows e a participação especial de Sara, outra grande surpresa alegrou os fãs. A oitava música do setlist começou com os acordes de guitarra pesados e demarcados. Make Room!!!, vinda diretamente dos EP’s do Conventional Weapons, estava entre nós. Foi a primeira vez que ouvimos a versão ao vivo, e não nos decepcionou nem um pouco. 

Outra surpresa agradável foi Mastas of Ravenkroft – que não está em algumas versões do vídeo disponível na internet, mas que foi memorável para quem estava lá e quem conseguiu ver em tempo real.

Uma das músicas mais emocionantes do setlist foi, com certeza, Kids from Yesterday, citada anteriormente. Antes de começar a música, Gerard, já bem mais relaxado, perguntou aos fãs se aquele era o primeiro show que eles estavam vendo da banda. Muitos responderam que sim. Cheio de sorrisos, o vocalista respondeu que seria uma ótima maneira de começar.

A última música do show foi, com certeza, um novo parágrafo para o que podemos esperar da banda. Quando a nota G se fez ouvir, todos já sabiam o que viria em seguida. E foi uma explosão de lágrimas, sorrisos bobos e uma esperança, que andava bem escondida até o Halloween do mesmo ano, que pulou na frente e nos fez acreditar de novo. 

Welcome to The Black Parade é a música mais emblemática da banda, por isso, não foi surpresa encontrá-la como encerramento do show. Tendo em vista que a divulgação do evento foi feita com uma banda marcial tocando a melodia de forma linda, na frente do Shrine, poucos dias antes da apresentação. Confira este momento mágico aqui: 

Não existem palavras para expressar o quão importante é a letra por trás desta música e o que ela representa para todo o fandom. A emoção dos fãs que estavam presentes cantando em uma só voz, se uniu com cada pessoa que estava em casa, em cada cantinho do mundo, e um horário diferente, elevando a sua sintonia para além do que podemos imaginar. 

Como todos eles disseram, foi mágico, foi lindo, foi único. E foi tudo milimetricamente pensado para ocorrer do jeito mais My Chemical Romance que poderia acontecer. 

Eles estavam de volta. E era pra valer.

Deixamos de fora algumas passagens do show, mas queremos saber de vocês quais impressões vocês tiveram sobre esse momento inesquecível. Conta pra gente nos comentários qual música mais marcou, qual foi o momento mais icônico e onde vocês estavam quando aconteceu a volta misteriosa dessa banda que amamos tanto em comum. 

A equipe do Fake Your Death Brasil se despede de vocês aqui. 

Keep running.

One thought on “Resenha: Return – Shrine 2019

  1. Cara, eu não sei o que senti quando vi o show. Mas entendo todo o nervoso que eles estavam sentido e tal, mas a insegurança sempre vai existir em mim uma vez que eles nos cativaram e, simplesmente, foram embora. Simplesmente. E agora voltam e me arrebatam de novo. Eles voltaram, mas mesmo aqui, sinto saudade e medo. Eu quero que dê certo e parar de ter paranóias sobre motivos que eles voltaram.

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